Saiba Mais
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1 – O que é Educação Domiciliar?
Educação Domiciliar é a modalidade educativa na qual os pais ou responsáveis assumem o direcionamento da instrução formal de seus filhos. No contexto da Educação Domiciliar, o ensino e a instrução constituem partes do processo educacional. Ensinar e educar são sinônimos; todas as atividades da vida são potencialmente momentos educativos e instrutivos e a educação formal recebe um cuidado todo especial, com planejamento de atividades, escolha dos melhores métodos e materiais, definição de horários e responsabilidades e prestação de contas.
A definição clássica de educação está relacionada à palavra Latina educere ou educare, que tem o sentido de “trazer para fora”, “conduzir”, “guiar” e “fazer crescer”1. Portanto, educação envolve um aspecto interno, de extrair e desenvolver o potencial individual de cada educando e abrange também um aspecto externo, de nutrição, comunicação de conhecimentos, de direcionamento e formação para a vida comunitária e cidadã.
Com base nessas considerações, é legítimo afirmar que a educação é uma necessidade fundamental de todos os seres humanos e, por isso, é igualmente um direito humano fundamental e natural. Os seres humanos precisam ser educados e somente por meio da educação é que a personalidade e as potencialidades são desenvolvidas. Da mesma forma, a família é o primeiro e mais seguro contexto no qual as potencialidades individuais são nutridas, cuidadas, direcionadas e conduzidas para situações que permitam o pleno desenvolvimento.
Em todo processo educativo digno da condição humana, deve-se atentar ao respeito às diferenças e às singularidades e às diversidades do educando. Na Educação Domiciliar, os pais dispõem de maiores oportunidades para ofertar esse tipo de educação centrado no potencial e interesse do educando.
A educação envolve a comunicação dos conhecimentos acumulados historicamente e também o aprendizado para a vida em sociedade e para o pleno exercício da cidadania, a qual está relacionada ao pertencimento responsável a um contexto social.
No contexto da Educação Domiciliar, é possível o acesso a diferentes abordagens pedagógicas de acordo com os diferentes estilos de aprendizagens dos estudantes.
[1] Definição baseada no Dicionário Webster 1828. Disponível em http://webstersdictionary1828.com/
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2 – A Educação Domiciliar – Experiência Internacional
A Educação Domiciliar é reconhecida em países como a Inglaterra, Portugal, Israel, África do Sul e Rússia, entre muitos outros.
Na África do Sul, é estimado que entre 50 a 75 mil famílias educam seus filhos em casa. Na Rússia, o número é de 70 mil. Nos Estados Unidos, existem mais de dois milhões e meio de estudantes nessa modalidade e a forma de regulamentação varia de estado para estado. Em alguns estados norte-americanos, as crianças não são submetidas a nenhuma forma de avaliação oficial. Em outros, há a exigência de provas e relatórios de comprovação do aprendizado, variando também entre estes a frequência com que essas exigências devem ser atendidas.
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3 - A Educação Domiciliar é uma novidade?
A Educação Domiciliar vem sendo praticada há muito tempo, em diferentes países, inclusive no Brasil.
Carol, mãe de Daniel, nasceu nos Estados Unidos e veio para o Brasil com a família, quando tinha 3 anos de idade. Estudou em casa, em regime de Educação Domiciliar, seguindo um currículo internacional utilizado em várias partes do mundo por diplomatas e homens de negócios e outros. Assim foi sua formação até a 7ª série, quando seus pais decidiram matriculá-la na escola. Carol não teve dificuldades para acompanhar o ritmo da educação escolar. Após concluído o ensino médio, entrou para a universidade e cursou pedagogia.
Carol e seu esposo Mike tiveram seis filhos e todos eles foram educados de acordo com a modalidade de Educação Domiciliar. Seu filho Daniel atualmente é major da Força Aérea dos Estados Unidos e pratica a Educação Domiciliar com seus dois filhos Benjamin e Alex, netos da Carol e do Mike.
