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PALEONTOLOGIA

Brasil tem fóssil de cica mais antigo do mundo

Trabalho publicado na Review of Palaeobotany and Palynology comprova a existência da planta já há 280 milhões de anos
Publicado em 22/07/2021 14h13

Um estudo conduzido pelo doutorando brasileiro Rafael Spiekermann, bolsista da CAPES na Universidade de Tübingen (Alemanha), descobriu que o Brasil tem um fóssil de 280 milhões de anos de uma Cycadales, planta ornamental muito comum em todo o planeta. O trabalho, que teve participação de pesquisadores da Universidade do Vale do Taquari (Univates), do Museu de História Natural Senckenberg, de Frankfurt, na Alemanha, e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi publicado na Review of Palaeobotany and Palynology, em junho. 

A pesquisa revelou que o fóssil, mantido no Museu da Terra, no Rio de Janeiro, não era, como se imaginava, uma espécie de licófita, e que as conclusões paleobotânicas, até então, estavam equivocadas. Além disso, Rafael Spiekermann demonstrou que o Brasil possui o fóssil mais antigo, e em perfeito estado de conservação, da planta. Exemplares similares, apenas na forma de fragmentos de folhas, existem na China.

“O mais interessante desta pesquisa é que conseguimos descobrir a existência de uma planta que atravessou 280 milhões de anos, sofrendo vários cataclismos ambientais e, pelo menos, cinco grandes momentos de extinção de quase toda a vida no planeta, mantendo-se inalterada. Este é um enigma que ainda precisaremos responder. Como uma planta conseguiu sobreviver tanto tempo no planeta sem ter sido modificada ou extinta”, observa Spiekermann. 

O estudo conseguiu ainda comprovar que a ordem das plantas cicadales estava presente no planeta já no Período Permiano, no supercontinente Gondwana, que existiu entre 550 milhões e 180 milhões de anos. André Jasper, paleobotânico da Univates explica que , “na área da paleobiologia esse fóssil é muito importante, pois permite indicar que todo o grupo de cicas surgiu antes do que se imaginava”. Com a descoberta, o fóssil, encontrado na formação de Irati, na Bacia do Paraná, em São Paulo, foi batizado com o nome científico de Iratinia australis. “Esse fóssil tem a capacidade de alterar a compreensão das relações evolutivas entre os organismos vegetais”, conclui o professor. 

Assessoria de Comunicação Social  do MEC com informações da CAPES