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Palavras no encontro com representantes da comunidade libanesa no Clube Monte Líbano - São Paulo, 26 de setembro de 2006

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Publicado em 01/04/2025 16h19

No avião, voando de Brasília para cá, vinha lendo um livro que contém uma citação do filósofo e historiador árabe do século XIV, Ibn Khaldun, na qual ele fala das agruras da busca da verdade na História. Entre as várias coisas que diz uma me pareceu importante. Diz o seguinte: “se a alma está contaminada com parti pris em favor de uma opinião ou corrente ela aceita sem hesitação a informação que lhe é agradável. O preconceito e o parti pris obscurecem a faculdade crítica e impedem a investigação analítica. O resultado é que falsidades são aceitas e transmitidas.” Esse pensamento, que é muito profundo em relação à História, também é muito profundo e real em relação a nossa capacidade de observar – talvez até com mais força – o mundo contemporâneo. E é necessário muitas vezes que consigamos vencer todos os preconceitos e idéias que são freqüentemente impostos e repetidos para que percebamos a realidade das coisas. Tive a felicidade – felicidade do ponto de vista humano – de ter podido observar de perto não só a realidade dos brasileiros que viviam no Líbano mas a própria realidade do Líbano. Em menos de três semanas, estive duas vezes na cidade turca de Adana, cidade sobre a qual tinha apenas vaga noção histórica, por que ali havia uma base turco-norteamericana durante a época da Guerra Fria e isso às vezes aparecia na imprensa. A primeira vez foi para encontrar alguns dos brasileiros que tinham saído do Líbano no início do conflito com o objetivo de voltar para o Brasil. Já foi mencionado aqui o esforço feito pelo Governo brasileiro, por vários órgãos do Governo, e também por empresas privadas, sobretudo por empresas de aviação. Também, especialmente, pelo Itamaraty. Não só pelo Ministro, mas pelos Embaixadores, pelos Cônsules, pelas pessoas que foram aos locais onde realmente eram necessárias, sem temor. Tivemos Cônsules que foram deslocados, inclusive de outros locais – que saíram de Paris, por exemplo –, para o Vale do Bekaa.

Nosso Cônsul-Geral em Beirute também foi para o Vale do Bekaa, local que era freqüentemente bombardeado. Montamos praticamente um Consulado temporário em Adana para podermos receber os brasileiros. Assim, pude ver de perto essa realidade e muitas cenas me comoveram. Primeiro, a gratidão. A gratidão é, talvez, de todos os sentimentos, por ser o mais raro, aquele que mais comove. Nesse caso, me senti muito comovido pelo sentimento de gratidão, não só em relação ao Itamaraty, ao Governo brasileiro, ou ao Governo do Presidente Lula, mas também ao que a comunidade e a sociedade brasileiras estavam fazendo. Houve duas cenas que me impressionaram especialmente. Antes, abro um parêntese. Os brasileiros estavam distribuídos em vários hotéis em Adana, todos obviamente modestos, mas dignos. Isso foi algo que o Governo brasileiro fez questão que ocorresse. Aqueles que podiam pagar, pagavam. Quem não podia pagar tinha as diárias custeadas pelo Governo. Portanto, eram hotéis modestos, que chamaríamos de duas estrelas, mas dignos. Não foram todos colocados em estádios de futebol – o que talvez até pudesse ter ocorrido em uma emergência. Assim, duas cenas me impressionaram especialmente. A primeira foi a de uma mãe de família, com cinco filhos – que, a julgar pela vestimenta, era provavelmente muçulmana –, que tinha vindo do sul do Líbano e tinha ficado por cinco dias no subsolo de uma escola até ter sido contatada pela Embaixada – ou sabido da possibilidade de contatar a Embaixada. Ela e a família foram para Adana, na Turquia, onde ficaram por alguns dias até serem evacuados pela Força Aérea. Lá, dizia ela, seus filhos no início tiveram até dificuldades em se alimentar, a tal ponto estavam ainda chocados com a situação que haviam vivido. Mas, naquele momento, ela começava a recobrar a esperança. Era difícil ver aquela mãe com cinco filhos, o mais novo quase de colo, talvez dois anos, e uma menina talvez de doze, a mais velha, sem emocionar-me. Foi uma cena especialmente comovente na descrição do que havia ocorrido. Outra cena também interessante foi a de uma Senhora que me disse a seguinte frase: “eu queria agradecer muito porque essa é a terceira guerra da qual eu fujo” – esperemos todos que não haja mais nenhuma guerra da qual ela tenha que fugir – “mas é a primeira vez que tenho apoio do Governo brasileiro.”

