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SAÚDE INFANTIL
25 anos do Teste do Pezinho: Especialista do HUWC–UFC/HU Brasil orienta sobre importância do exame e cuidados após a coleta
Um exame rápido, simples e realizado nos primeiros dias de vida pode fazer uma grande diferença na saúde do bebê. O Teste do Pezinho, que integra o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) do Sistema Único de Saúde (SUS), permite identificar precocemente doenças que muitas vezes não apresentam sinais ao nascimento, possibilitando o início imediato do tratamento e reduzindo o risco de sequelas. Em 2026, o programa completa 25 anos, consolidando-se como uma das mais importantes políticas públicas voltadas à saúde infantil no Brasil.
De acordo com o médico geneticista do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), da Universidade Federal do Ceará (UFC) e vinculado à Rede HU Brasil, Carlos Grangeiro, o exame é um importante instrumento de prevenção em saúde pública.
“O Teste do Pezinho é um direito de todos os recém-nascidos e, mais do que uma exigência, deve ser compreendido como um exame essencial para a saúde do bebê. Ele permite detectar doenças antes que elas manifestem sintomas, possibilitando intervenções precoces e evitando consequências graves, como deficiência intelectual, alterações neurológicas, problemas de crescimento e até mesmo óbito”, explica.
O geneticista ressalta que a triagem neonatal tradicionalmente inclui o rastreamento de doenças como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase. Com a ampliação progressiva do programa, novas condições vêm sendo incorporadas, incluindo doenças raras, erros inatos do metabolismo e imunodeficiências.
“A expansão do Teste do Pezinho tem permitido ampliar cada vez mais o diagnóstico de doenças que podem ser tratadas desde os primeiros momentos de vida. A quantidade de doenças investigadas pode variar conforme a fase de implantação do programa em cada estado”, destaca.
Coleta no período adequado
O período considerado ideal para a realização do exame é entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê. Nesse momento, a criança já iniciou a alimentação, o que favorece uma análise mais precisa.
“É importante respeitar esse período sempre que possível. A coleta muito precoce ou o atraso sem orientação podem interferir na avaliação. Entretanto, se por algum motivo o bebê não fez o exame na data recomendada, a orientação é realizar o quanto antes. Um diagnóstico tardio ainda é melhor do que não realizar a triagem”, reforça Carlos Grangeiro.
Algumas situações específicas, como prematuridade e transfusão de sangue ou hemocomponentes, podem exigir uma nova coleta posteriormente. Bebês internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais também devem realizar o exame, seguindo protocolos adaptados às condições clínicas de cada recém-nascido.
"Nenhum bebê deve ficar sem a triagem. Mesmo os recém-nascidos internados por longos períodos são acompanhados pelas equipes para garantir que o exame seja realizado no momento mais adequado", afirma o geneticista.
Resultado alterado não significa diagnóstico confirmado
O Teste do Pezinho é um exame de triagem, ou seja, identifica bebês que apresentam maior risco para determinadas doenças. Por isso, um resultado alterado não significa, necessariamente, que a criança tenha a condição investigada.
“Quando há uma alteração, a família é chamada para realizar exames complementares. Somente após a confirmação são definidos o diagnóstico e o encaminhamento para o acompanhamento especializado”, esclarece.
Quando uma doença é confirmada, o tratamento pode ser iniciado rapidamente, aumentando as chances de um desenvolvimento saudável. Em muitas das condições rastreadas, iniciar o tratamento nas primeiras semanas de vida é decisivo para prevenir danos permanentes.
Orientação começa ainda na maternidade
As equipes de saúde orientam os pais sobre a importância do Teste do Pezinho ainda durante a permanência na maternidade, explicando o período ideal para a coleta e onde o exame será realizado.
"O exame é seguro, rápido e fundamental para garantir que doenças tratáveis sejam identificadas antes que tragam prejuízos ao bebê. A informação aos pais também é parte importante desse processo", finaliza o médico.
Sobre a HU Brasil
O HUWC-UFC faz parte da HU Brasil desde 2013. A estatal foi criada por meio da Lei nº 12.550/2011, vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil. A estatal é responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades de assistência, pesquisa e inovação por meio de uma gestão de excelência.