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4 – Qual é a situação da Educação Domiciliar no Brasil, atualmente?
Segundo estimativas divulgadas por algumas associações de famílias educadoras, cerca de 17 mil famílias estão já praticando a Educação Domiciliar. Isso equivale a aproximadamente 35 mil estudantes.
Em diferentes cidades brasileiras, desde as grandes capitais até pequenas cidades das mais distantes regiões do Brasil, existem famílias optando pela Educação Domiciliar e colhendo os frutos desse esforço. Essas famílias geralmente mantêm estreito contato com outras famílias educadoras, formando redes de apoio, organizando seminários, simpósios e congressos para troca de experiência e reciclagem na formação dos pais.
As estimativas referentes ao número de famílias educadoras no Brasil estão fundamentadas, em parte, nos dados desses eventos e na quantidade de famílias que procuram por materiais didáticos preparados para essa modalidade. Outro dado levado em conta é a quantidade de pessoas que entram em contato com as diferentes associações, em busca de informação e ajuda.
Cabe destacar que o Supremo Tribunal Federal, no âmbito de julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 888815, com repercussão geral reconhecida, considerou constitucional a prática de Ensino Domiciliar a crianças e adolescentes, em virtude da sua compatibilidade com as finalidades e os valores da educação infanto-juvenil, expressos na Constituição de 1988. Foi ressaltada, entretanto, a necessidade de regulamentação da matéria, em lei, com base em limites constitucionais. Constam dos votos dos ministros, preceitos e regras a serem seguidos pela lei, entre os quais estão incluídos cadastramento dos estudantes, avaliações pedagógicas e de socialização e frequência, até para que se evite uma piora no quadro de evasão escolar, disfarçada sob o manto do ensino domiciliar.
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5 – Como os pais conseguem ensinar tudo o que é ensinado na escola?
Tanto os pais que começaram a praticar a Educação Domiciliar há bastante tempo quanto os que estão iniciando agora, têm consciência da necessidade de seguir um currículo estruturado, utilizando diferentes fontes de pesquisa para aprofundar conceitos, comparar pontos de vista sobre o tema e compreender a linha do tempo do assunto, buscando discernir as relações entre os diferentes conteúdos e disciplinas. Assim, ao estudar um tópico de história ou geografia, é sempre muito útil associar o estudo de biografias dos personagens mencionados e escrever artigos e ensaios para registrar e consolidar o aprendizado.
Os diferentes materiais didáticos e métodos são utilizados de acordo com o nível de desenvolvimento e interesse de cada criança e de acordo com o interesse e nível de desenvolvimento do grupo de crianças, sempre que são organizadas atividades coletivas.
As condições adequadas para a educação existem quando cada criança é vista à luz de sua própria individualidade, necessidades e demandas.
Considerando que todas as crianças têm também necessidade de interações múltiplas, algumas famílias associam as atividades acadêmicas e sociais, formado pequenos grupos de estudo que são beneficiados com a experiência acadêmica dos próprios pais educadores ou de especialistas em determinadas áreas. O que distingue a Educação Domiciliar é a responsabilização direta dos pais pela supervisão da educação dos filhos.
Alguns pais já utilizavam ensino remoto em algumas disciplinas, mesmo antes da pandemia, dando aos filhos a oportunidade de terem aulas de inglês, por exemplo, com um bom professor que mora em outro estado. Ao contrário do que pode parecer, esse não é um privilégio de famílias com alto poder aquisitivo. Famílias que vivem com poucos recursos são ajudadas por parentes ou amigos da família que, mesmo morando longe, participam do processo educativo.
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6 - Quais métodos as famílias utilizam?