Isso provoca realmente uma sensação de que se está fazendo algo de útil, direto. Diplomacia muitas vezes é algo abstrato. Esse caso foi efetivamente muito comovente. Não sei onde está essa Senhora, gostaria de revê-la se fosse possível algum dia e espero que ela não tenha nunca mais de enfrentar o que enfrentou. Mas se porventura outra situação dessa ocorrer, o Governo brasileiro certamente não lhe faltará. A operação de retirada dos brasileiros foi difícil, complexa. Nós nunca tínhamos feito isso. Nosso querido Doutor Farah mencionou que talvez essa tenha sido uma das maiores operações de resgate. Creio que foi a maior operação de resgate já empreendida pelo Governo brasileiro. Nós não tínhamos experiência. Era uma área de difícil acesso. O Brasil, ao contrário de outros países, não tem uma frota no Mediterrâneo, para colocar helicópteros ou barcaças para retirar rapidamente as pessoas que desejarem. Como disse, tivemos que praticamente montar um Consulado temporário na Turquia. Tivemos também que fazer inúmeras gestões diplomáticas sobre os mais variados aspectos. Para ilustrar, cito aqui duas. Tivemos que realizar gestões com as próprias autoridades israelenses, algumas vezes envolvendo até a Secretária de Estado dos Estados Unidos, para ter certeza de que os comboios que vinham trazendo brasileiros e parentes de brasileiros não seriam atingidos por bombardeios – involuntários, possivelmente. Esse era um aspecto complexo da operação. Outro aspecto relaciona-se ao fato de que muitos dos brasileiros tinham passaportes vencidos, alguns há mais de trinta anos. Tivemos que absolutamente flexibilizar as regras consulares e as regras de ação dos diplomatas para conceder a renovação na hora. No início houve até certa hesitação, mas assim que tomamos conhecimento desses fatos passamos a dar o passaporte imediatamente. Mais do que isso, também tivemos que fazer gestões diplomáticas, por exemplo, com as autoridades turcas, cuja cooperação, devo sempre ressaltar, foi integral, realmente muito importante. Não teria sido possível fazer grande parte dessa operação sem essa cooperação, como também não teria sido possível realizá-la sem a cooperação das autoridades sírias, que no caso até albergaram muitos dos brasileiros por conta própria. No caso da Turquia, havia uma peculiaridade, que ganhava importância quando vinha um brasileiro acompanhado de familiares libaneses.

