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TRANSIÇÕES ENERGÉTICAS

Pobreza energética afeta mais as mulheres: em evento do G20, Brasil lança iniciativas pela cocção limpa

Dados da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) indicam que aproximadamente 2,3 bilhões de pessoas no globo não possuem acesso a fontes de energia limpas, tendo que utilizar, majoritariamente, lenha, querosene e carvão para cozinhar. Isto equivale a mais de um quarto da população mundial sem acesso à cocção limpa, um percentual 28,7% das pessoas.

05/10/2024 07:00 - Modificado há um ano
O evento ocorreu em Foz do Iguaçu, estado do Paraná. Foto: Roberta Aline/MDS
O evento ocorreu em Foz do Iguaçu, estado do Paraná. Foto: Roberta Aline/MDS

No Brasil, aproximadamente 14 milhões de pessoas não possuem acesso a fontes de energia limpas, tendo que utilizar, majoritariamente, lenha, querosene e carvão para cozinhar - o que significa, além de uma questão energética, também um debate de saúde pública e de gênero, ao se pensar em quem majoritariamente ocupa as tarefas de alimentação nos lares: as mulheres.

Assim, é que quatro ministérios brasileiros, coordenadores de trabalhos no G20 Brasil, uniram-se em evento paralelo sobre o tema, promovido na alçada da última reunião técnica do Grupo de Trabalho (GT) de Transições Energéticas do fórum. No evento “Mulheres na Transição Energética”, os ministérios das Mulheres (GT de Empoderamento de Mulheres), Minas e Energia (GT de Transições Energéticas), Desenvolvimento Social e Combate à Fome (Aliança Global contra a Fome e a Pobreza) e Secretária-Geral da Presidência da República (G20 Social), além de tratarem sobre o aspecto internacional da pauta, realizaram dois anúncios de competência federal.

A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, reforçou que muitas mulheres ainda não tem acesso ao mínimo, lembrando a grande mudança, no cenário nacional, com o  “Programa Luz para Todos”, em que as mais beneficiadas foram as mulheres, exatamente pelo impacto nas tarefas domésticas com a possibilidade de uso de geladeiras, fogões elétricos e outros utensílios. “Mas precisamos também avançar em uma discussão importante ao mundo que é o espaço das mulheres no setor energético, nós precisamos que as mulheres não estejam apenas abaixo na estrutura, mas tenham acesso à ciência, tecnologia, para que possamos estar de fato onde precisamos, que são os espaços de poder”, complementou ela.

“Temos a responsabilidade inegociável de corrigir o erro da desigualdade de gênero, sabemos que o setor energético tradicional é predominantemente masculino. Estamos dando um basta nisso, a participação de mulheres não é uma concessão, e sim uma condição essencial para o sucesso da transição justa e inclusiva”, concordou o ministro do MME, Alexandre Silveira.

Projetos brasileiros servem como inspiração para outros países

A “Política Nacional de Promoção do Cozimento Limpo” é a primeira política integrada para o acesso universal a tecnologias limpas de cozimento no Brasil, visando combater a pobreza energética e ser exemplo, como presidência do G20, as demais maiores economias do mundo.  Promoverá o acesso a tecnologias limpas para a cocção de alimentos, por meio da substituição gradativa do uso inadequado de lenha, carvão vegetal e outros materiais em ambientes internos. A Política será o instrumento de planejamento, diagnóstico, definição clara de metas e atualizará o cenário brasileiro a cada dois anos e se une a outra importante ação lançada em setembro, o Gás para Todos, que pretende ampliar o projeto Auxílio-Gás para 20,8 milhões de famílias até 2025.

Já o “Cozinhas Solidárias Sustentáveis” prevê a instalação de biodigestores e de painéis solares em sete cozinhas estrategicamente mapeadas pelo Brasil, nas cidades de Foz do Iguaçu (PR), Brasília (DF), Ananindeua (PA), São Leopoldo (RS), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE) e Boa Vista (RR). A expectativa é alcançar 100 cozinhas solidárias até o final de 2025 em todo o país. O que estamos iniciando hoje é um trabalho em conjunto, a partir do Programa Cozinha Solidária, para tornar essas cozinhas sustentáveis, utilizando resíduos orgânicos para produzir biogás e placas solares para gerar energia, diminuindo gastos, garantindo alimentação de qualidade para quem mais precisa e preservando o meio ambiente”, declarou o ministro do MDS, Wellington Dias.

A primeira-dama, Janja Lula da Silva, por meio de mensagem, destacou a importância da segurança energética para mulheres e meninas. “A iniciativa das cozinhas solidárias sustentáveis traz uma proposta política e pedagógica. Com o projeto piloto, poderemos possibilitar a promoção da educação ambiental e da equidade de gênero”, disse.

Confira mais sobre o projeto: 

A iniciativa do evento é uma parceria com a Itaipu Binacional, a Associação Brasileira de Biogás (Abiogás) e a Cáritas. A reunião ministerial de Transições Energéticas do G20 acontece amanhã (04), exatamente na cidade de Foz do Iguaçu, estado do Paraná, onde se situa a Usina de Itaipu.

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