Mulheres apontam caminhos para economia da ndia, Brasil e frica do Sul
Documento formulado pelo Fórum de Mulheres do Ibas recomendará medidas econômicas para redistribuição das riquezas e combate às desigualdades. Propostas serão discutidas no terceiro encontro do Ibas, em outubro, em Nova Déli
Documento formulado pelo Fórum de Mulheres do Ibas recomendará medidas econômicas para redistribuição das riquezas e combate às desigualdades. Propostas serão discutidas no terceiro encontro do Ibas, em outubro, em Nova Déli
Durante dois dias, representantes governamentais e da sociedade civil refletiram sobre os rumos da economia mundial e a realidade da ndia, Brasil e frica do Sul. No seminário Diálogos Brasil - frica do Sul “Gênero e Macroeconomia - uma abordagem feminista, ocorrido nos dias 21 e 22 de julho, em Brasília, questões globais como a crise de alimentos, o impacto da política tributária na vida das mulheres e a redistribuição das riquezas dos três países para combater as desigualdades de gênero e raça concentraram as discussões.
Temas específicos como a divisão sexual do trabalho, a co-responsabilidade das tarefas reprodutivas e de cuidados, a representação política das mulheres e a valorização feminina no mundo do trabalho também foram alvo de reflexão e debate, os quais lançaram as bases para um documento a ser apresentado pelo Fórum das Mulheres na terceira edição do encontro do IBAS - ndia, Brasil e frica do Sul, que acontece em outubro, em Nova Déli.
Na abertura do seminário, a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), destacou a similaridade entre os três países por serem economias em desenvolvimento com programas governamentais voltados à redução da pobreza e reafirmou o compromisso do seminário de contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas que considerem o impacto da economia na vida das mulheres. “Aliança é a palavra-chave. Precisamos identificar as alianças que precisamos e que aliados devemos buscar na sociedade, conclamou a ministra brasileira.
A mesa de abertura do seminário foi composta pela ministra Nilcéa Freire, a ministra de Obras Públicas da frica do Sul, Ângela Didiza; a primeira-dama da frica do Sul, Zanele Mbeki; a embaixadora da frica do Sul, Lindiwe Zulu; o encarregado de Negócios da Embaixada da ndia, Shashank Vikran; a diretora regional do Unifem (Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Mulher), Ana Falu; o ministro Gilberto Moura, do Ministério de Relações Exteriores do Brasil; e a chefe de Gabinete da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Sandra Cabral.
Ministra Nilcéa Freire conduz os trabalhos no primeiro dia do seminário
Na sua saudação, a diretora geral do Unifem (Fundo das Nações Unidas para Desenvolvimento da Mulher) no Conesul, Ana Falú, salientou a multilateralidade como tema central da agenda política dos países e da sociedade civil. “As relações Sul-Sul rompem com a hegemonia no mundo e tem um trabalho voltado para os direitos humanos e os direitos das mulheres, disse ela ao lembrar a presença do Unifem nos três países através de escritórios regionais.
Para o ministro Gilberto Moura, do Ministério das Relações Exteriores, muitos fatores unem os três países. “O Fórum de Mulheres tem grande mérito de promover trocas de experiências nas políticas adotadas para combater as desigualdades de gênero, avaliou Moura. A ministra de Obras Públicas da frica do Sul, Ângela Didiza, lembrou que mesmo fazendo parte do mercado de trabalho, o trabalho das mulheres não é medido nem valorizado. Ela informou que no país foi estabelecido um teto salarial para o trabalho doméstico das mulheres e em outros setores em que não havia remuneração.
Didiza falou ainda das dificuldades de as mulheres conseguirem financiamentos para suas atividades produtivas e negócios, dos limites e possibilidades da política para igualdade de gênero e da manutenção do comprometimento com a causa das mulheres quando elas chegam ao poder. “Nesse encontro, estamos fazendo as bases para a mudança de paradigmas do mundo. Hoje queremos avançar nesse processo no que se refere ao tratamento da macroeconomia e gênero, apontou ela. Já a embaixadora da frica do Sul, Lindiwe Zulu, ressaltou a necessidade de formação de novas lideranças para continuidade e reafirmação dos valores que movem a luta de direitos das mulheres.
Na apresentação “Macroeconomia, gênero e pobreza, a pesquisadora Vera Soares, da Universidade de São Paulo (USP), levantou pontos de reflexão como a proximidade entre capacidade e oportunidade e a relação entre políticas sociais e econômicas, ilustrando com a figura da pirâmide que retratou a divisão das mulheres com diversas atividades como reprodução/cuidado, subsistência, trabalho formal e informal. “Ao falar de economia e crescimento, é preciso pensar no conjunto das necessidades humanas. Quando pensamos na política macroeconômica, é preciso ver a redução da desigualdade no nosso país, ressaltou Vera Soares.
Na exposição “Políticas econômicas e seu impacto sobre as políticas de gênero, a sul-africana Vuyokazi Mahlathi apresentou que os altos postos de trabalho são ocupados por 72,6% por brancos e 27,2%, por negros. A divisão sexual do trabalho revela a faceta mais cruel, 83,3% para homens enquanto 16,5% para mulheres. Nos cargos de nível gerencial e profissionais liberais, brancos têm a fatia de 61,3% e negros, 36,7% do mercado de trabalho. Novamente, as mulheres ficam à margem: homens com 67,3% e mulheres com 32,7%.
“Precisamos nos mover para uma política redistributiva e de igualdade. Estamos definindo propostas e focos não impostos pelas instituições internacionais, nós estamos mudando o passado e o futuro, disse ela ao referir-se à possibilidade de fazer justiça social com igualdade.
No segundo dia do encontro, as discussões foram impulsionadas pelos painéis “Políticas de desenvolvimento - universalização ou focalização e a promoção da igualdade de gênero e raça e “A avaliação das políticas e os indicadores de impacto sobre a vida das mulheres.
Cooperação Sul-Sul
O Fórum de Mulheres do IBAS faz parte do Grupo de Trabalho sobre o Desenvolvimento da Mulher e a Igualdade de Gênero, criado a partir do Fórum de Diálogo IBAS, por motivos estratégicos relativos à coordenação e cooperação entre países em desenvolvimento. Seu objetivo é fortalecer a participação das mulheres e reconhecer a contribuição fundamental delas para o desenvolvimento social, econômico e cultural do Brasil, da frica do Sul e da ndia.