Os brasileiros não precisavam de vistos para entrar na Turquia, porque há um acordo de isenção de visto, mas os libaneses, mãe, pai, filho, irmão, que muitas vezes não tinham passaportes brasileiros, não tinham a mesma facilidade. Por isso, nossos diplomatas que estavam em Adana tinham que ir até a fronteira e lá dar uma garantia às autoridades turcas. Com essa garantia, mesmo sem visto, os turcos permitiam a entrada. Desse modo, foi uma operação – que vista de longe pode parecer uma operação bem executada, com algum esforço, mas relativamente simples – na verdade extremamente complexa, nos mais variados detalhes. Houve um momento, por exemplo, em que tivemos que mandar um diplomata de Genebra – em uma situação muito difícil, arriscando a vida, sujeito a ser bombardeado – levar dinheiro para o nosso Consulado no Líbano, porque não havia mais recursos para organizar os comboios. Naquele momento a parte eletrônica do sistema bancário libanês, que foi prejudicado, estava fora do ar. Felizmente, não por muito tempo, já que os libaneses são muito empreendedores e rapidamente resolveram os problemas. Essas decisões, que são às vezes pequenas, envolvem inclusive até passar por cima de certas regras que são normais, porque na emergência, na guerra, você tem que usar um pouco do bom senso e do sentimento e não apenas aquilo que diz o manual consular. O manual consular em geral não prevê estas situações de emergência. Assim, esses são alguns exemplos de como foi possível realizar a operação. Também queria dar testemunho de que isso tudo não ocorreu como se eu não tivesse recebido, o Itamaraty não tivesse recebido, o Presidente Lula não tivesse recebido, o forte estímulo da sociedade civil brasileira e, muito especialmente, da comunidade ligada aos países árabes e ligada ao Líbano. Recebi federações e associações ligadas ao Líbano no meu gabinete, que rapidamente demonstraram que certos aspectos dessa operação de resgate não poderiam ser realizados apenas pelos funcionários. Teria que haver um envolvimento profundo com a comunidade brasileira no Líbano. E isso foi feito. Graças a isso conseguimos retirar as pessoas dos locais mais difíceis. Também recebemos o apoio do Congresso.

O Senador Romeu Tuma, por exemplo, sabe disso. Quando estive no Senado Federal, na Comissão de Relações Exteriores, ele, o Senador Pedro Simon, o Senador Suplicy, muitos que estavam lá presentes – lembro apenas alguns – nos estimularam não só a continuar a operação para retirar os brasileiros, mas, mais importante, talvez porque menos óbvio, a nos envolvermos mais profundamente do ponto de vista político na construção de uma situação de paz no Líbano. Nesse ponto, falando de uma maneira muito resumida porque são assuntos extremamente complexos, passo para um outro aspecto dessa narrativa, ao qual o Doutor Jorge se referia: o envolvimento do Brasil na questão política do Líbano e, mais amplamente, do Oriente Médio. Por orientação do Presidente viajei ao Líbano e fui o segundo Ministro de Relações Exteriores a visitar o país depois do cessar-fogo – o primeiro foi o Ministro italiano, Massimo D’Alema, que esteve no dia do cessar-fogo; eu estive no dia seguinte. Mas estávamos preparados, inclusive, com o apoio da nossa aeronáutica, a ir a Beirute mesmo durante as hostilidades, naturalmente procurando obter as garantias de Israel. Lembro de um ditado chinês – poderia ter sido outra maneira de iniciar essa palestra – que diz algo como: uma imagem vale mais do que mil palavras. Nosso enviado especial ao Oriente Médio, o Embaixador Ouro-Preto, que foi Embaixador em Pequim durante muito tempo, me corrija se o ditado não for exatamente assim. Cheguei a Beirute, vocês se recordam, levando donativos da comunidade e também do Governo brasileiro – e foi muito comovente – no segundo dia do cessar-fogo, com parte do aeroporto ainda comprometida. Felizmente era um avião Hércules C-130 que precisa de pouca pista. Era possível ver que a pista só era utilizada em parte.

A primeira imagem que tive ao chegar em Beirute, depois de me reunir no aeroporto com o meu colega, o Chanceler Salloukh, foi dos bairros xiitas no sul de Beirute que haviam sido violentamente bombardeados no domingo, já depois da resolução das Nações Unidas, mas antes da vigência do cessarfogo. Realmente foi uma visão que impressionou muito meu espírito, por vários motivos. Nunca tinha estado em uma situação de guerra. Por coincidências da vida, os brasileiros têm tido o privilégio de não viverem estas situações e mesmo como diplomata estive em vários países e nunca tinha estado em uma situação como essa, de guerra tão recente. Ver aqueles prédios destruídos, prédios onde moravam muitas famílias, muitos deles reduzidos a pó e ao mesmo tempo a vida recomeçando, pessoas já voltando a seus afazeres. De maneira especialmente comovente, ver alguns com camisetas da seleção brasileira e outros até com bandeirinhas do Brasil. Vi um libanês com uma bandeirinha do Brasil na bicicleta e confesso, não por egocentrismo, que pensei até que podia ter alguma coisa que ver com minha visita. Na realidade, porém, eram pessoas que normalmente usavam a camisa da seleção brasileira, que normalmente poderiam estar com a bandeirinha do Brasil na garupa da bicicleta. Senti, então, de maneira muito forte, algo que o Ministro libanês me disse depois de feitas as doações, quando fomos para a sala VIP do aeroporto – que estava vazia, claro, no aeroporto só havia o avião brasileiro e, se não me engano, também um avião militar do Catar. Sentamos e ele me disse: “bemvindo ao seu país”.

