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IBGE revela mudanças na vida da população brasileira
Expectativa de vida mais alta está entre as mulheres 76,5 anos, contra 69 anos dos homens
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 20007 verificaram a quebra de algumas barreiras para melhoria das condições de vida dos brasileiros. Pela primeira vez, desde o início dos anos 1990, 51,1% dos trabalhadores passaram a contribuir para a Previdência Social. Também de forma inédita, a ampliação de acesso à rede de esgoto atende metade da população brasileira (51,3%). Quase 2/3 dos domicílios urbanos têm simultaneamente acesso aos serviços de água, esgoto e lixo.
Na mesma direção dos avanços, há maior formalização do mercado de trabalho. Em 2007, aumentou em dois pontos o percentual da população ocupada: 35% contra 33,1%, em 2005. Outra boa notícia é a recuperação do rendimento médio mensal do trabalhador que atinge, em 2007, o máximo da recuperação iniciada em 2003: de R$ 831 para R$ 960.
Mulheres vivem mais
Ontem (25/9), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a Síntese de Indicadores Sociais, baseada na PNAD que investigou cerca de 400 mil pessoas em quase 148 mil domicílios. Segundo o estudo, a expectativa de vida do brasileiro ao nascer aumentou 3,4 anos entre 1997 e 2007, indo de 69,3 para 72,7 anos de idade. A expectativa de vida mais alta está entre as mulheres- de 73,2 para 76,5 anos, enquanto para os homens o salto foi de 65,5 para 69 anos. O Brasil de hoje possui cerca de 20 milhões de idosos. A população de idosos subiu 47,8% em dez anos. No ano passado, a aposentadoria incorporou-se como renda em 53% dos domicílios.
Envelhecimento da população
A taxa de fecundidade recuou 66% em menos de 40 anos - era de 5,8 filhos por mulher de 15 a 49 anos em 1970, e chegou a 1,95 em 2007, abaixo do nível de reposição da população. Por conta deste fenômeno e dos avanços nas áreas de saneamento básico e saúde, a população brasileira vem envelhecendo a taxas significativas. O Brasil de hoje possui cerca de 20 milhões de idosos, o que significa um aumento de 47,8% em dez anos. Além de representarem uma parcela importante da população, os idosos têm se revelado fundamentais para o sustento de suas famílias. No ano passado, em 53% dos domicílios a contribuição da renda dos idosos representava mais da metade do total da renda domiciliar.
Novos arranjos familiares
Além do crescimento da proporção de famílias chefiadas por mulheres (que atingiu 33%, em 2007) outro importante fenômeno é verificado: o aumento de 95% no número de casais sem filhos em que ambos os cônjuges tinham renda. Enquanto em 1997 este tipo de arranjo familiar era da ordem de 997 mil, em 2007 já atingia cerca de 2 milhões de casais. Esse tipo de arranjo ocorre com casais com renda mais alta, a maioria com renda média per capita de 3,5 salários mínimos, o que os coloca entre os 10% mais ricos da população.
Redução da pobreza em 25%Melhorias da economia, formalização do trabalho e programas de transferência de renda impulsionaram a redução do número de famílias com renda per capita de até meio salário mínimo. Em dez anos, atingiu-se 25% de redução: 31,6%, em 1997, para 23,5%, em 2007. Entretanto, especialistas do IBGE, afirmam que número de famílias em condições de pobreza ainda é muito expressivo para a riqueza do País.
Desafios para a educação
O analfabetismo e melhor aproveitamento escolar continuam desafios da área educacional. Mesmo com os avanços da última década, 28,3 milhões de crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos tiveram freqüência de 97,6%, embora 2,1 milhões de alunos não sabiam ler e escrever.
Desigualdades raciais
O ingresso de brancos e negros no ensino superior ainda é diferenciada e mais distante, apesar das políticas de acesso adotadas pelo governo federal e das 60 universidades com reserva de vagas. Em 1997, 9,6% de brancos tinham nível superior completo, patamar que foi elevado para 13,4% no ano passado. Ao mesmo tempo, o percentual de pretos e pardos com terceiro grau completo passou de 2,2% para 4%. Pesquisadores do IBGE consideram que o acesso de pretos e pardos é menor e mais difícil nas universidades públicas.
De acordo com o levantamento, os brancos representam 25% do estrato dos 10% mais pobres do Brasil, ao passo que somam 86% da parcela 1% mais rica do País. Por outro lado, os pretos e pardos respondem por 74% dos mais pobres e somente 12% dos mais ricos. Nas estatísticas, negros é a soma de pretos e pardos.