Na Europa, presidente Lula defende taxação de fortunas e combate às desigualdades, temas prioritários para a presidência brasileira do G20
Em Genebra, na Suíça, para participar do Fórum Inaugural da Coalizão para Justiça Social, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a mão invisível do mercado só agrava desigualdades. Na agenda desta quinta-feira (13), reunião bilateral com o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Gilbert Houngbo para discutir questões relativas ao mundo do trabalho no século 21.

A participação de Lula no Fórum Inaugural da Coalizão para Justiça Social foi para tratar do enfrentamento das desigualdades sociais, da concretização de direitos trabalhistas integrados a direitos humanos, da expansão da capacidade e acesso aos meios produtivos e da promoção do trabalho decente. Na reunião, o presidente falou sobre as preocupações do trabalho no século XXI, citando a precariedade das novas formas de emprego.
Gilbert Houngbo concordou com os pontos apresentados pelo presidente Lula. Falou também sobre o envelhecimento da força de trabalho em diversas regiões, e o consequente déficit de formação profissional e aumento de gastos previdenciários.
Lula citou preocupações sobre como os governos e os sistemas previdenciários devem lidar com uma parcela cada vez maior de trabalhadores que estão no mercado como autônomos. Disse também que gostaria de uma participação maior da OIT no G20, da mesma forma que ocorre com instituições como FMI e Banco Mundial.
O diretor-geral da OIT acrescentou que a luta contra a fome proposta pelo Brasil no G20 é de importância essencial. Lula destacou também o desenvolvimento da iniciativa global Brasil-EUA pelo trabalho decente, lançada com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e destacou que a força-tarefa em andamento pelos dois países segue em desenvolvimento tanto de forma independente quanto nas discussões do G20.
Em discurso de lançamento da Coalizão Global para Justiça Social, o presidente afirmou que a mão invisível do mercado só agrava desigualdades, já que o crescimento da produtividade não tem sido acompanhado pelo aumento dos salários, gerando insatisfação e muita polarização. E que não se pode discutir economia e finanças sem discutir emprego e renda. “Precisamos de uma nova globalização - uma globalização de face humana. A justiça social e a luta contra as desigualdades são prioridades da presidência do Brasil no G20”, afirmou Lula.
Taxação de fortunas

Em discurso de lançamento da Coalizão Global para Justiça Social, o presidente afirmou que a mão invisível do mercado só agrava desigualdades, já que o crescimento da produtividade não tem sido acompanhado pelo aumento dos salários, gerando insatisfação e muita polarização. E que não se pode discutir economia e finanças sem discutir emprego e renda. “Precisamos de uma nova globalização - uma globalização de face humana. A justiça social e a luta contra as desigualdades são prioridades da presidência do Brasil no G20”, afirmou Lula.
O presidente lembrou que o Brasil está impulsionando a proposta de taxação dos super-ricos nos debates do G20. “Nunca antes o mundo teve tantos bilionários. Estamos falando de 3 mil pessoas que detêm quase 15 trilhões de dólares em patrimônio. Isso representa a soma dos PIBs do Japão, da Alemanha, da Índia e do Reino Unido”, disse o presidente no discurso de lançamento da Coalizão Global para Justiça Social.
Segundo Lula, esse valor é mais do que se estima ser necessário para os países em desenvolvimento lidarem com a mudança climática. Na sua visão, a concentração de renda seria tão absurda que alguns indivíduos possuem seus próprios programas espaciais. Mas as soluções não estão em Marte. É a Terra que precisa de cuidado.
Reunião do G7
A convite da primeira-ministra, Giorgia Meloni, o presidente Lula visita na sequência a Itália, onde participa da Cúpula do G7. Os temas serão: inteligência artificial, energia, África e Mediterrâneo. O Papa Francisco participará da sessão e será o orador inicial de Inteligência Artificial e Energia. O presidente da União Africana, Ould Ghazouani, será o orador inicial sobre África e Mediterrâneo.
O G7 foi criado em 1975, por iniciativa do presidente francês Valéry Giscard d’Estaing, com o objetivo de reunir os países mais industrializados do mundo à época para tratar de questões de política econômica de interesse comum. Atualmente, os países-membros são: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. Em termos econômicos, o G7 hoje já não abrange as sete maiores economias do mundo: de acordo com dados do FMI em 2023, China e Índia são, respectivamente, a segunda e a quinta maiores economias do mundo em PIB nominal.
Reuniões bilaterais
Ao fim do encontro, os líderes seguem para reuniões bilaterais. Até o momento, o presidente Lula tem reuniões bilaterais confirmadas com o Papa Francisco, com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Deverão estar presentes na Cúpula do G7 líderes de África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Egito, Emirados Árabes Unidos, Índia, Mauritânia (na condição de presidente de turno da União Africana), Nigéria, Quênia, Tunísia e Turquia; e dirigentes dos seguintes organismos internacionais: Nações Unidas, Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento e Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).