Programa Mulher e Ciência retrata a diversidade em artigos e redações sobre a desigualdade entre homens e mulheres

Vencedores do 3º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero foram agraciados na cerimônia de entrega, realizada hoje (30/04), em Brasília

Publicado em 02/05/2008 09:22Modificado em 28/04/2010 18:39
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Vencedores do 3º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero foram agraciados na cerimônia de entrega, realizada hoje (30/04), em Brasília

As comemorações dos 57 anos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) foram abertas hoje (30/04), a partir das 9h30, em Brasília, com a premiação do 3º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, que faz parte do programa Mulher e Ciência. Estavam presentes à solenidade, a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), Nilcéa Freire, o ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, o presidente do CNPq, Marco Antonio Zago, entre outras autoridades.

Durante o discurso Nilcéa Freire agradeceu a parceria do Ministério de Ciência e Tecnologia e também aos professores e orientadores que não estavam presentes à cerimônia. “Nós sabemos do esforço e da dedicação que se tem de ter para que os alunos obtenham sucesso, disse. Para ela, a 3ª edição do prêmio “reafirma o acerto da iniciativa.

Na ocasião, Sérgio Rezende disse que o CNPq tem um papel fundamental no desenvolvimento brasileiro, porque ajuda a formar os principais cientistas do País. Em seu pronunciamento Marco Antonio Zago disse que o conhecimento gera desenvolvimento e “o CNPq investe nisso. “Fazemos isso por meio de vários parceiros, inclusive com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, declarou.

Vencedores
Dos 1211 trabalhos recebidos de todas as regiões do País, 591 eram artigos científicos e 620 redações de estudantes do ensino médio. A premiação foi dividida em três categorias: Estudante de Ensino Médio, Estudante de Graduação e Graduado.

Na categoria Estudante de Ensino Médio, subdividida em Nacional e Unidade da Federação, os vencedores foram: Fernanda Serradourada com a redação “O Encontro: da diversão à reflexão, Leonardo de Azevedo, com “Uma Certa Maria, e Isabela Coutinho com “Marias de Nascimento.

Aluna do curso de Eletrotécnica do Centro Federal de Educação Tecnológica de Vitória (ES), Isabela, 16 anos, conta que se motivou a participar do concurso a partir de cartazes colados nos corredores da escola. “Foi uma idéia que veio de repente. Escolhi falar sobre violência e prostituição porque vejo vários casos. Tinha interesse em escrever sobre isso para poder chamar a atenção de um grande número de pessoas sobre isso, relata a estudante que já tinha o hábito de escrever.

Homens e mulheres
Na categoria Estudante de Graduação, os premiados foram Fernanda Barros com “Penetras no Clube do Bolinha: a carreira política das mulheres na Câmara dos Deputados, Uriella Ribeiro com “Participação Política e as Relações de Gênero: o caso do orçamento participativo de Belo Horizonte e Rodrigo Gomes com “Relações de Gênero e Rock ‘N Roll: um estudo sobre bandas femininas de Florianópolis.

Cursando o último período do curso de Música, da Universidade do Estado de Santa Catarina, Rodrigo Gomes já tinha despertado para a temática mulheres na música. No andamento dos estudos, o universitário percebeu uma concentração e atuação diferenciada de mulheres no rock. Estava traçada a linha mestra para o artigo científico “Relações de Gênero e Rock ´N Roll.

Nas conversas, Rodrigo percebeu as sutilezas do universo feminino. “É bem mais sensível para um homem pesquisar sobre mulheres porque se parte de um entendimento de que há coisas que as mulheres não falam para os homens, disse. Da inscrição até o conhecimento do resultado, o jovem passou por um amadurecimento, inclusive envolvendo a perda da orientadora Maria Ignez Cruz Mello. “O prêmio veio num momento sensível, pois a divulgação do resultado foi na véspera do falecimento da minha orientadora. Vou continuar pesquisando e no mestrado vou mergulhar de novo sobre a questão de gênero, afirma.

Bolsa Família
Na categoria Graduado, os artigos científicos premiados foram “O Jovem Macho e a Jovem Difícil: sexualidade, subjetividade e governo no discurso curricular, de Shirlei Resende, “Economia Feminista: uma proposta epistemológica em defesa do pluralismo, de Brenda Frenandez, e “A Dimensão do Enfoque de Gênero no Programa Bolsa Família: ranços e avanços na promoção do empoderamento das mulheres nos municípios baianos, de Bárbara Caldeira.

A relação da jovem baiana com o programa Bolsa Família se iniciou em 2006, quando envolveu-se num trabalho encomendado pelo Governo do Estado da Bahia para cadastramento de quilombolas e indígenas e realização de cursos para prefeitos e secretários municipais para implantar o ndice de Gestão Descentralizada. Dali, Bárbara identificou-se com o tema a ponto de escolhê-lo para o seu mestrado em Família na Sociedade Contemporânea, na Universidade Católica de Salvador (UCSAL). “Inicialmente, meu projeto não previa o recorte de gênero. Seis meses depois avaliei os resultados e percebi que tinha de ser considerada a questão feminina. O empoderamento das mulheres está aquém da posse do cartão, relata ressaltando a importância de políticas públicas que assegurem melhores condições e acesso à saúde, educação, assistência social, entre outras.

Prêmio
Criado em 2005, o prêmio é uma iniciativa da SPM, em parceria com o Ministério da Educação, Ministério da Ciência e Tecnologia e o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem). Seu objetivo é estimular a produção científica e a reflexão acerca das relações de gênero no País e promover a participação das mulheres no campo das ciências sociais e carreiras acadêmicas. A premiação acontece por meio do concurso de redações para estudantes do ensino médio e de artigos científicos para estudantes de graduação e graduados.

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