SPM incentiva geração de renda e autonomia das mulheres no Tocantins

Ministra Nilcéa Freire e governador Marcelo Miranda assinaram na quarta-feira (2/7) convênio para formação profissional de 4.500 mulheres, empreendedorismo e desenvolvimento sustentável em Palmas e em 12 municípios da região do Jalapão e do Bico do Papagaio

Publicado em 04/07/2008 15:09Modificado em 28/04/2010 18:40
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Ministra Nilcéa Freire e governador Marcelo Miranda assinaram na quarta-feira (2/7) convênio para formação profissional de 4.500 mulheres, empreendedorismo e desenvolvimento sustentável em Palmas e em 12 municípios da região do Jalapão e do Bico do Papagaio

Tocantins foi o primeiro estado brasileiro a receber o programa Trabalho, Artesanato, Turismo e Autonomia das Mulheres, que vai atender 4.500 em Palmas e em 12 municípios situados nas regiões do Jalapão e Bico do Papagaio até o final de 2009. A iniciativa da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e do Ministério do Turismo é desenvolvida com os governos estaduais e parceiros locais e será levada também para o Rio de Janeiro e Pará.

Após visitar instalações de centros de qualificação profissional em bairros populares de Palmas, onde são desenvolvidos cursos de formação, a ministra Nilcéa Freire assinou na quarta-feira (2/7) com o governador Marcelo Miranda termo de cooperação técnica e convênio com a Fundação Cultural do Estado do Tocantins.

“Um dos nossos principais focos de atuação é a autonomia das mulheres por pensarmos na sociedade e nas mulheres. Ao investir nas mulheres, a resposta é rápida. Elas distribuem a renda para as famílias e para a sociedade, disse a ministra Nilcéa Freire ao frisar que o enfrentamento da violência também está associado à geração de renda.

Empreendedorismo e resgate cultural
Nilcéa expressou ao público, composto por quebradeiras de coco e babaçu, parlamentares estaduais, ativistas dos movimentos feminista e de mulheres e autoridades locais, a inspiração surgida no estado. “Vamos estender para outros estados o conceito do resgate cultural por meio do artesanato produzido por mulheres sem corromper a cultural local, apontou ao homenagear Dona Raimunda, Dona Miúda e a professora Margarida - lideranças nacionais das quebradeiras de coco e babaçu.

A ministra também considerou que o projeto da SPM agrega com mais força o trabalho de formação e qualificação da produção feminina no estado, alavancada pela ação do projeto Apoiando e Acreditando nas Famílias Tocantinenses capitaneado pela primeira-dama Dulce Maria Miranda. O programa Trabalho, Artesanato, Turismo e Autonomia das Mulheres foi viabilizado no Tocantins com o apoio da Câmara dos Deputados através de emenda parlamentar da deputada federal Nilmar Ruiz (DEM-TO).

“É fundamental a aliança da SPM com a bancada feminina. A gente se espanta quando diz que são 46 mulheres dentre 513 deputados federais pelo trabalho que elas desenvolvem, destacou Nilcéa Freire. Ao citar as ações necessárias para que homens e mulheres tenham oportunidades iguais, a ministra explicitou seu anseio à frente da SPM: “O que a gente quer é com a nossa Secretaria é que homens e mulheres possam se olhar nos olhos e construir a sociedade solidariamente, finalizou Nilcéa Freire.

Auto-estima e produtividade
Representando o Legislativo federal, a deputada Nilmar Ruiz fez referência no seu discurso ao sentimento das mulheres durante a visita aos centros de qualificação. “Vimos o brilho nos olhos, a auto-estima revigorada e como houve mudança no ânimo de vida das mulheres que estão produzindo, comentou a parlamentar.

Para o presidente da Fundação Cultural do Estado do Tocantins, Júlio Machado, a cultura não pode ser vista somente no viés do entretenimento, e sim da valorização dos potenciais locais e das manifestações e hábitos culturais. “O Estado brasileiro vive um novo momento, as pessoas hoje são valorizadas pelo que são e pelas suas diferenças. Esse projeto vai ser auto-sustentável e estamos criando condições para que seja. Mais que produzir, é importante ver a procura pelo produto, afirmou Machado, que mencionou no seu discurso a expressiva presença feminina nos quadros da Fundação Cultural do Estado do Tocantins.

Ao encerrar a cerimônia de assinatura dos documentos, o governador Marcelo Miranda fez uma avaliação positiva do momento político do país. “Hoje o governo federal está olhando para o Norte e para o Nordeste. Aqui se estão descobrindo valores e estamos nos preparando, as senhoras estão se preparando e pensando no desenvolvimento de todos. Estamos todos comprometidos, os recursos serão vistoriados pela população através das políticas públicas e dos investimentos, disse Miranda dirigindo-se às quebradeiras de coco ao afirmar que “elas sabem o que querem para a sua gente.

Marcos do programa
O programa Trabalho, Artesanato, Turismo e Autonomia das Mulheres é coordenado nacionalmente pela gerente de Projetos da SPM Eunice Léa de Moraes, responsável pela sua implantação no Rio de Janeiro, no Pará e em Tocantins. Além da qualificação profissional das mulheres, a proposta fomenta a formação em gênero, raça e etnia, o incentivo à produção de comercialização de artesanatos produzidos por mulheres nos corredores turísticos locais, o fortalecimento da cidadania e autonomia econômica e financeira das mulheres e a organização das mulheres artesãs na perspectiva da economia solidária.

No Tocantins, a iniciativa está considera o potencial produtivo local e aproveita os recursos naturais existentes no estado como capim-dourado, buriti e babaçu sem degradar o meio ambiente e oportuniza a geração de renda para as mulheres, afirmando o papel delas enquanto empreendedoras e colaboradoras para a economia. A seleção das participantes deve iniciar em setembro e os cursos devem acontecer em associações de artesãs, centros comunitários e salas cedidas por escolas públicas no período de um ano.

Os municípios contemplados pelo projeto têm baixo índice de desenvolvimento humano. A população feminina sustenta as famílias e trabalha com a extração vegetal, atividade em que mão-de-obra humana vem sendo rapidamente substituída pela industrial.

Além de deslocar a capacidade produtiva das mulheres para outra área da economia, o programa visa incentivar o trabalho cooperado das artesãs e afirmar o espaço produtivo das mulheres. A comercialização da produção será feita diretamente pelas mulheres nas rotas turísticas do interior do Tocantins e na Casa do Artesão, loja a ser instalada no centro da capital do estado.

Ministra confere produção das mulheres

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