Crise climática: Brasil intensifica ações de combate a incêndios
A estiagem prolongada e as temperaturas acima da média agravaram a situação de queimadas no país. Além das condições climáticas, há indícios de ação humana criminosa em algumas áreas. No contexto global, o Brasil destaca-se no G20, defendendo ações para reduzir os danos das mudanças climáticas.

As queimadas no Brasil, especialmente em agosto, apresentam um cenário alarmante com um aumento expressivo de focos de incêndio em diversas regiões do país. Em estados como Mato Grosso, Pará, Amazonas e São Paulo, os focos de incêndio não ficaram restritos às condições climáticas adversas. Também prevaleceu a ação humana. Recentemente, o deslocamento de uma onda de fumaça para amplas áreas do Brasil ganhou destaque na mídia internacional, evidenciando a gravidade da situação.
Os focos de incêndio estão fortemente ligados à estiagem prolongada que afeta grandes partes do país. Informações recentes indicam que a chuva tem ocorrido de maneira irregular desde o início do outono, período essencial para a manutenção da umidade do solo e da vegetação. A falta de chuva, somada com as temperaturas acima da média durante o outono e o inverno, cria um ambiente favorável para a propagação dos incêndios. O resultado destes fatores não apenas reduz a umidade da vegetação, tornando-a altamente inflamável, mas também facilita a propagação rápida das chamas, com consequências devastadoras para ecossistemas inteiros e para a qualidade do ar.

Em resposta ao aumento dos focos de incêndio, o presidente brasieliro Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacaram as suspeitas de ações criminosas por trás dos incêndios. A Polícia Federal faz investigações e já abriu 31 inquéritos para investigar as origens do fogo, incluindo dois em São Paulo, onde mais de 30% dos focos de calor registrados nos dias 23 e 24 de agosto foram detectados. O governo atua para reforçar a prevenção e controle dos incêndios, buscando uma ação coordenada e integrada para mitigar os impactos ambientais e preservar os ecossistemas brasileiros.
"Não conseguimos detectar nenhum incêndio causado por raios. Isso significa que tem gente colocando fogo na Amazônia, no Pantanal e principalmente no estado de São Paulo", afirmou Lula. Somente em São Paulo, 2.191 focos de calor foram registrados em apenas 48 horas, o que representa cerca de 42% dos focos no estado em 2024. A ministra Marina Silva enfatizou que os esforços federais estão mobilizados para combater os incêndios e punir rigorosamente as ações criminosas relacionadas ao uso do fogo.
Ações governamentais do Brasil para prevenção e combate às queimadas
Com a retomada da governança ambiental desde 2023, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mobilizaram mais de 3 mil brigadistas em todo o país, incluindo 1.468 na Amazônia, que enfrenta a pior seca em pelo menos 40 anos. Em São Paulo, o governo federal apoia o combate e monitoramento das áreas atingidas com o uso de seis aeronaves, incluindo um avião KC-390 equipado para lançamento de água, e a atuação de cerca de 400 militares na região. Outras medidas incluem a sanção da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que proíbe o uso de fogo para desmatamento ou supressão de vegetação nativa, exceto em queimas controladas.
Crise climática e financiamento marcam o debate central do G20
A questão climática tem sido um dos principais temas em discussão no G20 Brasil. O tema passa pelos Grupos de Trabalho de Sustentabilidade Climática e Ambiental, Agricultura, Transições Energéticas e da Força-Tarefa de Mobilização Global contra a Mudança do Clima. As discussões estão sendo guiadas pelas propostas da presidência brasileira do G20, entre diferentes ministérios e nações, para enfrentar as ameaças.
"Não conseguimos detectar nenhum incêndio causado por raios. Isso significa que tem gente colocando fogo na Amazônia, no Pantanal e principalmente no estado de São Paulo", afirmou Lula. Somente em São Paulo, 2.191 focos de calor foram registrados em apenas 48 horas, o que representa cerca de 42% dos focos no estado em 2024. A ministra Marina Silva enfatizou que os esforços federais estão mobilizados para combater os incêndios e punir rigorosamente as ações criminosas relacionadas ao uso do fogo.
Especialistas que participam das agendas do G20 apontam que os efeitos das mudanças do clima representam um risco adicional para a natureza, para a vida das pessoas e para a economia mundial, especialmente em áreas costeiras, que podem ser afetadas pelo aumento do nível do mar. Com base neste problema, que atinge todo o planeta, o destaque das reuniões e debates do G20 enfatizam a importância de parcerias internas e internacionais para encontrar soluções e mobilizar esforços para reduzir esses riscos.
No caso do Brasil, inundações no Sul do país e secas em estados da região Norte impactam o meio ambiente e a infraestrutura. Para conter a escalada, o governo brasileiro está desenvolvendo um novo Plano Clima, focado em áreas como indústria, agricultura e uso da terra. Com isso, o país lidera o esforço global para evitar que a temperatura global aumente além de 1,5ºC, conforme estabelecido pelo Acordo de Paris. A redução das emissões de gases de efeito estufa, principalmente por meio do controle do desmatamento e práticas de agropecuária de baixo carbono, é considerada essencial. Embora as emissões tenham caído desde 2005, o desmatamento voltou a crescer em 2018, mas diminuiu 50% em 2023. O novo Plano Clima, com metas até 2050, visa apoiar essa transição para uma economia de baixo carbono e alcançar a neutralidade climática.