Evidências
Diversos estudos categorizam os efeitos da expansão da jornada escolar em três grandes eixos: acadêmico, social e econômico. Entre os benefícios acadêmicos constata-se a melhoria de desempenho entre os mais pobres, fixação de permanência na escola e maior taxa de conclusão de escolaridade entre grupos urbanos. Já os efeitos sociais podem ser observados com a diminuição de vulnerabilidade social, nos aspectos de segurança alimentar, violências contra crianças e adolescentes e maior acesso aos direitos por meio da rede de proteção social. Há ainda, efeitos econômicos no longo prazo considerando o retorno social da educação em tempo integral equivalente a 6 vezes o seu custo e o benefício social para cada jovem que teve acesso à educação integral equivalente a 2,7 vezes o seu custo.
A pesquisa “O impacto das Escolas de Tempo Integral em Homicídios” investigou os efeitos da política de Ensino Médio Integral do estado de Pernambuco nas taxas de homicídio de jovens homens entre 15 e 19 anos, faixa etária do ensino médio. Os pesquisadores compararam – ano a ano, entre 2004 e 2014 – dados dos municípios pernambucanos que implementaram escolas EMI com dados dos que não o fizeram. Com isso, perceberam que o ensino integral provocou uma redução de até 50% na taxa de homicídios dos jovens nos municípios que adotaram a política.
Parte da literatura também aponta para fatores intraescolares como o maior tempo de exposição de estudantes ao currículo, interações com os professores e recursos escolares como um conjunto de elementos estruturantes para a melhoria das condições de desenvolvimento e da aprendizagem.
A infraestrutura escolar é outra importante condicionalidade para a expansão com qualidade da jornada escolar. Os diferentes ambientes podem proporcionar experiências e aprendizagens aos estudantes, sempre considerando que o uso dele precisa estar articulado ao currículo escolar e com intencionalidade educativa. Há igualmente, estudos internacionais que demonstram a relevância de ambientes escolares, especialmente os que promovem a aprendizagem ao ar livre, em relação com os territórios e com cobertura verde gerando melhoras significativas na saúde física e mental, o bem-estar e no desenvolvimento integral de bebês, crianças e adolescentes.
Cabe ponderar, contudo, que a correlação direta entre expansão do tempo e resultados de aprendizagem não é um consenso científico justamente porque o tempo a mais na escola não é e não deve ser a única estratégia do modelo de Educação Integral.
Em vista disso, para que a matrícula em tempo integral cumpra com o seu papel de possibilitar uma gama maior e melhor de aprendizagens e oportunidades de desenvolvimento pleno e cidadão, é preciso que na esfera da escola o tempo seja associado a outros aspectos, como:
1. Cultura de colaboração profissional;
2. Perfil do professor;
3. Liderança profissional;
4. Clima escolar;
5. Gestão participativa;
6. Práticas pedagógicas inclusivas, diversificadas e equitativas;
7. Envolvimento das famílias e da comunidade;
8. Infraestrutura mínima adequada;
9. Avaliação, monitoramento e autoavaliação articuladas;
10. Condições laborais adequadas;
11. Articulações e parcerias locais.