Aldeia Itaxim
Aldeia Itaxim – Povo Guarani Mbya
A Aldeia Itaxim é uma comunidade do povo Guarani Mbya, localizada às margens do Rio Pequeno, no território do município de Paraty (RJ), dentro da Área de Proteção Ambiental de Cairuçu. Criada no início dos anos 2000 como resultado de um processo de retomada territorial, a aldeia representa um espaço de resistência e fortalecimento da identidade Guarani no litoral sul fluminense.
A organização do território segue os princípios cosmológicos do povo Guarani Mbya, com destaque para a centralidade da Opy (casa de reza), espaço espiritual e comunitário em torno do qual se estrutura a vida da aldeia. A relação com a natureza é sagrada: cada ser, elemento e ciclo tem seu papel no equilíbrio da terra (Yvy), da palavra (Ñe’ē) e do bem viver (Nhandereko).
A comunidade desenvolve atividades de agricultura tradicional, com cultivo de milho, mandioca, batata-doce, banana e plantas medicinais, respeitando os ciclos naturais e os conhecimentos transmitidos entre gerações. Também se destaca a produção de artesanato Guarani, com colares, cestos e objetos feitos a partir de sementes, fibras e cipós coletados de forma sustentável.
A educação própria é um eixo importante da aldeia. Por meio da Escola Estadual Indígena Itaxim, professores Guarani ensinam a língua Mbya e os saberes tradicionais, articulando o currículo formal com os modos próprios de aprender e viver do povo. Além disso, há uma preocupação com a formação das crianças e jovens para a defesa do território e da cultura.
A Aldeia Itaxim é parte ativa do Fórum de Comunidades Tradicionais e participa de articulações regionais em defesa dos direitos indígenas. Também desenvolve ações junto a organizações como o Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), construindo protocolos de consulta, planos de vida e estratégias de fortalecimento cultural e político.
Como povo originário, os Guarani Mbya da Itaxim reafirmam, em sua presença cotidiana, a importância de uma gestão territorial que respeite a diversidade, os direitos étnicos e os saberes ancestrais. Sua presença na APA Cairuçu reforça o compromisso com uma conservação ambiental que reconhece os povos indígenas como guardiões da floresta e da vida.