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Direitos Humanos

Governo intensifica campanha Acolha a Vida no Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio

publicado: 10/09/2019 19h32, última modificação: 10/09/2019 20h00
Lançado vídeo de combate ao suicídio e automutilação

O dia 10 de setembro marca o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A data foi a escolhida pela ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, para reforçar a campanha Acolha a Vida, iniciada em abril com ações para a prevenção ao suicídio e da automutilação e foco nos jovens.

Durante participação no Simpósio de Prevenção ao Suicídio e Automutilação, na Câmara dos Deputados, a ministra apresentou o novo vídeo da Acolha a Vida. No vídeo, o ex-técnico da seleção masculina brasileira de vôlei, Bernardinho, fala aos diretores de escola, coordenadores e professores sobre como reconhecer sinais de automutilação entre os jovens e como encaminhar o caso para tratamento.

O primeiro vídeo da Acolha a Vida trouxe a ex-modelo e empresária Luiza Brunet. A campanha ainda terá como reforço a capacitação de cerca de 350 agentes de saúde da família para identificar sinais de transtornos como depressão e a prática da automutilação. Além dela, participaram da produção audiovisual, a atriz Regina Duarte, o velejador Lars Grael e o técnico de vôlei Bernardinho. Os participantes não receberam cachê.

Campanha Acolha Vida

A campanha tem como foco os jovens por ser essa uma parcela da população onde crescem os casos de suicídio. Entre os jovens, o suicídio é segunda causa de mortes mundialmente na faixa etária de 15 e 29 anos, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a situação é semelhante. O suicídio é a quarta maior causa de morte nessa mesma faixa etária, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, disse que a campanha Acolha a Vida será permanente e com a participação do poder público e da sociedade. “Não vamos vencer essa guerra contra o suicídio apenas o poder público, precisamos da parceria da sociedade, as igrejas terão que vir conosco, as escolas e educadores terão que vir conosco nessa grande luta. E nesse tema vamos ter que esquecer nossas diferenças partidárias, ideológicas, religiosas. Só vamos vencer essa guerra contra o suicídio e a automutilação com todos”, disse a ministra.

O diretor de desafios sociais no âmbito familiar do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Marcelo Couto Dias, explicou que a campanha Acolha a Vida busca justamente sensibilizar os diversos setores da sociedade como as famílias, educadores e aqueles que convivem com jovens para identificar sinais que possam levar a ideação suicida e sobre o tratamento.

“É na família o primeiro locus onde se pode identificar esses sinais de sofrimento, de adoecimento psíquico que pode levar a ideação suicida, a prática do suicídio. E é ali que é preciso ser enfrentado o tema, onde a pessoa precisa ser acolhida e encaminhada para profissionais de saúde. Então, nosso objetivo é sensibilizar a população”, disse o diretor Marcelo Couto.

Desde junho a campanha é lançada em municípios com evento público para discussão dos temas suicídio e automutilação, seguido de curso de capacitação que reúne públicos como famílias, educadores, conselheiros tutelares e líderes comunitários e religiosos. “Para que eles sejam capazes e habilitados para identificar e acolher essas pessoas, que esse tema não seja tratado com preconceito”, explicou Marcelo Couto.

Para o ministro da Cidadania, Osmar Terra, que também participou do Simpósio na Câmara dos Deputados, o suicídio e a automutilação são um “um drama silencioso que não é visto e não é falado”. Ele defendeu que os temas sejam discutidos e tenham cada vez mais visibilidade para que toda a sociedade entenda esse fenômeno e atue para amenizá-lo.

Combate ao suicídio nas escolas

Diretora da escola, Luiza Ricardo SilvaAlém da família, o ambiente escolar, onde os estudantes trocam experiências com colegas e professores, é um local para identificar comportamentos indicativos de que o jovem passa por problemas e precisa de ajuda.

No ano passado, uma estudante do 9° ano do Centro de Ensino Fundamental 2, da região administrativa de Brazlândia (DF), tirou a própria vida. A diretora da escola que tem 1,3 mil estudantes entre 6 e 14 anos, Luiza Ricardo Silva, disse que o ocorrido mexeu com alunos e professores porque a estudante deu sinais de que precisava de ajuda, mas eles não souberam identificar a tempo.

Não percebemos que ela estava pedindo socorro e cobramos isso de nós mesmos. Foi um fracasso pra nós. Não queremos mais isso. Agora ficamos 24 horas de antena ligada para perceber qualquer coisa e chamar os profissionais para entrar em cena”, disse Luiza Ricardo.

Setembro Amarelo

Durante o mês de setembro a prevenção ao suicídio é tema de diversas ações organizadas pela sociedade civil, Ministério Público, Legislativo e governo federal. O mês também foi escolhido para discutir o problema e dar visibilidade ao assunto no país.