Existe uma diversidade de métodos e materiais utilizados e as famílias geralmente vinculam-se a outras e trocam experiências em relação a isso. Apesar da variação dos métodos, são bastante frequentes os métodos ativos, a utilização da pesquisa dirigida e o compartilhamento das descobertas. Aulas expositivas também fazem parte do dia a dia e são aproveitadas as oportunidades de relacionar fatos da vida diária com os temas que voltam à cena, motivados por uma notícia, uma viagem ou outro acontecimento que permite esta integração do conhecido com o novo.
Em diferentes cidades do Brasil, grupos de famílias educadoras se reúnem semanalmente, algumas vezes para atividades regulares de compartilhamento de aprendizagens das crianças e de experiências dos pais, outras vezes para celebrações especiais de datas cívicas ou conclusão de fases de estudos.
Para esses eventos, as próprias crianças escrevem ensaios, preparam vídeos, ensaiam e apresentam peças teatrais e musicais, fazem cartazes, decoram poemas e elaboram e proferem discursos, tudo dependendo da idade e do conteúdo que estão estudando.
As famílias educadoras também costumam manter registro de todas as atividades realizadas pela criança, seja individualmente ou em comunidade.
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7 - Mas, e a socialização não fica prejudicada?
Socialização é o processo por meio do qual são aprendidos os costumes, atitudes e valores de determinado grupo social, comunidade ou cultura (New Dictionary of Cultural Literacy) ou ainda, “o processo de aprender a fazer parte de uma sociedade” (Robert Epsptein).
No dia a dia das famílias educadoras são promovidas incontáveis oportunidades de socialização fundamentada na convivência intencional e responsável com grupos de idades diferentes, de classes sociais distintas e com múltiplos interesses. Essa forma de socialização proporciona maior abrangência de compreensão sobre diferentes pontos de vista e diferentes formas de reação às questões corriqueiras, tanto quanto em relação aos temas fundamentais da existência humana. Assim, as crianças ficam aptas para as experiências de socialização que acontecem no contexto normal da vida como no ambiente em que moram, no condomínio ou no bairro, nos diferentes ambientes sociais que as crianças e as famílias frequentam.
Além disso, a socialização também acontece por meio dos textos lidos, dos filmes assistidos e da interação que atualmente é possível por meio das redes sociais e da internet. Os personagens de uma história podem se tornar referenciais de cultura, de valores, princípios, crenças e comportamentos. Ao assistir um desenho animado, a criança pequena já está sendo exposta a formas de comportamento de personagens com os quais ela se identifica, positiva ou negativamente. Jogos e eventos on-line também promovem a integração e desenvolvem o espírito de solidariedade e de cooperação entre crianças e adolescentes, com aprendizados sobre as condutas, valores e normas dos grupos (com a devida orientação e proteção que o ambiente on-line exige). Assim, a socialização acontece mesmo quando não saímos de casa.
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8 – Socialização e desempenho acadêmico são complementares?
“A verdadeira socialização acontece na convivência com crianças de idades diferentes e com adultos em diferentes contextos da vida real”, afirmou Letícia Rebeca Souza Barbosa, 12 anos, em seu discurso na Assembleia Legislativa de Recife, em 2019.
Convidada a proferir esse discurso no encerramento de um seminário sobre Educação Domiciliar, Letícia foi orientada pelos pais (que são seus principais professores) a pesquisar e identificar um discurso clássico que pudesse servir de referencial e modelo. Letícia aproveitou a oportunidade para colocar em prática seus conhecimentos de oratória, utilizando os cânones da retórica: a invenção, organização, elocução, memória e apresentação.
Tendo domínio do assunto que estudou enquanto elaborava sua apresentação, Letícia não teve maiores dificuldades na hora de defender seu ponto de vista diante de parlamentares e de várias famílias educadoras, muitas conhecidas e muitas outras que ela encontrava pela primeira vez.
