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COMÉRCIO EXTERIOR

Comitê Nacional de Facilitação do Comércio aprova Plano de Trabalho para o biênio 2021-2022

O plano prevê medidas de desburocratização e simplificação que vão diminuir custos para operadores do comércio exterior
Publicado em 08/04/2021 00h00 Atualizado em 20/04/2021 16h11
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O Comitê Nacional de Facilitação do Comércio (Confac) – órgão colegiado da Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Ministério da Economia (ME) – aprovou na última quarta-feira (31/3) o Plano de Trabalho para o biênio 2021-2022. O documento está estruturado em nove frentes de ação capazes de contribuir para a desburocratização das operações de comércio exterior e diminuição dos custos de transação para os operadores privados por meio da ação coordenada de diversos órgãos governamentais. Prevê iniciativas que vão desde a reforma de exigências e procedimentos até a gestão de fronteiras e a cooperação internacional no tema.

Um dos principais destaques é a consolidação do ambiente digital do comércio exterior que, em cooperação com a iniciativa privada, reflete o impacto da evolução tecnológica nas relações comerciais internacionais. O secretário de Comércio Exterior do ME, Lucas Ferraz, declarou que esse é um dos principais elementos para aprofundar a inserção internacional da economia brasileira. “Temos o nome dado por nossa equipe da Secex, de Facilitação 2.0, que integra toda a operação de comércio exterior do país, desde o porto até o tratamento administrativo, com alta sinergia sendo criada”, explicou.

O esforço nesse sentido começou com o Portal Único de Comércio Exterior do Siscomex, espaço digital de interação único entre a Administração e os operadores privados, que permitirá, quando totalmente implementado, a atuação coordenada e harmônica dos órgãos intervenientes nos processos administrativo e aduaneiro de comércio exterior. O objetivo agora é ampliar as soluções de integração de sistemas e de compartilhamento de dados voltadas a reduzir custos das transações de exportação e importação, promovendo a aproximação de comerciantes, prestadores de serviços e órgãos de governo em um ambiente digital. A integração do Porto Sem Papel – administrado pelo Ministério da Infraestrutura – ao Portal Único Siscomex é um ponto-chave nessa estratégia.

Outros exemplos de novas soluções são a plataforma de inserção internacional de Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), o Brazil MSME Global Trade Hub (GTH), e os Sistemas de Comunidade Portuária (Port Community Systems – PCS) que visam à promoção da eficiência portuária. O GTH integrará amplo conjunto de serviços oferecidos por instituições públicas e privadas para apoiar as MPMEs brasileiras a iniciarem ou expandirem sua participação no mercado internacional. Já os PCS estão sendo estruturados para os portos de Itajaí, Santos, Rio de Janeiro e Suape, e nos próximos dois anos, haverá o desenvolvimento do sistema de TI, a definição de modelo de governança e de negócios, além do mapeamento e aperfeiçoamento de processos adicionais a serem priorizados pelas governanças locais.

Para o subsecretário de Administração Aduaneira da Receita Federal, Fausto Vieira Coutinho, o plano é extremamente completo e cobre todas os pontos na área de facilitação de comércio. “Se, no biênio 2021-2022, o Confac concluir esse plano de trabalho, isso coloca o Brasil na vanguarda das ações e iniciativas de facilitação do comércio”, comentou.

Melhoria de controles

Outra ação aprovada é a reformulação de procedimentos de controle dos órgãos de governo, com a finalidade de racionalizar o uso de regimes de licenciamento nas operações de comércio exterior e utilizar, de forma ampliada, ferramentas menos restritivas ao comércio internacional. Com novas tecnologias, serão adotadas soluções mais modernas e eficientes para a fiscalização das operações de comércio exterior, com base na gestão de riscos. 

Para que o objetivo seja alcançado, o secretário Lucas Ferraz reforçou a importância da adesão dos órgãos anuentes ao Novo Processo de Importação do Portal Único Siscomex dentro do cronograma, que vai até o final do próximo ano. “A adesão dos anuentes é uma condição fundamental para que o setor privado passe a utilizar as novas ferramentas”, salientou.

De acordo com o secretário, conforme levantamentos de dados relacionados a licenciamento de importações, em 2019 foram emitidas 3,7 milhões de licenças de importação pelos 17 órgãos anuentes, representando cerca de US$ 130 bilhões em importações. Nos esforços de racionalização dos procedimentos de licenciamento da Secex, foi eliminada, em 2020, a exigência de licenças automáticas e não automáticas de importação para mais de 500 mercadorias. No total, esses produtos representaram um montante de importações de US$ 10 bilhões em 2019. Tudo isso garantiu aos operadores de comércio exterior uma economia de mais de R$ 50 milhões com o pagamento de taxas cobradas para a obtenção de licenças.

O Plano de Trabalho do Confac prevê, ainda, a implementação do estudo de Tempos de Despacho na Importação (TRS), desenvolvido pela Receita Federal, em parceria com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex); o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a iniciativa privada. O estudo demonstrou a necessidade de melhoria dos processos não apenas por parte do setor público, mas também do setor privado. As recomendações do TRS serão trabalhadas com a participação das Comissões Locais de Facilitação (Colfacs), de modo a fortalecer a comunidade de comércio internacional para a promoção de discussões sobre o aprimoramento dos procedimentos de comércio exterior e medidas de facilitação entre intervenientes em comércio exterior e órgãos e entidades públicos.

Cooperação

Entre as linhas de atuação do plano também está previsto o acompanhamento detalhado do cumprimento ao Acordo sobre Facilitação do Comércio (AFC) da Organização Mundial do Comércio (OMC), bem como aos demais acordos internacionais assinados pelo Brasil sobre o tema. O AFC prevê uma série de direitos e obrigações visando à reforma de procedimentos aduaneiros nos países signatários, além de possibilitar a cooperação entre os membros na prevenção e combate a delitos aduaneiros.

O trabalho do Confac deverá ser realizado em diálogo permanente com o setor privado para o processamento e encaminhamento de proposições no âmbito do Comitê. Um dos reflexos desse trabalho conjunto é a proposta inicial do plano de trabalho ter sido aberta para consulta pública em janeiro deste ano e ter recebido diversas manifestações.

Sobre o Confac

O Acordo sobre a Facilitação do Comércio da OMC (AFC) determina que cada país estabeleça um comitê nacional sobre facilitação de comércio para permitir a coordenação entre os órgãos domésticos, visando à adequada implementação do acordo. Em cumprimento a esse compromisso, o Comitê Nacional de Facilitação do Comércio (Confac) tem o objetivo de implementar as políticas e diretrizes de facilitação do comércio estabelecidas pela Câmara de Comércio Exterior, contribuir para a implementação do AFC, além de propor à Camex medidas para a redução dos custos impostos pela Administração Pública Federal nas operações de comércio exterior.

 Fonte: Ministério da Economia