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Novo Desenrola vai ajudar famílias a sair de dívidas com juros altos, afirma Alckmin
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou, nesta segunda-feira (4), em São Paulo, que o Novo Desenrola Brasil vai ajudar as famílias e os pequenos negócios a renegociar dívidas e reorganizar a vida financeira. O programa terá duração de 90 dias, prevê descontos de até 90%, juros reduzidos e possibilidade de uso do FGTS para abatimento de débitos.
“O que o governo quer é tirar as famílias do crédito rotativo, do cheque especial, de financiamentos com juros de 5% ao mês, absurdamente altos”, afirmou Alckmin em coletiva depois de participar do lançamento da pesquisa Swedish Business in Brazil 2026 na Câmara de Comércio Sueco-Brasileira.
Um dos principais eixos da nova fase do programa é o Desenrola Famílias, que permitirá a renegociação de dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 por meio de um novo crédito. As condições incluem juros de, no máximo, 1,99% ao mês, prazo de até 48 meses e até 30 dias para o pagamento da primeira parcela. O público-alvo são pessoas com renda de até cinco salários mínimos ou R$ 8.105.
“O Desenrola é necessário, vai ajudar as famílias. O desconto pode chegar a 90% e vai garantir juros mais baixos”, destacou o vice-presidente.
Uma das novidades do Desenrola Famílias é a possibilidade de uso de parte do saldo do trabalhador no FGTS. O programa permitirá utilizar 20% do saldo da conta do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço ou até R$ 1 mil, o que for maior, para pagamento parcial ou integral das dívidas.
Como forma de proteger os beneficiários de novo endividamento, o programa também prevê o bloqueio, por 12 meses, do CPF de quem aderir à renegociação para participação em apostas online autorizadas no país.
Além do Desenrola Famílias, o governo prevê o Desenrola Empresas, voltado à reestruturação financeira de micro e pequenos negócios, e a volta do Desenrola Rural, direcionado à regularização de dívidas de agricultores familiares. O pacote ainda contempla melhorias no crédito consignado para servidores públicos, aposentados e pensionistas, além da renegociação de débitos do Fies.
“É um conjunto de medidas de interesse da população. Vamos também trabalhar junto ao Banco Central para reduzir essa taxa de juros, que prejudica as famílias, as empresas e o próprio governo, na rolagem da sua dívida”, disse Alckmin.
O vice-presidente afirmou ainda que a taxa de juros no Brasil vem caindo, embora em ritmo menor do que o esperado. Segundo ele, os efeitos da guerra sobre preços internacionais, especialmente energia, exigem medidas para reduzir impactos sobre a economia. “Não temos como parar a guerra, mas devemos minimizar seus efeitos”, declarou.
Acordo Mercosul-União Europeia
Durante o evento empresarial Brasil-Suécia, Alckmin também destacou a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, em 1º de maio, e as oportunidades abertas para ampliar o comércio, os investimentos e a integração produtiva entre os blocos.
O acordo cria uma área de livre comércio entre 31 países, com cerca de 720 milhões de pessoas. “Estamos falando do maior acordo entre blocos do mundo, US$ 22 trilhões de mercado. É um ganha-ganha: ganha a sociedade, com produtos melhores, mais baratos, estímulo à competitividade e complementaridade econômica”, afirmou o vice-presidente.
A partir de 1º de maio, a União Europeia eliminou tarifas de importação para mais de 5 mil produtos. Ao longo da implementação, o acordo pode alcançar a liberalização de mais de 90% do comércio bilateral, ampliando o acesso das exportações brasileiras a um mercado de cerca de 450 milhões de consumidores.
Alckmin destacou a importância da relação Brasil-Suécia, marcada por 200 anos de amizade e pela presença de empresas suecas no Brasil. Segundo ele, o comércio bilateral chegou a US$ 3,1 bilhões no ano passado, com crescimento de 6,4% em relação ao ano anterior.
“E podemos crescer ainda muito mais agora com o acordo que entrou em vigência”, completou. “Num momento de dificuldade geopolítica, é uma grande sinalização de que é possível fortalecer o multilateralismo, abrir mercados com regras de comércio, com transparência.”
Relação Brasil–Estados Unidos
Em entrevista coletiva, o vice-presidente comentou a relação bilateral Brasil-Estados Unidos.
“Torço para que essa boa química que ocorreu entre o presidente Lula e o presidente Trump possa fortalecer ainda mais [a relação] em benefício dos dois grandes países”, afirmou. “O presidente Lula é do diálogo. Toda a orientação é nesse sentido, de fortalecer a relação Brasil-Estados Unidos.”
Alckmin ressaltou que os Estados Unidos ocupam uma posição estratégica na relação econômica com o Brasil. O país é o terceiro parceiro comercial brasileiro, atrás apenas da China e da União Europeia, e o principal investidor estrangeiro no Brasil.