Mulheres estão menos presentes no mercado de trabalho, apesar de serem maioria da população e terem mais qualificação

Dados divulgados pela PNAD 2007 revelam avanços e persistência de desigualdades. Mulheres recebem 66,1% da remuneração masculina e 45,7% das mulheres ocupadas têm 11 anos ou mais de estudo

Publicado em 25/09/2008 10:40Modificado em 28/04/2010 18:39
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Dados divulgados pela PNAD 2007 revelam avanços e persistência de desigualdades. Mulheres recebem 66,1% da remuneração masculina e 45,7% das mulheres ocupadas têm 11 anos ou mais de estudo

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2007 (PNAD), divulgada na semana passada, revelou que as mulheres são maioria da população brasileira, têm mais anos de estudo, mas ainda enfrentam uma série de dificuldades para acesso e ascensão no mercado de trabalho. Os dados coletados demonstram que a remuneração média feminina corresponde a 66,1% dos vencimentos percebidos pelos homens, enquanto em 2004 o percentual correspondia a 63,5%. O rendimento médio mensal do trabalhador atinge, em 2007, o máximo da recuperação iniciada em 2003: de R$ 831 para R$ 960 em 2007.

Entre as mulheres, a concentração de pessoas ocupadas com maior nível de estudo é maior que entre os homens: 45,7% das mulheres ocupadas têm 11 anos ou mais de estudo, enquanto entre os homens esse percentual era de 34,4%. Segundo o IBGE, o resultado mostra que a escolaridade parece ser um fator decisivo para que a mulher consiga entrar no mercado de trabalho. Para a gerente de projetos da SPM Luana Simões Pinheiro, as mudanças são visíveis, embora lentas para correção das desigualdades. “As mulheres têm investido mais em educação, estão mais presentes nas universidades. Elas têm desempenho superior aos homens em termos de rendimentos educacionais, mas esse capital humano não tem sido suficiente para uma inserção no mercado que não seja desigual e desvantajosa, diz Luana Pinheiro.

Diferenças salariais em todas as áreas
As trabalhadoras ainda têm remuneração menor que a dos homens em todas as posições de ocupação analisadas pela PNAD 2007: entre os empregados (R$ 958 deles, contra R$ 845 feminino); entre trabalhadores domésticos (R$ 447 contra R$ 324); entre trabalhadores por conta própria (R$ 886 contra R$ 585) e entre os empregadores (R$ 3.038 contra R$ 2.356). Ainda de acordo com a pesquisa, cresceu o ritmo de entrada das mulheres no mercado de trabalho: em 15 anos, o nível de ocupação dos homens caiu de 72,4% para 67,8% e o das mulheres aumentou de 43,4% para 46,7%.

Com pouca proteção social e baixa remuneração, o trabalho doméstico ainda é a categoria que mais emprega as mulheres brasileiras. Entre as mulheres mais escolarizadas, outros fatores restringem a conquista de cargos e salários mais elevados. “Quando entram nas organizações privadas ou no setor público, as dificuldades para crescimento da mulher logo aparecem. Em geral, são preteridas de cargos de direção, gerência e chefia porque as pessoas pensam que elas não têm a mesma disponibilidade que os homens. A questão cultural é central. É enorme o peso de estereótipos como ‘ela não vai dar conta de exercer o poder, não sabe mandar, é muito sensível ou terá de sair muitas vezes do trabalho para levar o filho ao médico’, exemplifica Luana Pinheiro.

Por causa desses fatores, a gerente de projetos da SPM considera que “não basta discutir apenas a entrada da mulher no mercado de trabalho, porque os dados mostram que muitas são as barreiras que surgem depois. Por isso, a importância de se desenvolverem políticas públicas de incentivo ao empreendedorismo e à autonomia econômica das mulheres conjugadas com políticas de educação que promovam uma mudança de cultura. O debate sobre relações de gênero pode contribuir muito para que a sociedade revalorize homens e mulheres, completa Luana Pinheiro. A pesquisa também apurou que enquanto 81,3% dos homens têm uma jornada de 40 horas ou mais de trabalho semanais, entre as mulheres esse percentual é de 58,9%. Segundo a gerente da SPM, a responsabilidade de cuidados com familiares, concentrada nas mulheres, impacta no tempo destinado à profissão.

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