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MÊS NACIONAL DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÕES - MNCTI

“Não é preciso ter medo da matemática, ela não morde”, afirma diretor do Impa

Dirigente da organização social do ministério falou sobre contribuições da matemática para o futuro dos jovens, para o país e como instrumento de cidadania
Publicado em 15/10/2020 18h16
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Em comemoração ao aniversário de 68 anos do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), a organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) foi a responsável pela programação desta quinta-feira (15) do Mês Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovações, disponível no canal do YouTube do MCTI www.youtube.com/ascommcti. Na entrevista especial do dia, o diretor da entidade, Marcelo Viana, falou a respeito do trabalho da entidade e o papel da matemática para o futuro de estudantes e como instrumento de cidadania.

A instituição, que hoje é referência internacional, organizou em 2018, no Rio de Janeiro, o Congresso Internacional de Matemática e é a ‘casa’ do pesquisador Artur Ávila, medalha Fields de 2014, considerada o Oscar da Matemática. Segundo Ávila, esse é um trabalho que começou pequeno e alcançou resultados ao longo do tempo.

“O Impa foi criado em 1952 e não era como é hoje. Ele foi criado pequeno, não tinha sede, e o corpo de pesquisadores era formado por três pessoas. A sede atual no bairro do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, foi inaugurada em 1981. Com o crescimento da infraestrutura e pessoal, houve o crescimento das atividades de pesquisa, formação de mestres e doutores, disseminação do conhecimento matemático”.

Outro ponto da conversa foi a atuação do Impa na organização da Olimpíada Nacional de Matemática, que envolve escolas públicas e particulares. Segundo Ávila, a competição, além de identificar talentos, serve para levar oportunidades a jovens das mais diferentes regiões do país e mudar o futuro desses estudantes.

“Quando você descobre um talento em uma região escondida do Brasil, você não está só descobrindo um talento e resgatando esse talento para o país. Você está resgatando a justiça social, levando oportunidade, caminhos de vida para que o jovem trilhe seu próprio caminho e alcance o sucesso”.

Outro papel da matemática, disse Viana, é levar cidadania, formar cidadãos capazes. A ideia é que a matemática é uma disciplina divertida, que abre um mundo de horizontes para os jovens, tendo os pais e professores o papel de ensiná-la da maneira correta.

“Ninguém nasce não gostando de matemática. É importante a nós, pais e educadores, encaminharmos nossas crianças desde cedo para as delícias que a matemática pode trazer e não para os terrores que a matemática mal ensinada pode gerar nas nossas crianças. Não precisa ter medo da matemática, ela não morde”.

A entrevista também abordou temas como o crescimento da capacidade da instituição com a transformação em organização social e os desafios da instituição nas diretrizes do novo contrato de gestão, nas áreas de avanço do conhecimento em matemática, aproximação com o setor produtivo, e popularização da matemática . Viana também citou a correlação, apontada em um estudo de um economista norte-americano, entre a pontuação no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) e o aumento das riquezas de um país.

“Esse estudo menciona que um avanço de 25 pontos no Pisa correlaciona com dobrar o Produto Interno Bruto (PIB). Sabe quem está 25 pontos a frente do Brasil? O México. Se nós melhorarmos no Pisa o correspondente a alcançarmos a posição que o México está, isso vai ter um impacto enorme no nosso PIB porque estaremos formando jovens capazes de realizar essas atividades econômicas extremamente produtivas”.

 

 

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