05/03 - Especialistas em segurança alimentar de Zâmbia, Cuba e São Tomé e Príncipe vêem semelhanças com o Brasil, mas percebem desafios pela frente

Publicado em 05/03/2012 09:20Modificado em 08/03/2012 14:36
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Foto: Rejane Lopes

Curso é realizado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres e reúne participantes das Américas, África, Ásia e Oriente Médio desde 27 de fevereiro, em Brasília

Especialistas que participam do Curso de Formação em Políticas Públicas para Igualdade de Gênero com Ênfase em Políticas para as Mulheres Rurais e Segurança Alimentar, promovido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), puderam observar semelhanças e diferenças na forma de manejo e cultivo na agricultura familiar no Brasil durante visita de campo, realizada na quinta-feira passada (1/3). O grupo conheceu o Projeto Esperança do Futuro da Associação de Desenvolvimento Comunitária de Caxambu (ADCC), em Goiás, e refletiu acerca da participação das mulheres no processo de desenvolvimento econômico e social de seus países. 

Para a representante do Ministério da Agricultura de Zâmbia, Caroline Mwambawa Mabingo, o curso é muito educativo e proporciona a oportunidade de se abrir os olhos para a importância do papel das mulheres no processo alimentar no mundo. “Percebo nesta visita que, com uma pequena estrutura, como a encontrada aqui, é possível melhorar a vida da família, tendo as mulheres como as principais propulsoras neste processo de desenvolvimento. É diferente no meu país, onde o homem é quem controla os assuntos financeiros da família”, relatou. 

Caroline disse que em Zâmbia, a educação gratuita para todos teve início apenas no ano passado, após a eleição do primeiro presidente democrata da Frente Patriota, Michael Sata. Nesse país, o índice de analfabetismo entre as mulheres é muito alto. Segundo Caroline o governo tem adotado algumas medidas para mudar a realidade que se encontram, buscando incentivar as mulheres a estudar, principalmente as trabalhadoras rurais.  

MODELO PARA OUTROS PAÍSES - De acordo com a representante do Projeto Descentralizado de Segurança Alimentar de São Tomé e Príncipe, Hilária da Costa, a assistência social do governo brasileiro e o incentivo à agricultura orgânica, como presenciada nessa visita, deve ser levada para outros países.  Ela afirmou que esse tipo de produção não existe em São Tomé e Príncipe. Por lá predomina a agricultura baseada em agrotóxicos, que é prejudicial à saúde. 

Hilária também discorreu que a o envolvimento das mulheres no mercado de trabalho ainda é baixo, tanto na cidade quanto no campo, pois elas ficam envolvidas com as tarefas e cuidados domésticos.  Com o processo de reforma agrária iniciado há pouco tempo, algumas mulheres começaram a se tornar líderes e estão se tornando chefes de famílias. “Porém o machismo ainda muito enraizado na nossa sociedade, faz com que os maridos ainda as impeçam de participar ativamente de cooperativas comunitárias com medo de perder a esposa”,  explicou.

ECONOMIA SOLIDÁRIA CUBANA - A representante da Universidade de Holguín, em Cuba, María de los Angeles Arias Gue, observou semelhanças com o sistema de produção baseada na economia solidária já em andamento em seu país.  Mas o que lhe chamou atenção nesta visita é a agregação do valor pela venda dos produtos industrializados, e não in natura, como acontece muito em Cuba. 

María de Los Angeles afirmou que a situação das mulheres em Cuba tem alcançado êxitos semelhantes aos das brasileiras. Elas têm alto índice de escolarização, ocupam os mesmos espaços no mundo do trabalho que os homens e 60% delas são responsáveis pela direção técnica de cooperativas agropecuárias. “Mas o tratamento jurídico em seu país só reconhece a relação familiar entre homem e mulher. E há uma discussão para a aprovação de um novo código que não reconheça como crime a relação familiar monoparental, como já acontece no Brasil”, declarou.

CURSO – O Curso de Formação em Políticas Públicas para Igualdade de Gênero com Ênfase em Políticas para as Mulheres Rurais e Segurança Alimentar, que teve início no dia 27 de fevereiro e se estende até o dia 9 de março, acontece no auditório do Anexo I do Palácio do Planalto, em Brasília. 

A formação reúne especialistas em segurança alimentar dos seguintes países: Afeganistão, Argélia, Botsuana, Cabo Verde, Camboja, Colômbia, Cuba, Egito, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Indonésia, São Tomé e Príncipe, Líbano, Madagascar, Maldivas, Myanmar, Moçambique, Paquistão, Quênia, Quirguiz, República Democrática do Congo, República dos Camarões, Saint-Kitts e Nevis, Sri-Lanka, Sudão, Tanzânia, Tunísia, Uganda, Zâmbia e Tonga.

Comunicação Social SPM/PR

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