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Faperj investe mais recursos em monitoramento genético do coronavirus.

Publicado em 21/06/2021 12h34 Atualizado em 21/06/2021 13h17
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A Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro - FAPERJ, ampliou os investimentos na rede Corona-Ômica-RJ para o monitoramento do coronavírus.

Dos 92 municípios fluminenses, 91 já estão sendo monitorados. De março até junho de 2021, 1.823 amostras já foram sequenciadas e processadas no supercomputador Santos Dumont, do Laboratório Nacional de Computação Científica - LNCC, instituição vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI. Apenas o município de Comendador Levi Gasparian ainda não tem amostras coletadas.

Os resultados descrevem uma nova linhagem descendente da VOC gamma (P.1) que foi denominada de P.1.2. Esta linhagem foi inicialmente encontrada na região norte do Estado e agora já está disseminada em todas as regiões do Estado do Rio e em outros estados. O monitoramento também identificou uma possível nova linhagem, originária da P.1.1.28, na região de Porto Real, na divisa com o Estado de São Paulo. Esta linhagem possui, dentre outras, duas mutações na proteína Spike (E484Q e N501T) que podem estar associadas ao escape do sistema imunológico e com transmissibilidade do vírus. Os dados de monitoramento ainda mostram que a linhagem P.1 continua sendo a mais frequente (78%) no Estado e, a baixa frequência da VOC Alpha (B.1.1.7) e o declínio da P.2, desde novembro do ano passado.

Os dados são de pacientes com diagnóstico confirmado da infecção pelo SARS-CoV-2 monitorados em centros de referências e hospitais do Estado do Rio de Janeiro. Os relatórios são emitidos a cada 15 dias com os dados atualizados de 380 amostras sequenciadas no período e que, imediatamente, são disponibilizadas no endereço eletrônico http://www.corona-omica.rj.lncc.br/#/.

Segundo Ana Tereza Vasconcelos, do LNCC, o monitoramento municipal e em tempo real, realizado pelo Rio de Janeiro, é extraordinário para o Brasil, e está dentro das recomendações da Organização Mundial da Saúde que preconiza 18 dias como intervalo ideal entre a divulgação de novos dados. Aqui, o material é enviado pelo Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels e pela Unidade de apoio ao diagnóstico da covid(UNADIG) ao Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ, coordenado pelo professor Amilcar Tanuri, que faz a extração do material. Em seguida, é sequenciado e analisado no LNCC, em Petrópolis, e os resultados saem em apenas cinco dias.

- Até o momento, o monitoramento não apresentou nenhuma nova cepa em circulação no Estado que cause preocupação relevante para o cenário epidemiológico, mas a vigilância segue investigando as modificações sofridas pelo SARS-CoV-2 e aprofundando os efeitos apresentados - esclarece Cláudia Mello, subsecretária adjunta da Secretaria de Estado de Saúde e idealizadora da pesquisa.

A Rede Corona-Ômica-RJ é integrada por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores de laboratórios de diferentes instituições do Estado do Rio de Janeiro, incluindo além do LNCC e da UFRJ, a Secretaria Estadual de Saúde, Secretária Municipal do Rio de Janeiro, pesquisadores da Uerj, Uenf, Fiocruz e FGV. O projeto tem como foco o monitoramento epidemiológico do vírus SARS-CoV-2 por meio da vigilância genômica, a identificação de mutações e caracterização de novas linhagens. Além disso, atua na identificação e caracterização de fatores genômicos virais e do hospedeiro acometido pela covid-19 associados às manifestações clínicas da doença através da análise integrativa de dados ômicos (genômica viral, exomas e transcritomas humanos), epidemiológicos e metadados.