Área de Delegados
BOLETINS DE RÁDIO

G20 estabelece parceria com coletivo indígena do Paraná para produção de boletins em guarani

Os boletins no idioma indígena guarani fazem parte do Projeto OPANÁ: Chão Indígena da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), por meio do Programa CAPA em parceria com a Itaipu Binacional que atua para garantir o acesso a saneamento e água potável, segurança alimentar às comunidades com base na agroecologia, além do fortalecimento cultural

06/08/2024 07:00 - Modificado há um ano
O indígena Micael Eliabe usa a comunicação de rádio e redes sociais para difundir a cultura guarani e preservar a língua | Foto: Coletivo Indígena Djagwa Etxa
O indígena Micael Eliabe usa a comunicação de rádio e redes sociais para difundir a cultura guarani e preservar a língua | Foto: Coletivo Indígena Djagwa Etxa

A comunicação do G20 Brasil firmou mais uma parceria para a produção de boletins de rádio na língua indígena guarani. A primeira parceria foi formalizada em maio deste ano com estudantes indígenas da Universidade Federal da Grande Dourados, no Mato Grosso do Sul. A nova parceria agora é com o Projeto OPANÁ: Chão Indígena da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), por meio do Programa CAPA em parceria com a Itaipu Binacional que atua para garantir o acesso a saneamento e água potável, segurança alimentar às comunidades com base na agroecologia, além do fortalecimento cultural. As traduções são feitas pelo Coletivo Indígena Djagwa Etxa, formado por membros das etnias guarani e kaingang, do município de Santa Amélia, no Norte do Paraná. 

O coletivo, que surgiu em 2023 para participar do Acampamento Terra Livre (ATL) – a maior assembleia dos povos indígenas realizada desde 2004, todo mês abril, em Brasília, é composto por jornalistas e comunicadores indígenas, como Iago Queiroz, Paulo Porto, Micael Eliabe e Ariane Sales. Eles são responsáveis pelas traduções e produção dos boletins na língua indígena. A proposta é traduzir o conteúdo jornalístico produzido pela comunicação do G20 para o guarani e distribuí-lo gratuitamente para emissoras de rádio no Brasil e no exterior. Os boletins estão disponíveis nos sites Rádio Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), e g20.org

O comunicador indígena Micael Eliabe, da etnia guarani nhandewa, explica que o coletivo surgiu com a ideia de dar visibilidade às línguas indígenas brasileiras. Ele conta que o nome “Djagwa Etxa”– que significa “olhar da onça”, foi atribuído a um dos animais sagrados dos povos originários, que cuida das matas. Micael, que vive na comunidade Tekoa Nara’i – Aldeia Laranjinha, em Santa Amélia, conta que as etnias guarani e kaingang são as mais populosas da região, sendo 76 famílias somente na sua comunidade.

O comunicador indígena Micael Eliabe, da etnia guarani nhandewa, explica que o coletivo surgiu com a ideia de dar visibilidade às línguas indígenas brasileiras. Ele conta que o nome “Djagwa Etxa”– que significa “olhar da onça”, foi atribuído a um dos animais sagrados dos povos originários, que cuida das matas. Micael, que vive na comunidade Tekoa Nara’i – Aldeia Laranjinha, em Santa Amélia, conta que as etnias guarani e kaingang são as mais populosas da região, sendo 76 famílias somente na sua comunidade.

Fortalecimento de idiomas indígenas

O comunicador relata que o convite para produzir e gravar conteúdos para o G20 é uma oportunidade vital para preservar culturas, tradições e conhecimentos ancestrais. “Participar de alguma forma das ações deste fórum mundial é uma maneira de valorizarmos e fortalecermos nossas línguas, o seu uso e, ao mesmo tempo, estamos contribuindo para o desenvolvimento de habilidades linguísticas e comunicativas dos indígenas que estão envolvidos no projeto. Também é uma chance de mostrar que os indígenas não estão limitados apenas ao Norte do país, mas também estão presentes no Sul, assim como em outros estados. Isso nos dá a oportunidade de ter mais voz”, ressalta.

Paulo Porto, gestor do Programa de Sustentabilidade Indígena da Itaipu Binacional, responsável pelo projeto “Opaná Chão Indígena”, também avalia que o G20 é um espaço para dar visibilidade às pautas indígenas. Ele diz que o projeto da Itaipu envolve 22 comunidades indígenas no estado. Entre as ações do projeto está a produção de podcasts que tratam de temas sobre segurança alimentar, segurança hídrica, combate ao preconceito e ao racismo. 

Paulo diz que o trabalho agora se amplia com a parceria do G20. Segundo ele, o estado do Paraná tem uma população de 40 mil indígenas, e a contribuição do Coletivo Djagwa Etxa para a comunicação do G20 Brasil reforça a missão do projeto Opaná de  avançar no processo de diversidade, valorização das culturas indígenas e combate ao preconceito. “Ficamos felizes em participar do G20, por meio da visibilidade indígena. Nosso povo é fruto dessa diversidade”, comentou. 

Ouça

Marandu'i G20 pegua 15 - G20 omãe peteĩ nhe'ē me omboape wy Fundos Verdes-pe omoingwe ra’e

1 de agosto de 2024
Leia maissobreMarandu'i G20 pegua 15 - G20 omãe peteĩ nhe'ē me omboape wy Fundos Verdes-pe omoingwe ra’e