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Óleo no Mar

Governo Federal atua para conter desastre e identificar responsáveis pelo vazamento de óleo

De acordo com análises já realizadas, trata-se de petróleo cru, de origem desconhecida e de tipo não produzido no Brasil
publicado 22/10/2019 21h20, última modificação 23/10/2019 11h30
Governo Federal atua para conter desastre e identificar responsáveis pelo vazamento de óleo

Navio-Patrulha "Guaíba" suspendeu no amanhecer de terça (22), nas proximidades de Recife/PE, para retomar as buscas por manchas de óleo no litoral. A tripulação já recolheu mais de 700 kg de óleo Foto: Marinha

Militares, navios, aeronaves, embarcações e viaturas das Capitanias dos Portos, Delegacias e Agências são alguns dos instrumentos que a Marinha conta para atuar em parceria com o Obama nas ações de coleta dos resíduos oleosos que tomaram o litoral do Nordeste brasileiro. 


Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, visitou Bahia e PernambucoNesta terça-feira (22), Ministro da Defesa autorizou o reforço de cerca de 5.000 militares pertencentes à 10ª Brigada de Infantaria Motorizada, sediada no Recife (PE), nas ações desenvolvidas na área atingida pelas manchas de óleo. Os militares ficarão à disposição do comando da operação e poderão atuar no monitoramento e limpeza do litoral do Nordeste. O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, afirmou que desde setembro, a Marinha vem atuando. "São 48 organizações militares, 15 navios e, aproximadamente, 1.500 homens. As ações que constam no Plano Nacional de Contingência estão saindo muito bem.”  

As aeronaves da FAB já realizaram mais de 60 horas de voo e outras duas foram deslocadas para Recife. Além disso, o Ministro do Desenvolvimento Regional disponibilizará Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para o pessoal que atuará na limpeza das praias. O ministério anunciou ainda a a liberação de R$ 2,58 milhões para o estado de Sergipe empregar na limpeza das praias e demais localidades  atingidas pelo óleo cru. Já a Bahia, terá reconhecimento de situação de emergência do Governo Federal. A Defesa Civil Nacional atua na identificação de riscos e assessoramento nas ações, além do apoio ao Grupo de Avaliação e Acompanhamento que atua na operação.


O ministro Gustavo Canuto disse que atender às solicitações referentes ao desastre ambiental é prioridade do governo. "O objetivo do governo federal é que a limpeza das praias ocorra o mais rápido. Não podemos deixar que esse desastre impacte as reservas naturais, o turismo e a economia da região.”

Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em PernambucoO ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que esteve nesta terça-feira (22) em Pernambuco, destacou o trabalho conjunto dos órgãos federais, estaduais e municipais. “Seguimos limpando as praias com eficiência, no mesmo dia em que aparece o óleo".

Em agenda no Japão, o presidente Jair Bolsonaro também se pronunciou sobre o tema, afirmando que o governo já está trabalhando nisso desde o dia 2 de setembro. Foram analisados 140 possíveis navios que passaram pela área e agora são trinta os possíveis responsáveis pelo derramamento. 

Investigação

As investigações sobre as causas e responsáveis pelo desastre estão sendo conduzidas pela Marinha e Polícia Federal. O comandante da Marinha, Almirante Ilques Barbosa Júnior, disse nesta terça-feira (22) explicou que o trabalho está focado em cerca de 30 navios de dez países que passaram perto da costa brasileira. Segundo o almirante, a Marinha notificou os navios a prestar esclarecimentos.

O Almirante Ilques Barbosa Júnior não descartou a possibilidade de um dos outros 970 navios identificados pela Marinha ter envolvimento com o caso e disse que as investigações correm em sigilo, com o apoio de empresas e instituições estrangeiras. “As investigações prosseguem e só terminarão no dia em que identificarmos quem agrediu a nossa Pátria”, defendeu o almirante.

O presidente em Exercício, Hamilton Mourão, informou que todos os sistemas de inteligência estão trabalhando para tentar chegar à conclusão de onde partiu o óleo. “É um acidente diferente, daquele que não se tem um alerta antecipado. Tomamos conhecimento quando o óleo bateu na praia”, e acrescentou Mourão. “Nós estamos trabalhando duro para identificar os responsáveis”.

Histórico


Durante os primeiros sinais do acidente ambiental, em 30 de agosto, no litoral da Paraíba, os órgãos e entidades públicas federais adotaram o monitoramento diário das manchas de óleo, a coordenação dos trabalhos de limpeza, o recolhimento de amostras e resíduos das praias atingidas, além da análise do óleo e do tráfego marítimo.

Segundo a Marinha em quase dois meses desde o surgimento das manchas de óleo, 900 toneladas de resíduos foram coletados em uma faixa de mais de 2 mil quilômetros da costa brasileira. De acordo com análises já realizadas, trata-se de petróleo cru, de origem desconhecida e de tipo não produzido no Brasil. O óleo deverá ser destinado às cimenteiras situadas nos municípios que possuem esse tipo de indústria, sob a supervisão do Ibama.

O governo também acionou o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional (PNC). O Plano fixa responsabilidades, estabelece estrutura organizacional e define diretrizes, procedimentos e ações com o objetivo de permitir a atuação coordenada de órgãos da administração pública e entidades públicas e privadas para ampliar a capacidade de resposta em incidentes de poluição por óleo.