Declaração à imprensa do presidente Lula sobre ações para reduzir impacto da oscilação do preço do petróleo
Companheiros da imprensa, companheiros e companheiras do governo, essa entrevista coletiva é para fazer uma reparação naquilo que está acontecendo no Brasil e naquilo que está acontecendo no mundo, muito causado pela irresponsabilidade das guerras que estamos vivendo no mundo. Vocês têm acompanhado pela imprensa e vocês estão vendo que o preço do petróleo está fugindo ao controle em quase todos os países do mundo.
O Brent [indicador global de preço de petróleo] saiu de 77 [dólares] para 114, caiu para 99 e hoje, neste momento, está outra vez a 100 dólares no barril. Isso significa aumento de combustível em todos os países do mundo, inclusive há informações de que nos Estados Unidos a gasolina já subiu 20%. Eu só queria dizer para vocês uma coisa interessante para reavivar a memória do povo brasileiro através da caneta de vocês ou do celular de vocês.
Nós tínhamos resolvido essa questão nuclear do Irã em 2010, quando o Brasil e Turquia, em um acordo com o governo iraniano, resolveram a utilização de urânio para fins pacíficos. Foi feito um acordo e que, lamentavelmente, depois do acordo feito, tanto os países europeus quanto os Estados Unidos aumentaram o bloqueio ao Irã porque nós éramos um país considerado do terceiro mundo e ter feito um acordo que eles não tinham conseguido fazer há 20 anos era descabido. Então, não aceitaram o acordo.
Depois de algum tempo, foi feito um acordo, pior do que o acordo que nós tínhamos feito e agora a invasão ao Irã é por conta da possibilidade da construção de armas nucleares, coisa que poderia ter sido resolvida muito tempo atrás. Bem, esse gesto de achar que tudo se resolve com as guerras traz prejuízo para todo mundo, mas, sobretudo, são as camadas mais pobres da população no mundo inteiro que sofrem as maiores consequências dessas guerras. Por isso, eu estou com os meus ministros aqui para a gente anunciar algumas medidas de proteção ao povo brasileiro e ao consumidor brasileiro.
Medidas que vão fazer com que o governo brasileiro extingua a cobrança do PIS e do COFINS, medidas que vão fazer com que a gente cobre imposto da exportação do petróleo para garantir subvenção para evitar o aumento do preço. Essas são as coisas que nós queremos fazer. Ou seja, nós estamos dizendo alto e bom som que estamos fazendo um sacrifício enorme aqui, uma engenharia econômica, para evitar que os efeitos da irresponsabilidade das guerras cheguem ao povo brasileiro.
Depois o Haddad [Fernando, ministro da Fazenda], o Rui [Costa, ministro da Casa Civil], o companheiro Alexandre [Silveira, ministro de Minas e Energia], o Márcio [Elias, secretário-executivo do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços] vão explicar corretamente as medidas.
Eu quero dizer para vocês, nós vamos fazer tudo o que for possível e, quem sabe, esperar até com a boa vontade dos governadores dos estados, que podem reduzir um pouco o ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] também no preço do combustível, naquilo que for possível cada estado fazer, para que a gente garanta que essa guerra não chegue ao bolso do motorista, ao bolso do caminhoneiro e, sobretudo, não chegando ao bolso do caminhoneiro, não vai chegar ao prato de feijão, à salada do alface, da cebola e à comida que o povo mais come. Essa é a intenção dessa coletiva.
Eu quero agora assinar os meus decretos aqui para deixar os meus ministros falarem.