Nove brasileiras já voltaram de Paramaribo
Na segunda-feira mais três profissionais da Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência vão ao Suriname atender quem optou por não voltar ao Brasil
Na segunda-feira mais três profissionais da Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência vão ao Suriname atender quem optou por não voltar ao Brasil
Entre as 31 pessoas que retornaram do Suriname, no vôo da FAB que partiu de Brasília para a capital Paramaribo, nesta quarta-feira (30/12), apenas nove são mulheres. A informação é de Clarissa Correia de Carvalho, assessora técnica da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), que fez parte da delegação do Governo Brasileiro que foi à cidade buscar às vítimas de ataque de violência ocorrido na região, na véspera do Natal, que optaram voltar ao Brasil.
De acordo com Clarissa Carvalho o seu papel foi prestar o primeiro acolhimento àquelas pessoas decididas a voltar ao Brasil. “Também buscamos garantir que, em Belém, elas receberiam atendimento especializado no âmbito da saúde ou da Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência, afirmou.
Já no aeroporto, contou, as pessoas foram recepcionadas pela Coordenadora de Políticas para as Mulheres do Estado e profissionais do Centro de Referência à Mulher Maria do Pará, localizado em Belém.
“Essas nove mulheres estavam decididas a voltar. A maior parte delas conseguiu fugir e se livrar dos agressores antes que os ataques se tornassem mais violentos, relata.
Violência sexual - No entanto, informações preliminares dão conta de que, pelo menos, vinte mulheres teriam sofrido violência sexual na ocasião dos ataques. São pessoas que pela situação (muitas delas migrantes irregulares) ou por temer perder os postos de trabalho, optaram não retornar ao Brasil.
Para atendê-las, a SPM envia, em vôo comercial, na próxima segunda-feira (04/01), em avião que parte de Belém, duas assistentes sociais e uma psicóloga do Centro de Referência à Mulher Maria do Pará, para conversar com as vítimas, avaliar seus desejos e necessidades para, junto ao governo local e autoridades brasileiras, encontrar a melhor forma de prestar atendimento especializado às mulheres que continuam na área.
O retorno das profissionais está previsto para a sexta-feira (08/01). “São colaboradoras da Secretaria que fazem parte da rede de serviços de atendimento à mulher em situação de violência no Pará, explica Aparecida Gonçalves, subsecretaria de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, da SPM.
De acordo com informações, cerca de 200 estrangeiros, entre brasileiros e chineses, foram atacados por surinameses que pretendiam vingar uma discussão que teria ocorrido entre um brasileiro e um “marron, como são chamados os moradores nativos. O que se seguiu está sendo descrito pelo embaixador do Brasil em Paramaribo, José Luiz Machado e Costa, como “atos de selvageria e de violência extrema.