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G20

Entenda o papel do G20 na solução de questões mundiais

Ao longo dos anos, o G20 expandiu sua atuação para abordar questões além do âmbito econômico, incluindo mudanças climáticas, comércio internacional, economia digital e emprego. ONU aponta G20 como um parceiro importante na busca pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

09/01/2024 08:40 - Modificado há 2 anos
Focos de incêndio ao longo da via de acesso à Terra Indígena Bau, do povo Kayapó, em Novo Progresso, Pará. A questão ambiental é um dos destaques do G20 neste ano. I Foto: Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real

O Grupo dos 20, mais conhecido como G20, tem sua origem como resposta às crises econômicas que marcaram o final do século 20. A primeira reunião do G20 ocorreu em 1999, em resposta à crise financeira global que atingiu vários países emergentes. Na época, os ministros de finanças e presidentes dos bancos centrais dessas nações se reuniram em Berlim, na Alemanha, para discutir estratégias de estabilização econômica e prevenção de futuras crises. 

Ao longo dos anos, o G20 expandiu sua atuação para abordar questões além do âmbito econômico e financeiro, incluindo desenvolvimento sustentável, mudanças climáticas, comércio internacional e emprego. A crise financeira global de 2008, provocada pela quebra do banco Lehman Brothers, resultou numa mudança de patamar do G20, promovido ao nível de chefes de Estado e de Governo. A primeira reunião com o novo status, que passou a ter frequência anual, foi realizada em Washington (EUA), com o objetivo de  coordenar esforços na resposta à crise e implementar medidas para evitar uma recessão global.

A diversidade representada pelos países do G20 permite a formulação de políticas abrangentes, que consideram diferentes realidades e desafios econômicos. A Organização das Nações Unidas (ONU) aponta o G20 como um parceiro importante na busca pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Segundo o secretário-geral da entidade, António Guterres, o G20 tem a capacidade de catalisar recursos e influenciar políticas que contribuam para a erradicação da pobreza, a promoção da igualdade e a redução das mudanças climáticas. A entidade também destaca a importância do foco dado pela presidência brasileira na discussão da reforma da governança global.

Ênfase na agenda do Sul Global

O Brasil tem destacado a importância do grupo na definição de políticas econômicas que beneficiem não apenas as grandes potências, mas também os países em desenvolvimento, assegurando que as necessidades e desafios específicos dos países do Sul Global sejam considerados nas decisões.

Segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, o G20 tem a capacidade de catalisar recursos e influenciar políticas que contribuam para a erradicação da pobreza, a promoção da igualdade e a redução das mudanças climáticas.

Segundo o secretário do Ministério das Relações Exteriores e sherpa brasileiro, embaixador Mauricio Lyrio, “na mobilização contra a mudança do clima, há uma discussão difícil entre países que já foram pesadamente emissores e agora são países desenvolvidos, na questão de recursos. Esse é um tema mais delicado, estamos vendo na COP (Conferência do Clima) que não é uma questão trivial. A reforma da governança global também é outro tema que envolve interesses e poderes, então também é uma questão delicada”. 

Para ele, a presidência brasileira no G20 dará ênfase à participação da sociedade civil e também à busca de resultados concretos. “Tanto a proposta de foco, pragmatismo e resultados concretos como a do engajamento com a sociedade civil foram bem aceitas", acredita. 

Para o ministro da Fazenda do Brasil, Fernando Haddad, os países precisam se entender para evitar a fragmentação da economia global. “Do ponto de vista econômico, o mundo está numa encruzilhada: ou continuamos caminhando numa crescente fragmentação ou implementamos uma nova globalização, desta vez colocando questões socioambientais no centro de nossas preocupações". 

Para ele, uma nova globalização pode ser feita e o G20 servirá de instrumento para resgatar a contribuição multilateral entre os países, o que será proposto durante a presidência brasileira do fórum. “Não temos que temer a globalização. Ela foi feita de forma equivocada e é por isso que trouxe tantas angústias. Nós temos que recuperar o multilateralismo e a perspectiva de integração entre as nações, mas isso tem que ser feito de outra maneira”, defendeu Haddad.

Atual formação do G20

Atualmente a organização é composta por África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, Turquia, União Europeia e União Africana, que recebeu status de membro na Cúpula de Nova Delhi, na Índia, em setembro de 2023.  Estes países são responsáveis por cerca de 85% do PIB, 75% do comércio e 2/3 da população mundial. 

Além da reunião de cúpula de líderes, marcada para novembro de 2024, no Rio de Janeiro, vão acontecer mais de 120 reuniões em diversas cidades do Brasil em 2024, para discutir e apresentar propostas sobre temas fundamentais para o futuro do planeta. As cúpulas acontecem de forma regular desde 2009, como um fórum para que os líderes discutam questões e implementem mudanças que precisam de esforço coletivo para a realização.