Abaixo, são apresentados, como exemplos de socialização e capacidade acadêmica, alguns trechos do discurso:
Na Educação Domiciliar podemos ter aulas também com tutores de outros estados e até de outros países. Eu tive algumas aulas com um professor catarinense, e posso dizer que foi uma grande experiência para mim e muito importante para meus estudos de inglês, além de ter o benefício de conhecer novos hábitos de um lugar tão distante de Pernambuco. Isso nos mostra que, em plena era de revolução tecnológica na qual fronteiras são rompidas, não podemos nos limitar a um único modo de aprender.
Além do contato com aqueles dos quais somos parte, podemos conhecer outros mundos, outras culturas; pessoas que jamais conheceríamos se não tivéssemos tempo em casa para nos dedicar a construir relacionamentos que vão além dos meninos da nossa idade ou colegas de nosso mesmo padrão social. Somos desafiados a sermos amigos do idoso vizinho que vai tomar ar todas as tardes, do bebê que vai tomar sol no parquinho, do zelador, da administradora do prédio, das crianças, filhas dos amigos dos nossos pais, de todo tipo de gente, credos, raças ou idades. O mundo real é assim, não se divide por idades e não deveriam colocar pobres e ricos em lugares diferentes.
Há muitos trabalhos que fazemos, desde os filantrópicos nas comunidades, nas igrejas, nas entidades de apoio social e até na política, que é o que estou fazendo aqui. Temos também tempo para usar o espaço público. Vamos a parques, bibliotecas públicas, museus e zoológicos.
(...)Eu quero concluir, adaptando parte do discurso I have a dream, do herói Martin Luther King, que ele proferiu nas escadarias do Memorial Lincoln, em Washington DC, nos Estados Unidos, há 56 anos.
Eu estou aqui, neste lugar tão bonito, para dizer que os senhores precisam fazer alguma coisa por nós, por mim. (...)
Eu acredito que o verão sufocante da insatisfação legítima das famílias educadoras não passará até que chegue o revigorante outono da liberdade e da igualdade.
(...)A sede da liberdade não será saciada bebendo da taça da amargura e do ódio. Conduziremos nossa luta nos níveis mais avançados da dignidade e disciplina, assim como somos dentro dos nossos lares. Afinal, nossa luta será vã se, ao ganhar, perdermos aquilo que nos trouxe até aqui: o amor, o respeito, a disciplina, a alma.
(...)As crianças são conhecidas por terem sonhos mirabolantes; e eu tenho um sonho. Eu tenho um sonho de que um dia, as crianças de Pernambuco viverão o verdadeiro significado de ser criança, sabendo que todas, escolarizadas ou não, são criadas iguais. Eu tenho um sonho que um dia, dos morros da Zona Norte, nos parques, na orla de Boa Viagem, em cada lugar deste nosso Pernambuco, as crianças filhas dos pais educadores, brincarão sem medo de serem perguntados em qual escola estudam. Eu tenho um sonho de que meus irmãos e amigos um dia viverão num Pernambuco onde não serão julgados pela matrícula na escola, mas pelo conteúdo do seu caráter e da sua formação mais nobre e elevada."
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9 - A facilidade de socialização de estudantes da Educação Domiciliar
Em diversas regiões do Brasil, crianças de diferentes classes sociais têm obtido excelentes resultados acadêmicos e elevado nível de socialização e de potencial de exercício da cidadania sem nenhum traço de isolamento ou segregação.
Em fevereiro de 2021, crianças de uma cidade do interior de São Paulo juntaram-se a outras do Distrito Federal em uma visita ao Ministro da Educação (MEC). As crianças, que ainda não se conheciam, em poucas horas de convívio e ensaio foram capazes de realizar uma apresentação musical, lerem trabalhos escritos por elas mesmas e apresentarem dados sobre o método de educação com o qual estão sendo educadas.
O Sr. Ministro de Estado da Educação, Milton Ribeiro, juntamente com o secretário-executivo adjunto, os titulares da Secretaria de Educação Básica (SEB), Secretaria de Alfabetização (Sealf), Secretaria de Modalidades Especiais de Educação (Semesp) e alguns assessores, recebeu as crianças e seus pais na Sala de Atos, onde foram realizadas as apresentações já mencionadas.