O que ele estava dizendo é que o Brasil está no Líbano, o Brasil é parte do Líbano, e o Líbano é parte do Brasil. Vi isso, constatei isso. Infelizmente, de maneira muito chocante, constatamos também bandeiras brasileiras no meio dos escombros, o que trouxe de maneira muito gráfica o fato de que esse conflito não nos é estranho. Nada da vida mundial deve nos ser estranho, porque mais cedo ou mais tarde – seja algo que ocorre na exIugoslávia, na Coréia do Norte ou em qualquer outro lugar – vai ter implicações para nós. E isso não é uma constatação intelectual. É algo muito real, uma presença muito real de como aquele conflito nos diz respeito. Assim, foi uma visita muito instrutiva para mim. Porque estive com todas as autoridades libanesas mais importantes, com o Primeiro-Ministro Fouad Siniora, com o Presidente Lahoud, com Nabih Berri, que é o Presidente da Assembléia Nacional, e naturalmente com meu colega o Ministro das Relações Exteriores, além de estar também com alguns brasileiros da comunidade. 

Detendo-me na parte política da missão, todos estavam obviamente muito agradecidos com a visita do Chanceler do Brasil ao Líbano, menos de 24 horas depois de haverem caído as últimas bombas. Notei algumas coisas interessantes. Não vou fazer aqui nenhuma sociologia sobre o Líbano, todos aqui conhecem o Líbano muito melhor que eu, mas minha obrigação também é acompanhar a História. Notei um sentimento muito forte de que era importante preservar a unidade que havia sido, senão recuperada, pelo menos fortalecida em função do próprio conflito. Se algo de positivo se pode dizer do conflito, foi a retomada do sentimento de unidade, de que os libaneses formam um único país, um país independente, um país soberano e um país que tem que atuar em conjunto, independentemente das diferentes confissões e das diferentes tendências políticas. Isso foi algo positivo e gratificante. Notei também, nessas várias conversas, um forte sentimento de reação ao que havia ocorrido. Até mesmo ressentimento com a demora da comunidade internacional em atuar. A demora para que o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotasse um resolução, pedida por tantos, inclusive pelo próprio Presidente Lula, que escreveu para todos os membros permanentes do Conselho de Segurança e outros líderes de países importantes pedindo cessar-fogo imediato. Percebi ainda – e isso talvez seja uma característica do povo libanês, a capacidade de renascer das cinzas e das tragédias – uma fresta de otimismo. A visão de que talvez uma janela de oportunidade poderia surgir, em função, até mesmo, de uma certa exaustão do conflito. Sempre, naturalmente, acompanhada da compreensão, da qual eu compartilho plenamente, de que a questão do Oriente Médio como um todo – e o Líbano, queiramos ou não, é parte do Oriente Médio – só pode ser resolvida se for solucionada a questão Palestina.

