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BIODIVERSIDADE
Mudança no sistema imune das plantas impede o ataque de insetos
Foto: Divulgação/Pexels
Você sabia que o cheiro forte do orégano vem de um óleo essencial produzido pela planta para ela se proteger de bactérias, fungos e insetos? E que o gosto do café também é uma arma natural contra possíveis parasitas? Sim, diferentes espécies da flora mudam o próprio cheiro e sabor para se defender. O principal responsável é o ácido jasmônico, que funciona como uma defesa da planta. Só que isso tem um custo: quanto mais ela precisa se defender, menos ela cresce.
De acordo com a pesquisa Guerra Verde: Como as Plantas Organizam suas Defesas Contra o Ataque de Insetos, algumas plantas são insensíveis aos hospedeiros e não sofrem tanto as consequências dos ataques ou da ativação dos mecanismos de defesa. “Elas são capazes de regular o sistema imune de acordo com a intensidade do dano”, explica o autor da pesquisa, Marcelo Lattarulo.
Em seu estudo, ele verificou que alguns insetos tentam ultrapassar os mecanismos de defesa das plantas, mas que não conseguem porque essas modificações se tornam alucinógenas para alguns hospedeiros. Quando o inseto não tem sucesso de se alimentar, desiste de se aproximar.
Um experimento feito com uma Plodia interpunctella, conhecida como traça-da-farinha, utilizando a planta do tomate, mostrou que ela só consegue se alimentar quando o ácido jasmônico é desativado. O foco da pesquisa agora é buscar sinais de defesa para tentar fazer a transferência de características do sistema imune entre diferentes espécies de plantas e, assim, torná-las as mais resistentes ao ataque de hospedeiros sem afetar seu crescimento.
A pesquisa e os resultados foram apresentados na última edição do Ciclo de Palestras Wolfgang J. Junk, do Instituto de Pesquisa do Pantanal (INPP), unidade vinculada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A cada mês, sempre na última quinta-feira, um especialista é convidado para apresentar seu trabalho para estudantes e representantes da sociedade interessados.
O próximo encontro será em 20 de agosto e terá como convidada a pesquisadora em Saúde Pública no Instituto Aggeu Magalhães Fiocruz Pernambuco Elis Dionísio da Silva. Ela vai apresentar a palestra Carne de Caça e Zoonoses no Médio Solimões: da Pesquisa à Educação em Saúde. A especialista falará sobre doenças infecciosas transmitidas de animais para seres humanos na Amazônia sob a perspectiva da Saúde Única. As inscrições estão abertas. Mais informações estão disponíveis no site do INPP.
