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Discurso do Ministro Mauro Vieira por ocasião do evento empresarial no Conselho de Comércio da Tailândia - Bangkok, 10 de setembro de 2026
Senhor Presidente do Conselho de Comércio e da Câmara de Comércio da Tailândia,
Ilustres líderes empresariais,
Membros das delegações brasileira e tailandesa,
Senhoras e Senhores,
Gostaria de começar expressando meu sincero apreço ao Conselho de Comércio, à Câmara de Comércio da Tailândia e à Câmara de Comércio Brasil-Tailândia pela organização deste evento e por seu compromisso de longa data com o fortalecimento dos laços entre nossas comunidades empresariais.
Brasil e Tailândia estão localizados em regiões muito distantes entre si, mas estão cada vez mais conectados pela complementaridade econômica, por interesses compartilhados e por aspirações comuns de crescimento sustentável.
Nossa relação bilateral entrou em uma nova etapa de maturidade e dinamismo. Comércio, investimentos, tecnologia, segurança alimentar, transição energética e inovação vêm se consolidando como pilares cada vez mais importantes de nossa parceria.
Hoje, gostaria de me concentrar em dois temas: primeiro, a crescente relação econômica entre Brasil e Tailândia e as oportunidades que temos pela frente; e, segundo, o engajamento mais amplo do Brasil com a ASEAN e por que acreditamos que o Sudeste Asiático será uma das regiões mais importantes para a estratégia econômica internacional do Brasil nas próximas décadas.
A relação econômica entre Brasil e Tailândia registrou progresso notável. Em 2025, a corrente de comércio bilateral alcançou quase US$ 6 bilhões e, entre 2020 e 2025, superou US$ 30 bilhões. O Brasil é o principal parceiro comercial da Tailândia na América Latina, e a Tailândia tornou-se uma referência de destaque para o Brasil em matéria de comércio e investimentos na Ásia.
Esses números são significativos não apenas por sua dimensão, mas também porque ilustram a importância crescente que cada uma de nossas economias assume para a outra.
A Tailândia é um mercado dinâmico, uma potência manufatureira e um ator de influência crescente nas cadeias de valor regionais e globais. O Brasil é uma economia de grande porte e estável, além de ser um fornecedor confiável de alimentos e energia e um parceiro em inovação com capacidades únicas em setores que vão do agronegócio aos combustíveis renováveis e à indústria aeroespacial.
Uma característica particularmente marcante de nossa relação comercial é a sofisticação do perfil das exportações tailandesas.
A Tailândia fornece ao Brasil uma gama diversificada de bens industriais e tecnológicos, incluindo componentes automotivos, equipamentos de telecomunicações, produtos eletrônicos, máquinas e produtos manufaturados de maior valor agregado. Isso reflete a posição da Tailândia como uma das principais economias industriais do Sudeste Asiático e como um polo cada vez mais importante nas redes globais de manufatura.
As exportações brasileiras também podem se tornar mais diversificadas. Há espaço significativo para ampliar as exportações brasileiras de produtos de maior valor agregado, incluindo máquinas, tecnologias agrícolas avançadas, produtos relacionados à saúde, produtos químicos e, notadamente, produtos aeroespaciais.
O Brasil abriga uma das principais indústrias aeroespaciais do mundo. O sucesso global da Embraer demonstra a capacidade de nosso país de produzir aeronaves competitivas para o transporte regional e aplicações especializadas. Conforme a Tailândia continua a modernizar e expandir sua infraestrutura de transporte e seu ecossistema de aviação, vemos perspectivas para uma cooperação mais profunda nesse campo.
A energia tornou-se uma das questões estratégicas centrais de nosso tempo. Os países buscam não apenas acesso seguro ao fornecimento de energia, mas também caminhos para sistemas energéticos mais limpos e sustentáveis.
O Brasil pode contribuir de maneira relevante para ambos os objetivos. À medida que o ambiente geopolítico global se torna mais complexo, a diversificação de fornecedores tornou-se uma prioridade para muitas economias.
O Brasil está pronto para ser um parceiro energético confiável, previsível e de longo prazo para a Tailândia. Acredito que nossa maior oportunidade esteja nas energias renováveis e, particularmente, nos biocombustíveis.
O Brasil desenvolveu um dos programas de biocombustíveis mais bem-sucedidos do mundo. Há décadas, o etanol contribui para a segurança energética, a redução das emissões e o desenvolvimento rural. Atualmente, os biocombustíveis ocupam lugar central na estratégia brasileira de transição energética. Temos acompanhado com interesse os debates em curso na Tailândia sobre aumentos futuros do teor de etanol nos combustíveis, incluindo a possibilidade de uso ampliado da gasolina E20.
Senhoras e Senhores,
O futuro de nossa parceria será cada vez mais influenciado pela inovação e pelas tecnologias avançadas. A indústria de semicondutores oferece um excelente exemplo. A Tailândia desenvolveu capacidades relevantes na fabricação de produtos eletrônicos e conta com cadeias produtivas integradas.
