Área de Delegados
TRILHA DE FINANÇAS

Iniciativa aprimora e expande conjunto global de estatísticas econômicas e financeiras

A Iniciativa de Lacunas de Dados, em inglês Data Gaps Initiative (DGI), visa aprimorar e expandir o conjunto global de estatísticas econômicas e financeiras, bem como informações macro-relevantes sobre mudanças climáticas, a fim de equipar os formuladores de políticas com um kit de ferramentas mais preciso e robusto para abordar questões políticas importantes. A iniciativa é liderada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Financial Stability Board (FSB).

19/10/2024 07:00 - Modificado há 2 anos
Iniciativa de Lacunas de Dados do G20, em inglês Data Gaps Initiative (DGI), busca aprimorar e expandir estatísticas econômicas e financeiras. Crédito: Freepik.
Iniciativa de Lacunas de Dados do G20, em inglês Data Gaps Initiative (DGI), busca aprimorar e expandir estatísticas econômicas e financeiras. Crédito: Freepik.

Em 2009, os ministros das Finanças e Governadores dos Bancos Centrais do G20 (FMCBGs) lançaram a Iniciativa de Lacunas de Dados, em inglês Data Gaps Initiative (DGI), e endossaram 20 recomendações para abordar lacunas de dados reveladas pela crise financeira global de 2008. Hoje, a estrutura da DGI em sua 3ª fase visa aprimorar e expandir o conjunto global de estatísticas econômicas e financeiras, bem como informações macro-relevantes sobre mudanças climáticas, a fim de equipar os formuladores de políticas com um kit de ferramentas mais preciso e robusto para abordar questões políticas importantes. A longo prazo, esses avanços na qualidade e disponibilidade de dados levarão a políticas econômicas mais resilientes e adaptáveis, promovendo, em última análise, o crescimento sustentável e mais estabilidade nas sociedades.

Atualmente são 14 recomendações que abordam quatro áreas: mudanças climáticas; informações distributivas domiciliares; Fintech e inclusão financeira; e acesso a fontes privadas de dados e dados administrativos e compartilhamento. A Iniciativa de Lacunas de Dados é liderada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Financial Stability Board (FSB).

Atualmente são 14 recomendações que abordam quatro áreas: mudanças climáticas; informações distributivas domiciliares; Fintech e inclusão financeira; e acesso a fontes privadas de dados e dados administrativos e compartilhamento. A Iniciativa de Lacunas de Dados é liderada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Financial Stability Board (FSB).

Conferência Global da Iniciativa de Lacunas de Dados do G20

Mais de 140 autoridades de economias do G20 e organizações internacionais estiveram em Brasília, em junho, para a Conferência Global da Iniciativa de Lacunas de Dados do G20. Foto: Divulgação/FMI
Mais de 140 autoridades de economias do G20 e organizações internacionais estiveram em Brasília, em junho, para a Conferência Global da Iniciativa de Lacunas de Dados do G20. Foto: Divulgação/FMI

Mais de 140 autoridades de economias do G20 e organizações internacionais estiveram em Brasília, em junho, para a Conferência Global da Iniciativa de Lacunas de Dados do G20. O evento foi um debate sobre inovação para produtores de dados, formuladores de políticas e economistas do G20 organizado pelo Banco Central do Brasil. Os participantes ressaltaram a importância de fechar brechas nos dados para criar intervenções políticas direcionadas relacionadas à sustentabilidade, desigualdade e inclusão financeira. Todos são objetivos-chave da presidência brasileira do G20, conforme enfatizado por Diogo Guillen, Diretor de Política Econômica do Banco Central do Brasil. Ele destacou ainda a dinâmica em evolução do cenário global e o crescente reconhecimento dos dados como a pedra angular da formulação de políticas eficazes. 

Segundo Diogo, a produção de indicadores econômicos relacionados à mudança climática, por exemplo, é uma necessidade que se tornou cada vez mais urgente. “Os impactos do clima na economia são profundos e abrangentes. Eles podem afetar a produção de bens e serviços, o comércio internacional, o suprimento de alimentos e os preços dos alimentos, a distribuição de renda e riqueza, a disponibilidade de poupança, os gastos públicos e a estabilidade financeira. O monitoramento dos efeitos da mudança climática é necessário para neutralizar seus impactos, minimizar perdas, desenvolver políticas e coordenar ações”, defendeu Diogo Guillen.

Várias economias do G20 destacaram novos conjuntos de dados desenvolvidos sob a iniciativa para ajudar a entender e abordar temas em torno de questões sociais, inclusão financeira e sustentabilidade. Os participantes compartilharam também soluções sobre como lidar com desafios complexos de dados nessas áreas.

O que revelaram alguns dados?

Durante a Conferência foram apresentadas estimativas recentes das Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) do G20 que indicam reduções significativas nas intensidades de emissão de GEE nos setores agrícola e industrial, este último abrangendo as indústrias de eletricidade, mineração e água. O que pode ser encorajador, pois esses setores são responsáveis por mais de 75% de todas as emissões do G20 e estão entre os mais intensivos em emissões. 

Esse declínio nas intensidades de emissão sugere que recursos energéticos de menor carbono, tecnologias mais limpas e melhorias na eficiência energética estão dando frutos. Mas dados mais granulares são necessários para analisar como essas dinâmicas se desenvolvem em todos os setores e economias e para entender melhor a transição para uma economia de menor carbono, que é um objetivo importante do DGI do G20.

Também houve progresso significativo na medição da inclusão social. A renda familiar e a distribuição de riqueza são centrais tanto para o DGI-3 quanto para a presidência brasileira do G20. Os novos dados experimentais de riqueza familiar desenvolvidos pelo Sistema Europeu de Bancos Centrais para a área do Euro marcaram um avanço significativo no tratamento da recomendação DGI-3 sobre resultados de riqueza familiar. Os novos dados oferecem um quadro integrado da riqueza em diferentes grupos familiares. A parcela de riqueza detida pelos 10% mais ricos ficou em 56% no quarto trimestre de 2023, enquanto a metade inferior por riqueza detinha apenas 5% do total.

A história é semelhante quando se olha para a renda familiar, consumo e poupança, com vários países já publicando regularmente resultados anuais, incluídos nos bancos de dados do Eurostat e da OCDE. Os resultados mostram algumas disparidades gritantes na desigualdade de renda, embora com graus variados entre economias selecionadas do G20.

Os resultados ressaltam a necessidade vital de progredir ainda mais no trabalho para chegar a um conjunto de dados mais oportuno e detalhado que abranja resultados para uma ampla gama de países em todo o mundo.

Com informações do Fundo Monetário Internacional

Veja também

Carregando