G20 estabelece parceria com coletivo indígena do Paraná para produção de boletins em guarani
Os boletins no idioma indígena guarani fazem parte do Projeto OPANÁ: Chão Indígena da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), por meio do Programa CAPA em parceria com a Itaipu Binacional que atua para garantir o acesso a saneamento e água potável, segurança alimentar às comunidades com base na agroecologia, além do fortalecimento cultural

A comunicação do G20 Brasil firmou mais uma parceria para a produção de boletins de rádio na língua indígena guarani. A primeira parceria foi formalizada em maio deste ano com estudantes indígenas da Universidade Federal da Grande Dourados, no Mato Grosso do Sul. A nova parceria agora é com o Projeto OPANÁ: Chão Indígena da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), por meio do Programa CAPA em parceria com a Itaipu Binacional que atua para garantir o acesso a saneamento e água potável, segurança alimentar às comunidades com base na agroecologia, além do fortalecimento cultural. As traduções são feitas pelo Coletivo Indígena Djagwa Etxa, formado por membros das etnias guarani e kaingang, do município de Santa Amélia, no Norte do Paraná.
O coletivo, que surgiu em 2023 para participar do Acampamento Terra Livre (ATL) – a maior assembleia dos povos indígenas realizada desde 2004, todo mês abril, em Brasília, é composto por jornalistas e comunicadores indígenas, como Iago Queiroz, Paulo Porto, Micael Eliabe e Ariane Sales. Eles são responsáveis pelas traduções e produção dos boletins na língua indígena. A proposta é traduzir o conteúdo jornalístico produzido pela comunicação do G20 para o guarani e distribuí-lo gratuitamente para emissoras de rádio no Brasil e no exterior. Os boletins estão disponíveis nos sites Rádio Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), e g20.org.
O comunicador indígena Micael Eliabe, da etnia guarani nhandewa, explica que o coletivo surgiu com a ideia de dar visibilidade às línguas indígenas brasileiras. Ele conta que o nome “Djagwa Etxa”– que significa “olhar da onça”, foi atribuído a um dos animais sagrados dos povos originários, que cuida das matas. Micael, que vive na comunidade Tekoa Nara’i – Aldeia Laranjinha, em Santa Amélia, conta que as etnias guarani e kaingang são as mais populosas da região, sendo 76 famílias somente na sua comunidade.
O comunicador indígena Micael Eliabe, da etnia guarani nhandewa, explica que o coletivo surgiu com a ideia de dar visibilidade às línguas indígenas brasileiras. Ele conta que o nome “Djagwa Etxa”– que significa “olhar da onça”, foi atribuído a um dos animais sagrados dos povos originários, que cuida das matas. Micael, que vive na comunidade Tekoa Nara’i – Aldeia Laranjinha, em Santa Amélia, conta que as etnias guarani e kaingang são as mais populosas da região, sendo 76 famílias somente na sua comunidade.
Fortalecimento de idiomas indígenas
O comunicador relata que o convite para produzir e gravar conteúdos para o G20 é uma oportunidade vital para preservar culturas, tradições e conhecimentos ancestrais. “Participar de alguma forma das ações deste fórum mundial é uma maneira de valorizarmos e fortalecermos nossas línguas, o seu uso e, ao mesmo tempo, estamos contribuindo para o desenvolvimento de habilidades linguísticas e comunicativas dos indígenas que estão envolvidos no projeto. Também é uma chance de mostrar que os indígenas não estão limitados apenas ao Norte do país, mas também estão presentes no Sul, assim como em outros estados. Isso nos dá a oportunidade de ter mais voz”, ressalta.
Paulo Porto, gestor do Programa de Sustentabilidade Indígena da Itaipu Binacional, responsável pelo projeto “Opaná Chão Indígena”, também avalia que o G20 é um espaço para dar visibilidade às pautas indígenas. Ele diz que o projeto da Itaipu envolve 22 comunidades indígenas no estado. Entre as ações do projeto está a produção de podcasts que tratam de temas sobre segurança alimentar, segurança hídrica, combate ao preconceito e ao racismo.
Paulo diz que o trabalho agora se amplia com a parceria do G20. Segundo ele, o estado do Paraná tem uma população de 40 mil indígenas, e a contribuição do Coletivo Djagwa Etxa para a comunicação do G20 Brasil reforça a missão do projeto Opaná de avançar no processo de diversidade, valorização das culturas indígenas e combate ao preconceito. “Ficamos felizes em participar do G20, por meio da visibilidade indígena. Nosso povo é fruto dessa diversidade”, comentou.