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10 - Qual é o propósito da regulamentação da Educação Domiciliar?
A regulamentação da Educação Domiciliar é de extrema relevância para que seja respeitado e defendido o direito à liberdade dos pais educarem seus filhos e o direito dos filhos à educação de qualidade, visando seu desenvolvimento pessoal, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho e para as demais áreas da vida.
Muitos pais já comprovaram ser capazes de oferecer aos filhos educação de qualidade com liberdade e flexibilidade de horários e currículos. Quem conhece a realidade dessas famílias percebe o nível de envolvimento dos pais com o desenvolvimento integral das crianças. Eles não medem esforços para potencializar os resultados da educação oferecida em casa.
O direito a essa liberdade e a essa educação de qualidade requer a regulamentação da modalidade.
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11 - Quais são os outros benefícios da regulamentação?
A regulamentação da Educação Domiciliar representa alguns avanços na luta por educação de qualidade para as novas gerações de brasileiros:
- 1 – é mais uma opção:
A regulamentação da Educação Domiciliar representa a oferta de MAIS UMA opção de educação de qualidade para jovens e crianças e não deve ser confundida com nenhum retrocesso na oferta de escolas públicas e privadas nas quais seja oferecida educação de qualidade para todas as crianças cujos pais não tenham interesse na Educação Domiciliar. - 2 - Assegura o cumprimento do direito das famílias à liberdade educacional:
A liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber é um princípio constitucional. As famílias educadoras têm ensinado seus filhos a pesquisar, a compartilhar conhecimentos, a desenvolver seu potencial artístico e acadêmico. Assegurar o cumprimento desse direito permitirá que muitos talentos sejam desenvolvidos, podendo resultar em benefícios para a sociedade e para a nação. - 3 - Favorece a distinção entre o exercício do direito à liberdade educacional e o crime de abandono intelectual:
Muitas famílias das mais diferentes classes sociais têm sido acusadas pelo crime de abandono intelectual quando, na verdade, estão dando aos seus filhos educação de elevadíssima qualidade. A regulamentação da modalidade permitirá ao poder público fazer a distinção necessária para não cometer a injustiça de confundir pais omissos com pais que levam a sério sua responsabilidade pela educação de seus filhos. - 4 - Traz clareza em relação às estatísticas sobre evasão escolar, distinguindo entre os que deixaram a escola para estudar em casa e aqueles que abandonaram os estudos:
Vários adolescentes e jovens têm abandonado a escola. Não cabe aqui discutir as razões da evasão ou abandono. Entretanto, parte dessa população de estudantes tem encontrado na Educação Domiciliar uma opção mais adequada às suas necessidades, estilo de aprendizagem e interesses. Muitos deles prestam exames para obter a certificação necessária e ingressam nas Universidades, inclusive, nas públicas.
Com a regulamentação, esses adolescentes e jovens não mais serão contados entre aqueles que simplesmente deixaram de estudar por outros diferentes motivos. - 5 - Proteger as famílias educadoras contra o preconceito e a discriminação:
O preconceito foi apontado por alguns estudantes e por pais e mães como sendo um grande inconveniente resultante da prática considerada ilegal. Crianças e adolescentes que estudam em casa não têm direito a alguns benefícios que outros estudantes possuem, como carteira de estudante para acesso a museus, bibliotecas públicas ou cinemas e teatro. A regulamentação evitará discriminações e trará a essas crianças e adolescentes a garantia desses direitos. - 6 - Estimular o exercício da cidadania e do trabalho voluntário entre as famílias educadoras que desenvolvem atividades em conjunto:
Famílias educadoras já realizam trabalhos voluntários por considerarem que a oportunidade de servir ao próximo é uma oportunidade de aprender de um modo ainda mais efetivo. Essa forma de atuação cidadã será potencializada com a regulamentação da modalidade.
