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MUDANÇA DO CLIMA

Mitigação de risco ambiental e adaptação: dois conceitos importantes na atualidade

Segundo Maria Netto, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade, um agricultor, em seu trabalho cotidiano, já está acostumado a fazer adaptação e mitigação de risco. A questão é que, com as mudanças climáticas, as catástrofes ambientais ocorrem com mais frequência e não é possível saber exatamente quando um evento catastrófico vai acontecer nem a dimensão dele.

05/08/2024 07:00 - Modificado há um ano
Centenas de agricultores mundo afora enfrentam as consequências das mudanças climáticas. Crédito: Getty images.
Centenas de agricultores mundo afora enfrentam as consequências das mudanças climáticas. Crédito: Getty images.
Por Thayara Martins/ G20 Brasil

Imagine três gerações de agricultores trabalhando juntos, avô, pai e filho em uma plantação de café. A lida no campo é uma tradição familiar. Porém, diante de inundações ou grandes secas, a família vai precisar repensar a forma de cultivar a terra, ou mudar a plantação de local e, talvez, até mudar de casa para outro lugar. Estas questões, enfrentadas por milhares de agricultores mundo afora, tem se agravado frente às consequências das mudanças climáticas. 

Maria Netto, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade, é economista e tem experiência em finanças do clima e planos de investimentos. Ela explica que o aumento da temperatura da Terra pode ter efeitos muito diferentes por conta da complexidade do sistema meteorológico de uma região a outra. Em regiões de deserto, como Saara, na África, a temperatura elevada pode aumentar a desertificação de forma importante. Por outro lado, a intensidade das chuvas está maior no Sul do Brasil, como observado na tragédia enfrentada recentemente pela população. 

“O que a gente sabe, desde os anos 80, é que realmente a acumulação de gás de efeito estufa na atmosfera revela um cenário em que a temperatura da Terra provavelmente já vai aumentar cerca de 1.5° e passar disso, se a gente não reduzir a emissão desses gases”, afirma a Maria.

Diante desse fato, ela utiliza alguns exemplos da agricultura para explicar conceitos como mitigação de risco e adaptação que são importantes para lidar com as consequências da mudança da temperatura na Terra nos dias atuais. Segundo Maria, devido a natureza do seu trabalho, o agricultor está acostumado a fazer adaptação e mitigação de risco. A questão é que as catástrofes ocorrem com mais frequência atualmente e não é possível saber exatamente quando um evento vai acontecer nem a dimensão dele. 

Ela ressalta ainda que a melhor forma de responder a um desastre é preveni-lo. Por isso, o ideal é investir em planejamento, análises de mapas de calor, e tentar prever as catástrofes ambientais com precisão. 

Mitigação de risco e adaptação

Maria Netto, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade. Crédito: Bárbara Brito/Divulgação iCS.
Maria Netto, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade. Crédito: Bárbara Brito/Divulgação iCS.

A mitigação de risco são as ações para atenuar os efeitos nocivos de possíveis desastres causados pelas mudanças climáticas. Por exemplo, cidades que são muito vulneráveis na zona costeira, onde pode haver um aumento temporário do nível do mar, ou com muitos rios com risco de inundações, é necessário replanejar o desenho da cidade. 

Repensar o urbanismo e o investimento em infraestrutura podem atenuar os estragos de uma possível inundação. Caso contrário, a população vai perder sempre, porque a cidade é reconstruída depois de uma enchente, mas tudo pode se perder outra vez no ano seguinte na época das chuvas.

Já a adaptação ocorre quando é preciso fazer uma adequação diante de uma nova realidade. Um exemplo é quando uma plantação fica muito perto de um rio e, após sucessivas inundações, fica evidente que é preciso plantar em outro lugar ou ainda mudar de negócio.

“Em alguns casos, muito sinceramente, é difícil mesmo, porque é uma modificação da forma como o agricultor fazia o seu negócio. Em alguns lugares, pode chegar um momento de ter de dizer: você vai ter que plantar outra coisa. E explicar ao agricultor que a lógica de como o pai dele atuava não é mais uma verdade absoluta, ele precisa considerar esse cenário de mudanças do clima”, analisa Maria.

Ela cita ainda o caso de tradicionais zonas cafeeiras na América Latina que enfrentam períodos de mais seca e o grão não está adaptado a essa nova temperatura. Sendo assim, agricultores têm perdido parte da colheita, dinheiro e a capacidade de pagar seus empréstimos junto aos bancos. 

Em razão disso, a economista defende o desenvolvimento de políticas públicas e, no caso dos agricultores, capacitação para os desafios da atualidade porque o que o pai e o avô ensinaram sobre as estações do ano e como cultivar a terra tem que ser adaptado a uma nova realidade.

G20 e o debate

Tanto a agricultura quanto o enfrentamento aos desastres naturais são debatidos no G20 por meio dos Grupos de Trabalho de Agricultura e de Redução do Risco de Desastres. A última reunião do GT de Redução do Risco de Desastres ocorreu nos dias 29 e 30 de julho no Rio de Janeiro. Já o GT de Agricultura está marcado para os dias 10 e 11 de setembro, em Cuiabá.

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