O Brasil, por sua vez, está implementando iniciativas ambiciosas por meio de programas como o Brasil Semicon e intensificou esforços para fortalecer a capacidade nacional no setor de semicondutores.
Há oportunidades promissoras de diálogo e cooperação entre as iniciativas brasileiras no setor de semicondutores e o ecossistema industrial tailandês, incluindo projetos associados à empresa Siam Silicon e a outros polos de manufatura avançada.
O investimento talvez sejam a melhor medida da confiança entre duas economias. Nesse sentido, Brasil e Tailândia já contam com importantes histórias de sucesso.
Os investimentos tailandeses no Brasil se expandiram por meio de empresas como Indorama Ventures, CP Foods, Cal-Comp Electronics e Minor Hotels. Os investimentos brasileiros na Tailândia incluem a presença de longa data da Jacto e projetos emergentes nos setores de biotecnologia e materiais sustentáveis.
Damos as boas-vindas ao renovado interesse dos investidores tailandeses no Brasil. Os anúncios feitos pela Minor Hotels sobre novos projetos e expansões no setor hoteleiro no Brasil demonstram confiança em nossa economia e em nosso setor de turismo.
A missão comercial organizada pelo Ministério das Relações Exteriores da Tailândia ao Brasil, no final deste mês, chefiada pelo subdiretor-geral do Departamento de Assuntos Americanos e do Pacífico Sul, e que levará a São Paulo empresas dos setores de biocombustíveis, hotelaria, varejo de alimentos, indústrias criativas e mobiliário, é um claro sinal de que nossos setores privados estão empenhados em criar oportunidades concretas para ampliar nossas relações comerciais.
O Brasil continua comprometido com a melhoria do ambiente de negócios e com a oferta de maior previsibilidade, transparência e segurança jurídica aos investidores.
Senhoras e Senhores,
Permitam-me agora tratar da ASEAN. Para o Brasil, o relacionamento com a ASEAN deixou de ser simplesmente um aspecto de nossa política para a Ásia. Tornou-se uma prioridade estratégica. A ASEAN é uma das regiões mais dinâmicas do mundo.
A relação entre o Brasil e a ASEAN cresceu de forma extraordinária. O comércio bilateral atingiu aproximadamente US$ 38 bilhões em 2025, fazendo do bloco o quinto maior parceiro econômico do Brasil. O crescimento foi expressivo: nas últimas duas décadas, o comércio se expandiu aproximadamente dez vezes.
A importância da ASEAN para o Brasil continua a aumentar. De fato, observei recentemente que, caso se mantenham as atuais tendências, a ASEAN poderá eventualmente superar algumas das relações comerciais tradicionais do Brasil com outras grandes regiões econômicas.
Nosso interesse na ASEAN vai além das considerações comerciais. O Brasil e a ASEAN compartilham o compromisso com o multilateralismo, o desenvolvimento, o diálogo e uma ordem internacional baseada em regras. Somos parceiros na promoção do crescimento econômico ao mesmo tempo que enfrentamos desafios globais como as mudanças climáticas, a segurança alimentar e a transição energética.
Por isso, atribuímos grande importância à nossa aspiração de nos tornarmos Parceiro de Diálogo da ASEAN. Acreditamos que esse status criaria novos canais institucionais, facilitaria uma cooperação mais profunda e nos permitiria transformar uma sólida relação comercial em uma verdadeira parceria estratégica.
Olhando para o futuro, a ASEAN Community Vision 2045 aponta para uma integração regional mais profunda e cadeias de valor progressivamente mais sofisticadas. Essa evolução está estreitamente alinhada ao interesse do Brasil em aumentar as exportações de produtos de maior valor agregado e fortalecer as parcerias tecnológicas.
A agenda futura entre o Brasil e a ASEAN abordará temas como segurança alimentar, energia renovável, biotecnologia, transformação digital, semicondutores, infraestrutura sustentável, manufatura avançada e inovação. A Tailândia, como uma das economias mais influentes da ASEAN, está naturalmente posicionada para desempenhar um papel de liderança nesse processo.
Ilustres convidados,
Brasil e Tailândia já construíram uma sólida parceria. Mas o mais promissor não é o que alcançamos até agora. É o que ainda podemos realizar juntos. Ao ampliar o comércio, promover investimentos, fortalecer a cooperação energética, reforçar a segurança alimentar, apoiar a inovação e aprofundar a conexão entre a América do Sul e o Sudeste Asiático, podemos criar oportunidades que beneficiem nossos dois povos.
O Brasil vê a Tailândia não apenas como um parceiro comercial, mas como um parceiro estratégico para o futuro. Continuemos, juntos, a construir uma relação mais diversificada, mais inovadora e mais ambiciosa.
Muito obrigado.