- 1 – é mais uma opção:
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12 - Qual é o conceito de currículo na Educação Domiciliar?
Na Educação Domiciliar, o conceito de currículo é muito importante.
Currículo é caminho a ser percorrido; é plano de percurso a ser traçado e seguido. O currículo representa as expectativas de uma geração em relação à próxima. O currículo tem a ver com o “onde” a criança, o adolescente e o jovem podem chegar e com os meios necessários para que atinjam o alvo.
Portanto, os pais educadores têm objetivos educacionais a serem alcançados e trabalham com esses alvos diante de si. Assim, cada situação pode ser utilizada com intencionalidade pedagógica, com leveza, alegria e descontração.
Mas a regularidade das ações pedagógicas é levada a sério e são feitos registros criteriosos dos avanços e das conquistas diárias.
Além disso, cabe destacar que, conforme a decisão do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Recursos Extraordinário (RE) 888815, com repercussão geral reconhecida, a regulamentação da Educação Domiciliar no Brasil deverá garantir a existência de um núcleo mínimo curricular.
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13 – A Educação Domiciliar na história mundial
Muitas pessoas que mudaram a história do mundo foram educadas na modalidade de Educação Domiciliar e se tornaram autodidatas. Apresentamos algumas breves informações sobre alguns desses personagens, apenas como exemplos, escolhidos entre muitos outros que poderiam ser aqui citados:
Benjamin Franklin
Nos seus primeiros anos, Ben Franklin foi educado pelo pai e pelos irmãos mais velhos, tendo frequentado uma escola regular apenas durante dois anos. Desde o primeiro contato com os livros, Ben tornou-se um entusiasta pela busca do conhecimento, preferindo ficar sem se alimentar do que ficar sem leitura. Aos 16 anos, ele já escrevia para um jornal de Boston, utilizando um pseudônimo. Aos 19, tinha seu próprio jornal. Sempre dedicado aos livros, tornou-se um exímio escritor, jornalista e embaixador dos Estados Unidos na França. Como cientista (também autodidata) pesquisou o fenômeno da eletricidade e inventou o para-raios. Inventou instrumentos musicais e utensílios domésticos, como o Franklin Stove, uma espécie de lareira de ferro com um dispositivo para impedir que a fumaça se espalhasse no ambiente.
Benjamim Franklin é ainda um dos signatários da Declaração da Independência e da Constituição Norte-Americanas.
Influenciou poderosamente o desenvolvimento de sua nação, criando bibliotecas públicas, universidades, correio, corpo de bombeiros e muitas outras instituições de interesse público.William Wilberforce
Considerado um dos principais reformadores sociais da história, tornou-se membro do Parlamento Britânico aos 21 anos de idade. Durante 46 anos, lutou no Parlamento contra o tráfico de escravos e pela abolição da instituição da escravatura. Fundou e apoiou mais de 60 instituições filantrópicas, entre elas, associações de proteção aos animais, escolas e hospitais. Organizou movimentos, uniu pessoas em torno de ideias de reformas sociais, estabeleceu vínculos com pessoas que tinham crenças diferentes, mas que partilhavam de ideais semelhantes. William Wilberforce foi profundamente influenciado num contexto de Educação Domiciliar, principalmente na casa do avô.
Mercy Otis Warren
Mercy aprendeu a ler e escrever com o mesmo tutor que ensinava seus irmãos. Entretanto, foi muito além deles em sua paixão pela literatura, pela história universal e pelas questões políticas, tanto do passado quanto de seu tempo. Apoiada pelo pai, irmãos amigos e pelo marido, Mercy participou dos movimentos pela Independência Norte-Americana, escrevendo textos para jornais, poemas e peças teatrais em tons declaradamente políticos. Depois da independência, quando eram discutidos os itens da Constituição da nova nação, Mercy Otis Warren escreveu em defesa de uma Carta de Direitos Humanos contra a possível e previsível tirania de um estado centralizador. Alguns estudiosos enfatizam ser de Mercy Otis Warrem a primeira defesa dos direitos humanos no mundo moderno. Finalmente, Mercy escreveu a obra History of The Rise, Progress and Termination of The American Revolution (História do surgimento, progresso e término da Revolução Americana), um detalhado relato da história da independência, contendo dados de uma testemunha ocular da história.
