Mudança climática representa um risco para as economias em todo mundo
Os efeitos da mudança climática são percebidos como um elemento de risco adicional para a economia. Bancos centrais entendem que o sistema financeiro pode atuar como instrumento de redução desse risco.

Por Mara Karina Sousa-Silva/Site G20 Brasil
As discussões sobre a mudança do clima e as possíveis soluções seguem direcionadas ao que a presidência brasileira do G20 propõe. A análise é do embaixador André Aranha Corrêa do Lago, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, após a segunda reunião do grupo realizada nesta sexta-feira (5), na sede do G20, em Brasília.
“Foi um debate interessante porque há um esforço dentro do G20 para coordenar os diferentes ministérios (no Brasil e exterior) e ter uma postura coerente sobre as ameaças e as oportunidades que os efeitos das mudanças climáticas representam”, disse o embaixador André Aranha Corrêa do Lago.
Segundo Marcelo Aragão, chefe adjunto do Departamento de Assuntos Internacionais do Banco Central, os efeitos da mudança climática são percebidos como um elemento de risco adicional para a economia. Sendo que os bancos centrais entenderam, há uma década, que o sistema financeiro poderia ser um instrumento de redução desse risco.
Grandes catástrofes provocadas por alterações no clima provocam, além de mortes, estragos na infraestrutura como a perda de estradas e pontes. “Está ficando cada vez mais claro essa relação entre mudanças climáticas, economia e setor financeiro”, afirmou Ana Toni.

Marcelo comentou, por exemplo, que grande parte da população brasileira está localizada em regiões litorâneas. Se acontecer uma subida do nível do oceano nas próximas décadas, significa que não só a população, mas muito da infraestrutura e do investimento de capital estarão expostos a esta situação. Portanto, é importante ponderar onde investir e como priorizar os recursos que já são insuficientes. Por isso, “a gente vem trabalhando em parceria, interna e externa, nessa rede de relacionamento que é o G20 tentando encontrar soluções e um meio de mobilizar esforços no objetivo comum de atenuar os efeitos da mudança climática”.
Ana Toni, secretária nacional de mudança do clima do Ministério do Meio Ambiente, concorda que o risco climático é um risco financeiro e o Brasil já vem enfrentando graves inundações e secas que afetam a agricultura no país. Grandes catástrofes provocadas por alterações no clima provocam, além de mortes, estragos também na infraestrutura como a perda de estradas e pontes. “Está ficando cada vez mais claro essa relação entre mudanças climáticas, economia e setor financeiro”, afirmou Ana Toni.
Ela lembrou que o Brasil está construindo um novo Plano Clima com seis áreas de mitigação, entre elas indústria, agricultura e uso da terra. E a grande questão, não só para o Brasil como para os demais países, é como financiar esses planos. As plataformas nacionais para atração de investimentos internos e externos foi um dos temas discutidos durante o encontro.
A segunda reunião da Força-tarefa teve como foco o papel dos planos nacionais de transição energética justa e os mecanismos de mobilização de recursos para financiar a mudança. O encontro contou com representantes de mais de 35 países e de 30 organizações internacionais. Os participantes debateram sobre medidas práticas para fortalecer instrumentos de redução do risco para investimentos climáticos em países em desenvolvimento.
A Força-Tarefa para uma Mobilização Global contra a Mudança do Clima tem como objetivo propor mudanças necessárias para evitar o aumento de temperatura além do 1.5º C, como proposto pelo Acordo de Paris. Por meio de respostas coordenadas das Trilhas de Sherpas e de Finanças, a Força-tarefa dá ênfase às questões econômicas e financeiras ligadas ao enfrentamento da mudança do clima.
A próxima reunião será realizada nos dias 11 e 12 de julho, em Belém, no Pará.