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PÁTRIA VOLUNTÁRIA

Trabalho voluntário leva conforto e esperança a quem precisa

Quase 80% dos trabalhos voluntários são feitos em instituições como congregações religiosas, sindicatos, escolas, hospitais ou asilos
Publicado em 02/12/2019 19h16 Atualizado em 02/12/2019 19h57
Trabalho voluntário leva conforto e esperança a quem precisa

Rogério Soares, voluntário de Brasília da ONG Futuro Esperança - Foto: EBC

Doar tempo e dedicação são características do voluntariado, atividade praticada por aproximadamente 7,2 milhões de pessoas no Brasil em 2018, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em termos percentuais, o número demonstrou que 4,3% das pessoas a partir de 14 anos estão envolvidas com o trabalho voluntário.

Uma dessas pessoas é a servidora pública Elvira de Paula Batista, fundadora da organização não governamental "Futuro Esperança", que há cinco anos atende moradores de rua em Brasília (DF). No início, ela e um grupo de voluntários levavam lanches e atenção a quem precisa de conversa e orientação. Há dois anos a organização passou a sair também com um ônibus adaptado para oferecer banho e roupas a quem vive nas ruas.

Elvira contou que o trabalho voluntário, feito pela organização, vai além de oferecer o banho, leva também dignidade aos moradores de rua para que se sintam valorizados e queiram mudar de vida. “O trabalho voluntário tem essa gratificação de doar e a gente recebe muito mais do que doa, em termos de carinho, de agradecimento, de amor. É muito mais gente retribuindo o amor. Você é um que dá e recebe de vários”, afirmou Elvira.

Ao longo dos anos, o trabalho dos voluntários da organização Futura Esperança transformou a vida de pessoas. Rogério Soares, conhecido como Barba, conseguiu sair das ruas graças ao vínculo e à relação de confiança que criou com a fundadora do projeto, Elvira Batista.

Ele relatou que nasceu em São Paulo (SP) e foi abandonado pela mãe ainda bebê. Após anos vivendo em orfanatos, ele deixou a instituição para começar a trabalhar e começou a beber. Para chegar ao consumo de crack foi um passo. Barba, então, perdeu o emprego e virou morador de rua.

Barba passou por diversas cidades e, ao chegar a Brasília, passou a receber a ajuda da organização Futura Esperança. “A partir do momento que comecei a criar vínculo com ela e fortalecer o vínculo, peguei confiança e pedi uma ajuda para ela me internar”, explicou.

Os 25 anos vivendo na rua ficaram para trás e, agora, Barba trabalha como voluntário, retribuindo a ajuda que recebeu do projeto Futuro Esperança. “Acredito que o voluntário não está dentro do coração das pessoas, porque o coração da pessoa é enganoso, ele está na alma da pessoa. Deixar todos seus afazeres sábado à noite para estar cuidando de morador de rua não é para qualquer pessoa, por isso, digo que está na alma", comentou. 

Secretária Bianca Barros, que faz parte do grupo Mãos SolidáriasLevar uma sopa quentinha nas noites de Brasília para matar a fome e trazer conforto é o trabalho de outra voluntária, a secretária Bianca Barros. Ela faz parte de um grupo de mulheres do projeto Mãos Solidárias, que distribuem sopa, pães e sucos na porta de três hospitais públicos. O material é doado por comerciantes da região e as voluntárias preparam a comida.

Para Bianca, ser voluntário é ter um domter força de vontade e até abrir mão de passar momentos com a família para ajudar o próximo. “É uma sensação muito boa ouvir a resposta que as pessoas nos dão. Eles falam, muito obrigada, eu estava o dia todo com fome e você chega com essa sopa quentinha. A gente quer dar um bem-estar para quem está na rua, trazer um pouco do que a gente tem pra dividir com eles”, defendeu.

Panorama do voluntariado no Brasil

Os dados do IBGE de 2018 sobre o voluntariado também revelaram que os voluntários se dedicam em média seis horas e meia por semana a esse tipo de atividade. Quanto à frequência, 48,4% realizam trabalho voluntário quatro vezes ou mais por mês. A maioria dos voluntários é formada por mulheres, tem ensino superior completo e 50 anos ou mais de idade.

O estudo mostrou ainda que 79,9% dos trabalhos voluntários são feitos em instituições como congregações religiosas, sindicatos, escolas, hospitais ou asilos; cerca de 13% em associações de moradores, esportivas e organizações não-governamentais; e 9,8% de forma individual. Essa parcela, no entanto, vem aumentando. Em 2016, era de 8,4%, e, em 2017, subiu para 9%.

Pátria Voluntária

Em julho deste ano o Governo Federal lançou o Programa Nacional de Incentivo ao Voluntariado - Pátria Voluntária, que incentiva a participação dos cidadãos na promoção de práticas sustentáveis, culturais e educacionais voltadas à população brasileira mais vulnerável.

Coordenada pelo Ministério da Cidadania, a ação é conduzida por um conselho, presidido pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e composto por 24 integrantes, sendo metade deles representantes de ministérios e a outra metade formada por integrantes da sociedade civil.

Entre as ações para incentivar o trabalho voluntário, no dia 28 de agosto, em comemoração ao Dia Nacional do Voluntariado, o presidente Jair Bolsonaro assinou decreto que autoriza a concessão de licença para capacitação de servidores públicos federais para a realização de cursos conjugados com atividades voluntárias.