Barão de Mauá
Irineu Evangelista de Souza, nasceu em 1813 e ficou órfão de pai aos 5 anos de idade. Algumas fontes mencionam sua mãe como sendo a responsável por sua alfabetização. Outra fonte informa que foi alfabetizado por um tio, aos 8 anos. De qualquer forma, não há evidências de que ele tenha frequentado escola. Há um registro de que, aos 9 anos, passou a morar com outro tio, o qual era comandante de navio da marinha mercante e que, nessa época, o menino Irineu assumiu o compromisso de estudar sozinho.
Tendo grande genialidade para os negócios, aos 16 anos, tornou-se sócio em alguns empreendimentos comerciais. Aos 19 anos, começou a trabalhar numa empresa de importação e aprendeu a falar inglês. Poucos anos depois, tornou-se industrial, sendo o responsável pela construção das primeiras grandes indústrias do país. Construiu uma fundição, um estaleiro, engenhos de açúcar a vapor e uma estrada de ferro. Recebeu do Imperador, Dom Pedro II, o título de Barão de Mauá. Foi um fervoroso abolicionista, lutando pela valorização do trabalho livre e remunerado, em oposição ao trabalho forçado.
Antonio Carlos GomesAntônio Carlos Gomes nasceu em 1836 e perdeu a mãe quando tinha poucos anos de idade. Seu pai reuniu os filhos e com eles organizou um grupo musical. Mais tarde, Carlos Gomes se tornou o responsável pelo conjunto musical familiar. Aos 15 anos, já compunha valsas, quadrilhas e polcas. Aos 18 anos, ele compôs uma de suas grandes obras, a Missa de São Sebastião. Carlos Gomes desenvolvia seus estudos musicais principalmente como estudante de seu próprio pai e como autodidata. Com 27 anos de idade recebeu uma bolsa de estudos para estudar música na Europa, indo para Milão, onde compôs a ópera O Guarani, a mais conhecida de suas obras.
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14 – Algumas personagens da atual Educação Domiciliar no Brasil
A Educação Domiciliar continua fazendo história.
No início dos anos 1990, foi criada uma cooperativa de pais educadores. Nessa época, representantes dessas famílias visitaram Brasília, conversaram com parlamentares e ministros. De lá até aqui, muitas dessas crianças tornaram-se profissionais e cidadãos bem adaptados a todas as áreas da vida.
Juliana Louback estava entre as crianças que visitaram Brasília em 1998, juntamente com suas famílias. Juliana fazia parte do coral infantil que, na época apresentou-se no Palácio do Planalto.
Juliana estudou em casa até o final da educação básica. Com o Enem, ela obteve o certificado de conclusão do ensino médio e ingressou na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tendo excelentes hábitos de leitura, Juliana não teve dificuldades na Universidade, conquistando também oportunidades de realizar intercâmbios internacionais e cursar o mestrado.
Atualmente, Juliana é Engenheira Sênior em uma companhia norte-americana, a Jemini Trust Company. Ela já trabalhou na Microsoft e no Google.
