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DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE

No Dia Mundial do Meio Ambiente, ministra brasileira Marina Silva destaca a urgência de ações ambientais

Em pronunciamento nacional, Marina Silva destacou o Dia Mundial do Meio Ambiente e a urgência da proteção ambiental e a mitigação das mudanças climáticas, que são temas prioritários do G20. A ministra anunciou medidas do Governo Federal, incluindo atualização da estratégia nacional, foco em emergência climática e meta de desmatamento zero até 2030.

05/06/2024 10:34 - Modificado há 2 anos
Catástrofes climáticas reforçam urgência de debater mudanças do clima e cuidados com o planeta | Foto: Freepik

Em pronunciamento transmitido por Rede Nacional de Rádio e Televisão, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, abordou temas considerados essenciais para a proteção ambiental e a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. O discurso marca o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho.

Ela ressaltou que eventos climáticos extremos, como a recente tragédia no Rio Grande do Sul, que trouxe sofrimento para milhares de famílias atingidas pelas enchentes, são um reflexo do aumento global das temperaturas. "A situação atual exige não só consciência, mas ação imediata. Quando protegemos os rios, as florestas, a nossa rica biodiversidade, estamos, na verdade, protegendo e cuidando das pessoas", destacou Marina Silva. 

A ministra enfatizou que o Governo Federal, sob a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está adotando medidas rápidas e coordenadas para responder a desastres climáticos, em parceria com estados e municípios. "Estamos trabalhando para recuperar o tempo perdido e fazer o que precisa ser feito em benefício de todos os brasileiros e brasileiras", afirmou.

Marina Silva anunciou a conclusão da atualização da estratégia nacional de mitigação e adaptação à mudança do clima, juntamente com o lançamento de um plano nacional focado na emergência climática, especialmente em áreas de maior risco. Ela mencionou a meta de desmatamento zero em todos os biomas brasileiros, destacando a redução de 50% do desmatamento na Amazônia. "Estamos sendo desafiados a pensar juntos, criar tecnologias sustentáveis, transitar para energias não poluentes, com mais igualdade social", salientou. 

Nos próximos anos, conforme a ministra, o governo se dedicará à proteção e recuperação da biodiversidade, ao crescimento da bioeconomia e ao aumento da qualidade ambiental tanto nas cidades quanto no campo. Marina ainda fez uma pontuação otimista sobre a COP30, que será realizada em Belém no próximo ano. "Vamos fazer a diferença e mostrar que estamos unidos para construir um futuro ecologicamente sustentável e criar um ciclo de prosperidade em benefício de todos os brasileiros e brasileiras com democracia, redução das desigualdades sociais, respeito à diversidade e sustentabilidade", argumentou. 

A ministra Marina Silva concluiu convocando todos os brasileiros a se unirem em prol de um futuro sustentável. "Proteger o meio ambiente é garantir o bem-viver para ribeirinhos, pequenos comerciantes, moradores das periferias, comunidades tradicionais e pessoas que vivem em áreas de risco", finalizou.

Impactos das mudanças climáticas e bioeconomia em foco no G20

Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil | Foto: Audiovisual G20
Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil | Foto: Audiovisual G20

Desde que assumiu a presidência do G20, o Brasil reiterou compromissos alinhados com a necessidade urgente de políticas globais sustentáveis. Com adesão aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, o Brasil busca soluções inovadoras para combater a mudança climática, proteger a biodiversidade e promover uma economia verde inclusiva.

Entre os destaques estão o compromisso de alcançar o desmatamento zero em todos os biomas até 2030 e o fortalecimento da bioeconomia, com ênfase no uso sustentável dos recursos naturais e na geração de empregos verdes. O Brasil também está ampliando seus investimentos em energias renováveis, como solar, eólica e biomassa, visando reduzir a dependência de combustíveis fósseis e minimizar os impactos ambientais. Essas iniciativas refletem o comprometimento do país em promover um desenvolvimento sustentável com proteção do meio ambiente, e estão nas prioridades dos debates do Grupo de Trabalho Sustentabilidade Climática e Ambiental e da Força-tarefa para Mobilização Global contra a Mudança do Clima.

Ação humana e o aumento da intensidade das chuvas 

Nível do Guaíba superou o da cheia histórica de 1941 e ultrapassou a marca de 5 metros em Porto Alegre | Foto: Mauricio Tonetto/SecomRS
Nível do Guaíba superou o da cheia histórica de 1941 e ultrapassou a marca de 5 metros em Porto Alegre | Foto: Mauricio Tonetto/SecomRS

As recentes inundações no Sul do Brasil, especialmente no estado do Rio Grande do Sul, deixaram uma trilha de destruição. Segundo dados da Defesa Civil, mais de 80 mil pessoas foram desalojadas. O desastre, que atingiu seu pico em 29 de maio, resultou na perda trágica de 172 vidas, com 42 pessoas ainda desaparecidas. Cidades como Porto Alegre, Eldorado do Sul, Canoas, Guaíba, Novo Hamburgo, Estrela e Encantado foram particularmente afetadas, enfrentando os maiores graus de periculosidade e exposição. Estudo apontou que a ação do homem aumentou em 15% a potência das chuvas no estado, com uma enchente histórica que atingiu cerca de 2,3 milhões de pessoas.

Outro estudo de uma equipe internacional de pesquisadores, incluindo membros do Brasil, Reino Unido, Suécia, Países Baixos e Estados Unidos, investiga as causas e implicações das inundações. A World Weather Attribution estuda como as mudanças climáticas causam eventos extremos no mundo. Por exemplo, em julho de 2021, um relatório da WWA revelou que as mudanças climáticas tornaram uma onda de calor pelo menos 150 vezes mais provável e 2ºC mais intensa no noroeste do Pacífico dos EUA e do Canadá.

Eventos climáticos extremos no mundo

Danos causados ​​pelas inundações em Rudersberg, Baden-Württemberg, Alemanha | Foto: Getty Images/Thomas Niedermueller
Danos causados ​​pelas inundações em Rudersberg, Baden-Württemberg, Alemanha | Foto: Getty Images/Thomas Niedermueller

As cheias na Alemanha em 2024 têm causado sérios problemas, com várias regiões submersas após semanas de chuvas intensas. As tempestades e chuvas torrenciais resultaram em mortes e numerosas evacuações. A situação é crítica em diversos locais onde os níveis de água continuam a subir, com registros de até 130 mm de chuva.

No Afeganistão, dezenas de milhares de crianças continuam sendo afetadas por inundações nas províncias de Baghlan, Badakhshan e Ghor. As recentes enchentes resultaram em quase 350 mortos, incluindo crianças, com mais de 7,8 mil casas danificadas e 5 mil famílias desalojadas. As condições climáticas extremas, intensificadas pela crise climática, exigem intervenções humanitárias rápidas e apoio internacional para mitigar os impactos, apesar de o país ser pouco responsável pelas emissões globais de CO2.

Por outro aspecto, agora de calor, diversas partes da Índia enfrentaram temperaturas excepcionalmente altas nos últimos dias, forçando o fechamento de escolas e a criação de unidades especiais em hospitais para tratar doenças relacionadas ao clima quente. Este ano, o número de dias de onda de calor no noroeste e leste do país foi mais que o dobro do normal, com registros de temperatura na faixa de 52,9°C, a mais alta já registrada.

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