CFEMEA e SOS Corpo repudiam nota publicada na Revista Veja sobre a SPM
A nota afirma que a SPM e outras Secretarias Especiais, criadas no governo Lula, são de menor relevância
A nota afirma que a SPM e outras Secretarias Especiais, criadas no governo Lula, são de menor relevância
Leia a íntegra da carta do CFEMEA
O CFEMEA vem manifestar sua perplexidade diante das afirmações divulgadas por esta revista na nota em que chama a Secretaria de Mulheres uma pasta de menor relevância e as mulheres como minorias. Minorias? Estamos falando de mais da metade da população brasileira e da População Economicamente Ativa do país. As mulheres chefiam 53% dos lares brasileiros, e temos avançado rumo à igualdade de gênero graças ao trabalho da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, que conduz as políticas públicas de forma exemplarmente transparente e comprometida, além de manter diálogos sistemáticos com os movimentos de mulheres. A SPM tem dado exemplos, ainda, de intersetorialidade e diálogo político entre os órgãos, coordenando ações conjuntas de várias "pastas relevantes" para a implementação de políticas que promovam os direitos das mulheres. Por fim, dá exemplos ainda de eficiência na gestão de seus recursos: em 2008, a SPM executou praticamente todos (91%, valores liquidados) os recursos de que dispôs para promover suas ações. Mais, por exemplo, do que as "relevantes" pastas de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Ciência e Tecnologia. Efeito prático da mudança? Mais recursos para as políticas que promovam cidadania para 51,8% da população brasileira. Sarah Reis, da equipe do Centro Feminista de Estudos e Assessoria
Leia a integra da carta da educadora Carla Batista, do SOS Corpo
Escrevo sobre nota publicada na revista Veja, que se refere a
criação do Ministério da Mulher, conforme anunciado pelo presidente
Lula.
Acreditamos que este foi um anúncio bastante pertinente, e consoante
com o papel que as mulheres, maioria da população, ocupam no nosso país.
Para além daquelas que atuam de forma organizada no movimento de
mulheres e feminista, somos trabalhadoras que constroem a riqueza deste
país, e que contribuem para que os homens possam trabalhar também nesta
construção. Temos necessidades que dizem respeito a desconstruir a
desigualdade que historicamente estruturou nossa sociedade:o patriarcado, a violência, o racismo,... Nada mais justo e alvissareiro que as políticas públicas voltadas para as mulheres possam ser redimensionadas, ficando mais próximas de alcançar as brasileiras nas suas necessidades mais básicas, e aquelas que delas mais necessitam.
Neste sentido, acho que a nota está bastante desintonizada com o momento
político que estamos vivendo, e que talvez a revista devesse abrir as
suas páginas amarelas para que a atual secretaria pudesse apresentar o que vem realizando e apontar rumos para um provável ministério a ser instalado, esperamos que o mais brevemente possível.
Inclusive esclarecer sobre a afirmação das páginas amarelas desta
semana, aonde foi afirmado que a Secretaria trata a questão do aborto
como possibilidade de contracepção, o que é uma inverdade.
Cordialmente,
Carla Batista, do SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia.