13/09 - Em Goiânia, estudantes do ensino médio participam do lançamento da 9ª edição do Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero

Alunas e alunos conheceram detalhes do concurso, que está com inscrições abertas até 30 de setembro.
“Quando eu ganhei esse prêmio, eu percebi que eu não estava sozinha. Isso me motivou, porque lutar sozinha é muito difícil”, revelou Bárbara Borges a um auditório repleto de estudantes, durante o lançamento da 9ª edição do Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, nesta quinta-feira (12/09), em Goiânia/GO. Bárbara, que hoje é aluna do curso de Direito, teve sua redação premiada na 7ª edição do concurso, na categoria “Estudante de Ensino Médio”.
Com a finalidade de divulgar o Prêmio, que seleciona anualmente redações, artigos científicos e projetos pedagógicos sobre o tema da desigualdade de gênero, a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), com apoio da Secretaria da Mulher e Promoção da Igualdade Racial de Goiás (Semira-GO), realizou o evento em Goiânia, que contou com a presença de estudantes, gestores e professores.
Além de incentivar os colegas a participarem do concurso de redações, Bárbara fez um convite às garotas e mulheres presentes. “Eu estou convidando vocês a mudarem seus posicionamentos frente a determinadas situações. Porque nós, muitas vezes, somos machistas”, afirmou. “Quando rimos de uma piada machista ou julgamos uma menina pela roupa que ela usa, estamos dando liberdade para o homem nos julgar assim também”, completou a estudante.
O lançamento também teve a participação de Lívia Gimenes, coordenadora de Educação e Cultura da SPM-PR; Eliana França, superintendente de Políticas para Mulheres da Semira-GO; Haroldo Reimer, reitor da Universidade de Goiás (UEG); além da conselheira estadual de educação, Maria do Rosário Cassimiro, e do professor de sociologia da rede pública de ensino de Goiás, Estevão Arantes.
Em sua exposição, Lívia falou sobre o histórico, os objetivos e relevância do Prêmio, que, ao longo de suas oito edições, recebeu mais de 24 mil inscrições de trabalhos.
Ao fazer o convite para que os estudantes participem da 9ª edição do Prêmio, Lívia afirmou que “embora pareça difícil, refletir sobre as desigualdades entre homens e mulheres não é uma questão abstrata”. “Ela necessariamente exige da gente pensar como nós nos comportamos, como a gente age frente ao outro”, pontuou.
A coordenadora enfatizou a importância de professoras e professores, alunos e alunas se debruçarem sobre a temática de gênero no ambiente escolar. “Existem formas lúdicas de pensarmos estas questões. Para ela acontecer, precisa-se de um envolvimento de toda a comunidade escolar. A reflexão pode trazer respostas para este problema que a gente vivencia todos os dias na escola”, afirmou Lívia.
Eliana França, superintendente de Política para Mulheres de Goiás, reforçou o convite aos presentes e reiterou a importância de inserir o debate no cotidiano da escola. “É o debate e a reflexão que antecede a produção do texto, seja a redação, seja o projeto pedagógico a ser desenvolvido em sala de aula, que nós estamos convidando vocês a realizarem”, propôs Eliana.
Construção da igualdade - Professor da rede pública de ensino de Goiás, Estevão Arantes realizou uma breve palestra para os estudantes presentes. Ele demonstrou situações cotidianas que reforçam as diferenças entre homens e mulheres e criam estereótipos e preconceitos. “Antes de a gente nascer, já são escolhidos as cores que meninos e meninas devem vestir: azul para os homens, rosa para as mulheres. É uma questão que foi introjetada em nossa mente”, assinalou.
Estevão contou particularidades de sua formação e de suas vivências, para afirmar que é preciso superar a lógica do sistema patriarcal. “Minha mãe, minhas professoras, teóricas com as quais tive contato na faculdade me ajudaram a superar esta noção de que o homem tem o poder de subjugar todas as mulheres”, revelou. “Eu aprendi a ter cuidado, no mínimo, na hora de pensar qualquer piada, ação ou atitude machista”, acrescentou o professor.
Ao final, Estevão deixou um recado para os rapazes na platéia: “pensem o local do masculino. Isto é uma prisão. Mas temos várias chaves para sair disso. E nós, professores, podemos ajudar neste caminho”.
Também presente no debate, Haroldo Reimer, reitor da Universidade de Goiás (UEG), destacou como fundamental a reflexão crítica, para transpor as diferenças sedimentadas na sociedade, seja de gênero, raça ou socioeconômicas. “Quando se fala em construir igualdade, há de se levar em conta que o primeiro passo é superar as assimetrias. Para tanto, é necessário desnaturalizar o que não é natural por meio da reflexão crítica”.
Para o reitor, “o Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, já na sua 9ª edição, começa a juntar uma massa crítica, uma levedura social, que poderá gradativamente trazer os seus efeitos no sentido de construir a igualdade e contribuir, em diferentes níveis, para uma sociedade melhor”.
Sobre o prêmio - As inscrições no concurso podem ser feitas no endereço www.igualdadedegenero.cnpq.br . Aos trabalhos selecionados, são concedidas premiações em dinheiro, notebooks, equipamentos de informática e bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado.
O Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero é uma iniciativa da SPM-PR, do Ministério da Educação (MEC), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (MCTI/CNPq) e da ONU Mulheres – Entidade das Nações Unidas para o Empoderamento das Mulheres e a Igualdade de Gênero.
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