Muitos outros jovens têm conquistado a universidade, o sucesso profissional e a possibilidade de exercer responsavelmente sua cidadania por meio da Educação Domiciliar. Seguem alguns exemplos:
- 1. KARLO ANDRÉ BAILON, 18 ANOS, RORAIMA
Karlo começou a estudar em casa aos 14 anos. Conseguiu seu diploma de conclusão do ensino médio por meio do Encceja e, no início de 2018, foi aprovado para Medicina na Universidade Federal de Roraima, por meio do Enem (1º lugar em sua cota) e pelo Vestibular (1º lugar geral). O sucesso acadêmico do estudante não parou por aí, pois também foi aprovado em Medicina na Universidade Estadual de Roraima. Karlo afirma que a Educação Domiciliar lhe ensinou a ter mais responsabilidade, a estudar melhor e a se relacionar mais com a família e com os seus amigos. - 2. MÁLI GODOY, MINAS GERAIS, 17 ANOS.
Estuda em casa desde o início do fundamental II. O ponto fraco da estudante era a língua portuguesa. Como ela mesma define, seu português era “simplesmente caótico”. Máli aprendeu tanto estudando em casa, que se tornou escritora. Escreveu uma trilogia de aventuras, cujo primeiro livro, “O Misterioso Caminho da Vida”, despertou o interesse de uma Editora Multinacional (Chiado), que já o publicou. Também foi publicado em 2019 o segundo livro dessa trilogia, chamado “Em Cada Encruzilhada”. - 3. GUILHERME GARCIA ROSA, 19 ANOS, PARANÁ
Guilherme afirma que tinha caligrafia ruim, péssimo desempenho em literatura e gramática, e não gostava de ler, quando seus pais o tiraram da escola e optaram pela Educação Domiciliar. Ele tinha apenas 9 anos na época. Hoje, 11 anos depois, Guilherme afirma que a Educação Domiciliar mudou tudo isso. Melhorou sua escrita, desenvolveu gosto pela leitura e isso o levou ao mundo da Economia, ciência pela qual ele se apaixonou. Foi emancipado e conseguiu um emprego na área de projetos de uma companhia no estado do Paraná. Foi promovido e atualmente trabalha na mesma empresa como analista de dados. Guilherme afirma que a Educação Domiciliar o amadureceu bastante. Obteve o seu certificado pelo Encceja no ano passado, quando completou 18 anos, e agora cursa Ciência de Dados numa universidade e está empreendendo um negócio junto a um colega de trabalho. - 4. VICTOR HUGO DUQUE, 19 ANOS, SÃO PAULO
“Homeschooling para mim foi muito mais do que um modelo diferenciado de estudos, foi um portal para o meu desenvolvimento pessoal e profissional.” É assim que Victor Hugo define sua relação com a Educação Domiciliar, embora tenha começado a prática aos 15 anos. Os resultados não demoraram a vir. Ele foi aprovado em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora e em Administração Pública pela FGV-EAESP, em que estuda atualmente. Ele completa: “Agora na faculdade, percebo que o homeschooling não é um sistema de estudos, assim como é o sistema regular de ensino. Na verdade, homeschooling para mim é um modo de vida.” - 5 - REBECA MEDEIROS, 20 ANOS, PARANÁ
“Recuperei a minha autoestima, perdendo o medo de me expressar, e expor minhas ideias. E, depois disso, passei a me socializar muito mais e com as pessoas de todas as faixas etárias”. Essa é uma das conquistas que a Educação Domiciliar trouxe à Rebeca, que optou por seguir uma carreira com a qual se identificasse. Atualmente, aos 20 anos, estuda fotografia e está concluindo seu curso de francês, idioma pelo qual é apaixonada. Em 2020, Rebeca foi aprovada no Vestibular para Medicina e está adorando o curso.
- 1. KARLO ANDRÉ BAILON, 18 ANOS, RORAIMA
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15 – E como tem caminhado a luta pela regulamentação, ao longo desses anos?
Enquanto esses jovens eram educados sob a direção de seus pais e depois continuavam seus estudos e ingressavam no mercado de trabalho, 17 Projetos de Lei foram apresentados na Câmara dos Deputados e no Senado. Entre esses, 6 foram arquivados, 10 ainda estão em tramitação e 1 foi devolvido ao autor.
O Brasil não pode mais esperar.
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1 – O que é Educação Domiciliar?