Mulheres se unem para combater efeitos das mudanças climáticas

Oficina Gênero e Mudanças Climáticas, com africanas e latino-americanas, abordou a relação das mulheres e os recursos naturais durante a III Conferência Nacional do Meio Ambiente

Publicado em 13/05/2008 10:35Modificado em 28/04/2010 18:40
Compartilhe:

Oficina Gênero e Mudanças Climáticas, com africanas e latino-americanas, abordou a relação das mulheres e os recursos naturais durante a III Conferência Nacional do Meio Ambiente

As mulheres são as mais vulneráveis quanto aos impactos das mudanças climáticas, principalmente as oriundas dos países mais pobres. Essa foi uma das constatações a que chegaram os participantes da III Conferência Nacional do Meio Ambiente, encerrada no sábado (10/05), em Brasília. As mulheres também foram consideradas indispensáveis no processo de adaptação e mitigação dos efeitos decorrentes das mudanças climáticas pela oficina Gênero e Mudanças Climáticas, que abordou ainda a situação de discriminação e desigualdade que envolve as mulheres.

Como forma de alterar este panorama, as debatedoras consideraram que os governos precisam implementar políticas públicas onde a questão do gênero esteja colocada de forma transversal. Outra problemática apontada é o fato de as mulheres ainda serem minoria na ocupação de cargos nos poderes Executivo e Legislativo e na participação em fóruns onde se debate internacionalmente a questão das mudanças climáticas.

A coordenadora-geral da organização Mulher, Gênero e Desenvolvimento (Mugede), de Moçambique, Saquina Mucavele, afirmou que há mais de 20 anos o povo tem sofrido com as catástrofes naturais que devastam Moçambique. “Quando acontece algum desastre proveniente de mudança no clima, as famílias se desestruturam e as mulheres são as que mais se ressentem do ocorrido, disse. Saquina lembrou que em Moçambique, os homens ainda não aceitam a independência da mulher e que são poucas as que atualmente ocupam cargos no Executivo e Legislativo. “A situação da mulher é muito precária. Estamos tentando incluir os homens em nossas discussões para que possam mudar a mentalidade, completou.

Para quebradeira de coco do Maranhão Raimunda Gomes, o homem vem devastando as florestas por ganância. “Por dinheiro ele desmata e caça para vender para o exterior, falou. Raimunda lembrou que a destruição da natureza vem prejudicando a qualidade de vida, acabando com os recursos naturais e inviabilizando o comércio e a produção. “A questão climática, o capitalismo e a questão de gênero andam juntas e mexem com todo mundo, finalizou.

A representante da ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), Márcia Leporace, lembrou a importância da criação, a partir de 2003, da Secretaria da Mulher, assim com a dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial, criadas como uma forma de enfrentamento da discriminação. “Nossa missão é a de articulação com outros ministérios para que haja um novo olhar, uma nova forma de implementar políticas públicas. É uma construção lenta, mas o Brasil não é voz solitária nesta luta. Existe um movimento internacional para combater todas as formas de discriminação, ressaltou Márcia Leporace.

Comitê Interno de Gênero
Como forma de internalização das discussões sobre o papel das mulheres e a preservação ambiental, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) criou o Comitê Interno de Gênero que tem a atribuição de impulsionar discussões e ações na área. Esta ação já foi também um resultado da participação do MMA no Comitê de Monitoramento do II Plano Nacional da Políticas para as Mulheres, em que foi incluído o eixo temático- Desenvolvimento sustentável no meio rural, na cidade e na floresta, com garantia, de justiça ambiental, soberania e segurança alimentar.

Uma das primeiras iniciativas do Comitê foi o apoio para a realização da oficina Gênero e Mudanças Climáticas. A discussão foi coordenada por Muriel Saragoussi, diretora de extrativismo da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural do MMA, e contou com participação da secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Thelma Krug, da coordenadora-geral da Mugede (Mulher, Gênero e Desenvolvimento) de Moçambique (frica), Saquina Mucavele, de Elizabeth Peredo, coordenadora do Programa Gênero, Identidade e Trabalho da Fundación Solón (Bolívia), de Raimunda Gomes (Raimundinha), do Conselho Nacional dos Serigueiros e de Ninon Machado, do Instituto Ipanema.

Abertura da III CNMA
Onze ministros de Estado - entre eles a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, e um público de 3 mil pessoas participaram da abertura da III Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. A necessidade de institucionalização do processo, para que não haja descontinuidade com futuras alternâncias de poder, bem como a incorporação do viés ambiental pela totalidade do governo, permearam os principais discursos do evento.

A III CNMA, encerrada no sábado (10/05), foi organizada pela Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA e recebeu 5.132 propostas oriundas de todo o Brasil. As sugestões foram colhidas em 751 conferências municipais e estaduais que envolveram mais de 100 mil pessoas desde o final de 2007.

Categorias
Compartilhe: