Notícias
Aumento da esporotricose: HUWC-UFC reforça orientações sobre diagnóstico, tratamento e prevenção
Especialistas explicam o que é, como se proteger e alertam para lesões na pele que podem indicar contaminação pelo fungo
O Hospital Universitário Walter Cantídio, da Universidade Federal do Ceará (HUWC-UFC), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), chama à atenção para o aumento de casos de esporotricose no Nordeste, incluindo o estado do Ceará. A doença, popularmente conhecida como “doença do jardineiro”, é uma infecção causada pelo fungo Sporothrix e tem sido registrada com maior frequência entre pessoas que lidam diretamente com o solo, plantas e alguns animais.
O infectologista da instituição, Ramiro Tavares, explica que a condição vem se tornando mais presente nos diagnósticos da região. Segundo ele, a transmissão da esporotricose ocorre principalmente pelo contato da pele com o fungo presente no ambiente. “Pessoas que praticam atividades de agropecuária, jardinagem, que tratam do solo ou que lidam com alguns animais podem ter relação laboral com o surgimento da infecção. O fungo vive no solo, em cascas de árvore, espinhos e outros materiais orgânicos, e o contato através de pequenas lesões na pele pode levar ao contágio da doença”, explicou.
O especialista ressalta que, após a entrada do fungo pela pele, ele pode atingir vasos linfáticos, causando lesões características que geralmente parecem úlceras ou bolhas mais endurecidas. “Muitas vezes elas surgem em cadeia, o que chamamos de lesões ‘em cordão’. Podem aparecer em diversas partes do corpo, mas são mais comuns em membros superiores e inferiores, devido ao contato direto com o ambiente contaminado”, ressaltou.
A esporotricose ganhou ainda mais relevância epidemiológica este ano. Após portaria do Ministério da Saúde publicada em março de 2025, a doença passou a ser condição de notificação obrigatória em todo o Brasil, uniformizando a vigilância, já que antes alguns estados notificavam e outros não.
Tratamento
De acordo com o dermatologista do HUWC-UFC/Ebserh, Marco Túlio, a doença, embora seja benigna na maioria dos casos, pode ter apresentações mais graves, principalmente em pacientes com o sistema imunológico enfraquecido.
“Existem formas cutâneo-linfáticas e até viscerais (órgãos internos), que podem exigir internação hospitalar e representar risco à vida. O tratamento se baseia em antifúngicos, mas também pode-se utilizar o iodeto de potássio que, além de ser bastante eficaz, é de baixo custo. A duração depende da evolução das lesões, e a cultura ou a pesquisa direta da amostra da lesão são exames importantes para confirmar o diagnóstico,” informou.
Marco Túlio reforça a importância das medidas de prevenção, especialmente para trabalhadores expostos ao solo, plantas e animais. “É importante o uso de luvas, botas, cuidados com felinos doentes, além da busca rápida por atendimento ao perceber qualquer lesão suspeita após atividades de risco”, finalizou.
Acesso ao serviço
Para moradores de Fortaleza, a consulta no HUWC-UFC/Ebserh é possível a partir de encaminhamento, via regulação, dos Postos de Saúde. O Ambulatório de Dermatologia do Hospital Universitário funciona de segunda a sexta-feira, nos períodos manhã e tarde.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário Walter Cantídio, do Complexo Hospitalar da UFC, faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Escrito por: Milena Feitosa / Comunicação Ebserh