Não há solução para o Oriente Médio sem que se resolva a questão da Palestina. Uma Palestina independente, um Estado economicamente viável e, de acordo com o que é a convicção do Governo brasileiro, no marco do convívio com o Estado de Israel, respeitando sua existência. Essa janela de oportunidade foi claramente apontada por alguns de meus interlocutores. Na História, muitas vezes países ou facções que estiveram em luta muito tempo se aproximam inicialmente não por um sentimento de amizade, mas por um sentimento de fadiga. Pela percepção da futilidade da persistência da opção militar, da opção da violência. O ideal é que eles venham a ser amigos, mas temos que aproveitar esses primeiros momentos, o momento da fadiga da violência e da opção militar. Acho que isso talvez tenha sido percebido por todos na região nesse momento. Que esteja sendo sentido por todos. Ainda não tive a oportunidade de conversar mais profundamente com o Embaixador Ouro-Preto depois que ele retornou da região, mas sinto que há essa janela de oportunidade. As pessoas às vezes não gostam de admitir, porque parece que admitiram uma fraqueza, mas já não é uma fraqueza. É a percepção e a consciência de que para chegar a uma situação em que todos possam viver em paz e segurança o diálogo é fundamental. Não é só por meio da repressão, da ocupação, de medidas violentas, que se garante a paz. É por meio do diálogo e o centro desse diálogo não pode deixar de ser a questão da Palestina, que certamente não é a única, mas é a central.

Por isso também, e termino com essas palavras, temos procurado, cada vez mais, demonstrar aos grandes parceiros internacionais e aqueles que têm mais influência, seja por estarem na região, seja por serem grandes potências, que o Brasil é um país que pode contribuir para a paz no Líbano e no Oriente Médio. Isso aliás é reconhecido tanto por árabes quanto por israelenses. O Brasil é um país que é exemplo de convívio das mais variadas confissões religiosas: judeus, cristãos, muçulmanos xiitas, sunitas. No Brasil, todos convivem de maneira exemplar, respeitando suas diferenças e procurando trabalhar sobre aquilo que têm em comum, que é muito mais importante: o respeito ao ser humano e a compreensão de que é preciso construir uma civilização na base do humanismo, da tolerância e do respeito ao próximo. Assim, com base nisso, o próprio Presidente Lula, no seu discurso na Assembléia Geral da ONU, comentou que durante muitos anos deixamos a questão do Oriente Médio só para as grandes potências, que não resolveram nada, e (sugeriu), quem sabe, não poderia ser realizada uma Conferência mais ampla, envolvendo naturalmente as grandes potências, que têm influência, e os países da região, que são diretamente afetados, mas também países como o Brasil. Não digo só o Brasil, mas países como o Brasil, onde há um convívio entre essas diferentes confissões e visões de mundo, que têm que ter em comum, como dizia, esse substrato de solidariedade e de humanismo, que são condições indispensáveis para a sobrevivência.

Essa não é uma tarefa só de governos. É uma tarefa certamente dos parlamentares, que podem ajudar muito, convidando parlamentares de vários países envolvidos na situação. É uma tarefa das sociedades civis e é uma tarefa cultural. Vamos levar agora para o Líbano, para ajudar nesse relançamento da vida no país, a bela exposição de fotografias AMRIK, que fizemos sobre a influência árabe na América do Sul. O Brasil, pela primeira vez, participou de uma conferência de doadores, em Estocolmo, na qual nosso representante foi o Embaixador Ouro-Preto. Aliás, eram duas conferências, uma sobre o Líbano e outra sobre a Palestina. Em ambas contribuímos com uma quantia relativamente modesta, 500 mil dólares para cada um. Para nós é bastante e, de qualquer maneira, é uma maneira de demonstrarmos nosso interesse, contribuirmos e estarmos presentes. O potencial que o Brasil tem de ajudar o Líbano e o Oriente Médio – mas vamos nos deter novamente no Líbano – é muito maior do que aquilo que o Governo pode fazer. Nos mais variados setores, seja da cultura, dos negócios, da construção civil, no domínio da saúde, hospitalar. Em todos esses domínios, sem dúvida alguma, a comunidade brasileira pode colaborar de maneira notável. Queria dizer que contamos muito com a comunidade libanesa, com a comunidade árabe, para continuarmos trabalhando em iniciativas como a da biblioteca e outras, que aproximam os povos, que fazem com que a gente vença esses preconceitos, aos quais se referia Ibn Khaldun, e que nos permitam compreender melhor qual é a verdade e ver sempre que a verdade não nos afasta, a verdade nos aproxima.

Muito obrigado

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