Brasileiras recebem atendimento psicossocial no Suriname
Equipe da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) e do governo do Estado do Pará atendeu 21 mulheres
Equipe da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) e do governo do Estado do Pará atendeu 21 mulheres
Retornou ao Brasil no final da tarde desta sexta-feira (08/01), a equipe da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) e do governo do Estado do Pará, que na última segunda-feira partiu de Belém para Paramaribo, capital do Suriname, a fim de avaliar a situação das mulheres vítimas de ataque a estrangeiros que ocorreu na região no final de dezembro.
Participaram do grupo duas assistentes sociais e uma psicóloga que atuam na Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência do Pará. Elas atenderam mulheres alojadas em três hotéis de Paramaribo e sob proteção após terem sido retiradas do garimpo em Albina.
As informações são de que nestes hotéis estão alojadas 115 pessoas, das quais 46 mulheres. Destas, 21 receberam atendimento, além de quatro homens. Das mulheres, quatro conseguiram relatar terem sido vítimas de estupro e uma de abuso sexual. Elas são dos estados do Pará, Maranhão, Amazonas, Amapá e Ceará.
Foram detectadas como necessárias, mas ficaram pendentes até a partida da equipe, atendimentos de clinica geral, ginecológicos, obstétricos, psiquiátrico e dermatológico.
Atendimento - Em uma conversa inicial com as vítimas, a equipe brasileira obteve informações detalhadas da noite dos ataques e as estratégias utilizadas por cada uma para sobreviver, fugindo e se escondendo na floresta. “São muitos horrores e, por esse motivo, a maior parte destas mulheres está em crise. Elas permanecem fechadas em si mesmas e sem conseguir contar suas experiências e necessidades à equipe, explicou Aparecida Gonçalves, subsecretária de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, SPM.
Aparecida Gonçalves lembrou que a missão da equipe foi exitosa com relação aos objetivos iniciais de acolher e ouvir as mulheres alojadas em Paramaribo, além de acalmá-las, perceber e encaminhar suas demandas. “No entanto, falta muito trabalho já que tivemos alguns percalços como curto tempo de trabalho, inclusive para construir ou fortalecer um vínculo maior de confiabilidade entre a equipe e as vítimas, disse.
Para continuar o trabalho, a subsecretária informou que irá a Belém na próxima semana, junto à assessora técnica da SPM, Clarissa Carvalho, para ouvir a equipe e estudar novas formas de intervenção. Ela está ciente dos atendimentos médicos pendentes e da dificuldade em resolver a questão. “Além de profissionais de saúde uma grande infra-estrutura teria que ser montada para os atendimentos, explicou. “Mas lembramos que nenhuma ação pode ser tomada sem que haja entendimento com a Embaixada Brasileira no país.
A comissão de trabalho da qual a equipe fez parte foi composta ainda pela Embaixada Brasileira, Ministério das Relações Exteriores, membros da Polícia local, além de voluntários, principalmente religiosos.
Entre os alojados nos hotéis em Paramaribo há pessoas que não desejam retornar ao Brasil, mas como vivem em situação irregular, as autoridades brasileiras se reuniram com o governo do Suriname para tratar da sua permanência. Quem desejar ficar, terá que regularizar sua situação, apresentando documentos com foto na Embaixada.
De acordo com o Itamaraty, apesar dos horrores que aconteceram, o governo do Suriname está solícito e prestando apoio ao brasileiro.
Para entender - O caso teve início no dia 24 de dezembro, quando surinameses que mantêm suas tradições e leis próprias, atacaram cerca de 200 estrangeiros na região de garimpo de Albina. As vítimas sofreram fortes agressões e muitas mulheres, teriam sofrido violência sexual. Os ataques pretendiam vingar a morte de um “marron, como são chamados os moradores nativos, por um brasileiro.