Embora a acepção da palavra “cibernética” tenha origem na Grécia antiga, seu conceito se adaptou ao longo dos séculos e somente na segunda metade do século 20, com a intensificação da comunicação digital, seu significado incorporou o sentido atual da palavra, expresso em conceitos diversos por especialistas nesta matéria, porém sempre entendido como "estudo científico do controle e comunicação entre animal e máquina".
Foi este “controle e comunicação” que motivou a segurança cibernética, também conhecida como cibersegurança, compreendida como um conjunto de práticas que protege informação armazenada em dispositivos digitais e sua transmissão através de meios de comunicação digital, como internet e telefones celulares, entre outros meios.
Embora a frase “as tecnologias digitais estão sempre evoluindo e se transformando” seja um clichê nos debates sobre cibersegurança, esta frase resume bem a crescente disponibilidade destas tecnologias no mercado e a preocupação que pessoas e empresas devem ter para se proteger de ataques cibernéticos.
Em razão desta evolução e transformação das tecnologias digitais, não apenas as tecnologias preventivas contra ataques cibernéticos tem evoluido, mas também estes ataques se tornam mais sofisticados, exigindo avanços na criptografia de dados e uso de tecnologias exponenciais, como a inteligência artificial e aprendizado de máquina (machine learning), para garantir que informações confidenciais não sejam comprometidas ou expostas.
Neste sentido as tecnologias de criptografia tem progredido para se antecipar às ameaças, bem como servem para automatizar a verificação de informações e dados. Nesta evolução a “criptografia quântica” tem sido estudada e debatida, uma vez que rompe o modelo tradicional de um problema matemático a ser solucionado, para um modelo quântico, que modifica o estado da mensagem, caso o sistema detecte uma tentativa de interceptação, que só o destinatário, com uma chave, consegue decifrá-la.
Do mesmo modo que a aplicação das tecnologias digitais é transversal a vários segmentos de produtos, processos e serviços, a segurança cibernética se destaca como essencial para a segurança e proteção de informações e dados de setores diversos, tais como:
- Indústria, para segurança e proteção da propriedade intelectual e industrial;
- Saúde, para segurança e proteção de prontuários e dados médicos de pacientes;
- Serviços, para segurança e proteção de informações e dados de dispositivos digitais que realizam atividades empresariais remotas, bem como direitos à privacidade de dados;
- Comércio, para segurança e proteção de informações e dados no e-commerce, contas on-line e identidades corporativas;
- Defesa, para segurança e proteção de informações e dados sigilosos para defesa nacional.
A importância e abrangência da segurança cibernética tem motivado a implantação de políticas públicas que envolvem esta matéria. Neste sentido, a política nacional de informática tem participado de iniciativas e ações que envolvem a segurança e proteção de informações e dados, com destaque para:
- A Lei Geral de Proteção de Dados - LGPD (Lei nº 13.709/2018), que dispõe sobre o tratamento de dados pessoais, inclusive nos meios digitais, por pessoa natural ou por pessoa jurídica de direito público ou privado, com o objetivo de proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade da pessoa natural;
- A parceria entre o MCTI e o Ministério da Defesa (Portaria Interministerial MCTI/MD nº 819/2014), visando viabilizar soluções científico-tecnológicas e inovações para o atendimento das necessidades do País, atinentes à defesa e ao desenvolvimento nacional;
- A criação do Sistema Militar de Defesa Cibernética – SMDC (Portaria MD nº 3.781/2020).