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Operação Acolhida integra imigrantes venezuelanos

publicado: 26/08/2019 22h28, última modificação: 30/08/2019 15h44
Desde 2017, 415 mil venezuelanos passaram pelo Brasil, sendo que cerca de 162 mil permanecem em território nacional
Operação Acolhida integra imigrantes venezuelanos

Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil

Mais de seis mil imigrantes venezuelanos saíram de Roraima entre os meses de janeiro e julho deste ano e foram para outros estados para recomeçar a vida no território brasileiro. A ação, chamada de interiorização, é um dos pilares da Operação Acolhida, que auxilia os venezuelanos que chegam ao Brasil a fugir do agravamento da crise política e econômica no país vizinho.

Desde 2017, 415 mil venezuelanos passaram pelo Brasil, sendo que cerca de 162 mil permanecem em território nacional, de acordo com a Casa Civil da Presidência da República.

A partir da interiorização, os imigrantes têm a oportunidade de ingresso no mercado de trabalho e do reinício de uma nova vida. A adesão à estratégia é voluntária. Quem quer participar recebe informações sobre as cidades de destino e condições para serem abrigados.

O subchefe de articulação e monitoramento da Casa Civil, Antônio José Barreto, explicou que ao chegar ao Brasil o desejo imediato que os imigrantes manifestam é o de se integrar e ter melhores condições de vida.

“Cada uma das pessoas que procurava abrigo em solo brasileiro dizia que queria um recomeço, queria ter a oportunidade de uma nova vida. E é isso que a interiorização acaba consolidando quando nós levamos essas pessoas a outras partes do Brasil. Para levarmos, estudamos a melhor maneira de inserir na sociedade brasileira, seja com emprego ou com o cruzamento do emprego e um familiar ou alguém próximo a ela”.

Em alguns casos, os venezuelanos já viajam com vagas de emprego sinalizadas, oferecidas por empresas locais e têm ajuda de custo para as necessidade iniciais paga por agências da Organização das Nações Unidas (ONU) como o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), e pelo governo federal.

Pilares da Operação Acolhida

É na interiorização que atualmente estão concentrados os esforços da Operação Acolhida. Os outros dois pilares da estratégia são o ordenamento da fronteira e o acolhimento.

“O ordenamento da fronteira e o acolhimento foram atividades muito importantes no início. Agora a Operação Acolhida está trabalhando 100% voltada para incrementar o processo de interiorização de forma a minimizar os efeitos da crise em Roraima”, disse o coronel da Força Aérea Brasileira e gerente da seção de logística operacional do Ministério da Defesa, Marcelo Sá Fernandes.

O transporte para estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Rio Grande do Norte e Minas Gerais é feito, principalmente, em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). As companhias aéreas também participam cedendo gratuitamente assentos que ficariam vagos em aeronaves que partem de Boa Vista, Roraima. Nesse caso, não são cobradas as taxas de embarque aeroportuárias.

Operação Acolhida integra imigrantes venezuelanos Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil

Recepção e acolhimento dos venezuelanos

Ao chegar ao Brasil por Roraima, os venezuelanos podem ficar em abrigos de cidades do estado como Pacaraima e Boa Vista. Atualmente, há 13 abrigos onde eles recebem refeições diárias, atendimento de saúde, regularização da situação dos que manifestem o desejo de permanecer no Brasil e a redistribuição das famílias para outras regiões.

De janeiro a julho, venezuelanos protocolaram mais de 23 mil solicitações de refúgio ao chegar na fronteira brasileira, segundo a Casa Civil.

Para o coronel da Força Aérea Brasileira e gerente da seção de logística operacional do Ministério da Defesa, Marcelo Sá Fernandes, não há paralelo no mundo com a Operação Acolhida.

“Não existe nada no mundo que seja igual ao que estamos fazendo no Brasil. A Operação Acolhida é referência no mundo inteiro. O principal destaque para mim é o trabalho em conjunto de vários órgãos. Há um entrosamento entre as partes que contribui para que possamos trabalhar dia a dia nessa grave crise que assola o Norte do nosso país”.

Histórico e investimentos da Operação Acolhida

A Operação Acolhida foi lançada pelo governo federal em março de 2018 no esforço de combater a crise humanitária provocada pela onda migratória venezuelana. A ação envolve esforços conjuntos de 16 ministérios, órgão estaduais e municipais, Forças Armadas, agências do sistema ONU e organizações não-governamentais, sendo coordenada pela Casa Civil da Presidência da República.

Para este ano, a União autorizou, segundo a Casa Civil, um orçamento de R$ 253 milhões para a Operação Acolhida. A estratégia recebe ainda recursos de organismos internacionais que chegam a US$ 50 milhões no período de um ano.