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Reforma na governança global é crucial para enfrentar desafios atuais

Mauricio Lyrio, sherpa do Brasil, defende que reforma na ONU pode levar ao fortalecimento da instituição, que é a base para construção da paz no mundo

05/02/2024 18:21 - Modificado há 2 anos
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Diante das tensões geopolíticas atuais, o embaixador Mauricio Lyrio, Secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores e sherpa do Brasil no G20, em entrevista coletiva a correspondentes estrangeiros - organizada pela ACIE (Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Brasil) -, nesta segunda-feira (5/2), falou sobre a necessidade de uma reforma da governança global para enfrentar desafios como a pobreza, mudanças climáticas e regulação da inteligência artificial. 

Segundo o embaixador, uma reforma na Organização das Nações Unidas é um tema amplo que tem relação com a eficácia e a representatividade da instituição, que tem mais de 70 anos, e  passaria não só pelo Conselho de Segurança mas pela instituição como um todo.

No momento, a guerra na Ucrânia e as tensões na Faixa de Gaza dividem as nações e geram dificuldade de acordos, além de direcionar  recursos para esforços de guerra, em vez de serem alocados para a solução de questões internacionais importantes como saúde e meio ambiente.

“A principal mensagem do presidente Lula é de que nós enfrentamos desafios globais que requerem soluções coordenadas entre os países. Se não há organizações internacionais fortes é mais difícil encontrar soluções e implementá-las”, afirmou o embaixador. 

Mauricio Lyrio acrescentou ainda que o sistema ONU fortalecido é a base para a paz e as instituições internacionais precisam ser capazes de prevenir  conflitos e permitir que os recursos se concentrem no desenvolvimento sustentável e combate às desigualdades.

Articulação entre as trilhas de Sherpas e de Finanças

O embaixador destacou também que, pela primeira vez na história do G20, ocorreu uma reunião inaugural com a presença da coordenadora da trilha de Finanças, Tatiana Rosito e da então diretora do Banco Central, Fernanda Guardado, com os sherpas dos países do G20. Para ele, não adianta pensar em aliança global contra a fome sem pensar no elemento financeiro e na necessidade de mobilização das instituições financeiras. Neste sentido, articular as trilhas do G20 é uma prioridade brasileira. 

E, dentro do espírito do Brasil de apresentar propostas inovadoras mas factíveis, Mauricio Lyrio citou ainda que os países que enfrentam a fome muitas vezes são os mais endividados no mundo. Então, “por que não pensar em mecanismos de troca de dívida por programa social, de transferência de renda e apoio à agricultura familiar? Já existem experiências bem-sucedidas de troca de dívidas por programa ambiental, por exemplo”, concluiu o embaixador.

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