Henrique Lins de Barros

Especialista em Santos Dumont e Bartolomeu de Gusmão, biólogo e físico morre aos 78 anos

Publicado em 28/09/2025 18:14Modificado há 9 meses
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Ex-diretor do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) no período de 1992 a 2000, o físico, biólogo e pesquisador científico, Henrique Lins de Barros, 78 anos, morreu neste domingo (28) no Rio de Janeiro.

O pesquisador dedicou boa parte da sua vida a divulgar trabalhos desenvolvidos pela Ciência Brasileira e personalidades importantes que ajudaram a colocar o Brasil no panteão dos grandes nomes nacionais. Entre eles o aviador Alberto Santos Dumont (1873/1932) e o padre Bartolomeu de Gusmão (1685/1724), este menos conhecido do grande público, mas igualmente incentivador do balonismo dirigível e outros inventos importantes.

No ano passado, Lins de Barros tornou-se novamente uma distinção entre seus pares. Após debruçar-se por 40 anos sobre o estudo de uma bactéria presente na Lagoa de Araruama, seu nome passou a batizar a Bactéria Multicelular Magnetoglobus (MMB). A homenagem foi feita pelo professor Rolhand Hatzenbichle. Assim, a bactéria passa a ser denominada "debarossi", em referência ao 'de Barros'. 

Entrevistado pela Comunicação do MAST, ele brincou na ocasião:  "Pois é! Virei nome de bactéria!". E ele dividiu a honraria com outros colegas de atividade que por décadas estiveram envolvidos com ele nestes estudos.

Pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e chefe do Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico em 2014, Lins de Barros publicou livros, roteirizou documentos e participou de projetos de preservação da memória de Santos Dumont e Bartolomeu de Gusmão.

O MAST se solidariza com a dor de parentes, amigos e especialmente os fãs e admiradores deste homem que por toda a vida lutou para preservar a memória dos grandes nomes da ciência do Brasil - onde, naturalmente, ele também figurará.

Na foto acima, o registro da última visita que Henrique Lins de Barros fez ao MAST em 10 de abril de 2024.

"Ter paciência, saber ouvir e falar"

Abaixo, um trecho da última entrevista de Henrique Lins de Barros concedida em abril do ano passado:

MAST - Como o senhor se sente após merecer rara deferência do mundo científico?

Resposta - Surpreso. Nenhum de nós que constituiu um grupo para estudar microrganismos magntetotáticos esperávamos a homenagem. Ou seja: microrganismos que produzem nanocristais magnéticos e se orientam ao campo magnético terrestre. São bússolas microscópicas que usam o campo terrestre para se orientarem no meio aquoso. Richard Frankel, na época no MIT, esteve no Brasil a convite de Jaques Danon e nos mostrou um filme do organismo feito com Richar Blakemore.

M - Como foi o início da pesquisa?

R - Nós começamos a observar em microscopia ótica. Inicialmente usamos os microscópios Leitz que eram usados pelo grupo de Cesar Lattes para a emulsão de chapas. Coletamos águas de diversos locais: Lagoa Rodrigo de Freitas, Jardim Botânico, Araruama e outras lagoas do Rio de Janeiro. E começamos a observar microrganismos diferentes. E aos poucos o grupo aumentou: com Darci Mota do CBPF, Marcos Farina, da UFRJ. E entramos com a microscopia eletrônica. Vieram então Ulisses Lins, Carolina Kem e Fernanda Abreu da UFRJ entre outros. No início foi essencial trabalhar em conjunto com biólogos e microbiologistas... 

M - A bactéria "Debarossi" é própria da Laguna de Araruama. Por qual razão o senhor se desenvolveu este estudo? Tem uma relação pessoal com os municípios do entorno da Lagoa? Outras regiões salinas do mundo, como os mares Morto e Aral, têm alto grau de salinidade. Há chance de que bactérias semelhantes sejam ali encontradas?

R - Coletávamos amostras em todos os locais que íamos. E Araruama passou a ser um local de fácil acesso. Dava pra ir de carro e vislumbrar a magnífica paisagem. Após publicarmos alguns trabalhos, outros grupos começaram a trabalhar no mesmo assunto. E a rede de colaboradores aumentou. Coletas em outros países não era possível, pois necessitávamos de recursos e tempos que nem sempre temos. Mas, sim. Há outros organismos e em vários locais. 

M - Qual a mensagem que o senhor deixa para novos e futuros cientistas brasileiros?

R - Ler muito e sobre vários assuntos. Ouvir e falar a partir das ideias que estão em você. Saber ouvir e avaliar. E ter muita paciência.

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Educação e Pesquisa
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