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ALIANÇA GLOBAL

CELAC: Plano de segurança alimentar endossa proposta de criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza

Região vai contar com um plano unificado para combater a fome e a pobreza, alinhado à criação da Aliança Global, uma das prioridades da presidência brasileira no G20. Ação é resultado de reunião de alto nível da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC)

18/01/2024 08:11 - Modificado há um ano
No Chile, Wellington Dias angariou apoio para a construção da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza do G20 | Foto: Roberta Aline/MDS
Por Mara Karina Sousa-Silva/Site G20 Brasil

Países-membros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) definiram o Plano de Segurança Alimentar e Nutricional e Erradicação da Fome 2030, em encontro realizado nesta semana em Santiago do Chile. Ministros, especialistas, órgãos técnicos de governo, agências internacionais, da região firmaram acordo para a elaboração de uma política intersetorial que tem como pilares a garantia de alimentação adequada; apoio à produção sustentável e acesso aos alimentos; promoção de dietas saudáveis; e a transição para sistemas agroalimentares resilientes aos impactos das mudanças climáticas.  

Na avaliação de Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil, o plano latino-americano e caribenho dialoga diretamente com a proposta da presidência brasileira no G20 por uma Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza. “Por unanimidade, os países da América Latina e do Caribe criaram um plano que é uma base importante para ser seguida pelas demais nações. Acredito que demos um passo importante para tornar realidade a proposta do presidente Lula de uma Aliança Global”, reforçou Dias. 

"A insegurança alimentar e nutricional é um flagelo mundial. Precisamos de ações integradas, num esforço de cooperação internacional para o financiamento de programas de desenvolvimento socioeconômico”- Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil

O ministro brasileiro explicou que a Aliança estabelece três pontos fundamentais: um financeiro, um de conhecimento e um nacional. O primeiro, prevê recursos de fundos e doadores internacionais, bem como novos mecanismos para ajudar os países com menos recursos. A base de conhecimento se constitui na difusão e no compartilhamento de melhores práticas e experiências entre os países. E a perspectiva nacional se trata do compromisso de cada Estado em adotar programas e tecnologias eficazes para o combate à pobreza e à fome.

Durante a presidência brasileira do G20, a proposta de criação da Aliança Global será consolidada para fazer parte dos debates da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo, que acontecerá em novembro no Rio de Janeiro. “A insegurança alimentar e nutricional é um flagelo mundial. Precisamos de ações integradas, num esforço de cooperação internacional para o financiamento de programas de desenvolvimento socioeconômico”, destacou o ministro brasileiro.

Para destacar a experiência brasileira no tema, Dias citou os esforços para tirar novamente o Brasil do mapa da fome e a retomada de políticas públicas pelo direito à alimentação. “Retomamos programas exitosos de segurança alimentar e criamos novas estratégias para garantir o direito à alimentação. O Plano Brasil Sem Fome é a resposta do Governo Federal à volta do Brasil ao mapa da fome da FAO. Esse plano tem como paradigma o enfrentamento da fome com alimentação adequada, redução das desigualdades e cuidado com o meio ambiente ", pontuou. 

Alianças regionais

O ministro da Agricultura do Chile, Esteban Valenzuela, ressaltou o desejo de fortalecer as alianças comerciais com o Brasil e as compras públicas, a exemplo do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que promove o acesso à alimentação e incentiva a agricultura familiar. “Teremos um grande trabalho junto com o Brasil. Teremos a reunião dos Ministérios da Agricultura com os países do Mercosul e queremos seguir aprendendo com o Brasil. A aliança comercial é muito importante. Queremos trocar experiências e crescer juntos”, afirmou Valenzuela. 

Já Javiera Toro Cáceres, ministra do Desenvolvimento Social e Família do Chile, salientou o trabalho que o país tem desenvolvido para garantir segurança alimentar e nutricional por meio da produção da agricultura familiar e solicitou ao governo brasileiro o compartilhamento das políticas que integram os beneficiários do Bolsa Família, o maior programa de transferência de renda do Brasil, ao mercado de trabalho. 

Alberto Arenas, diretor da Divisão de Desenvolvimento Social da CEPAL - Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, se colocou à disposição para ajudar os países no que for necessário para colocar o plano em prática,  “pois é muito importante o compartilhamento de experiências”. 

A reunião da cúpula da CELAC, com os chefes de Estado, está marcada para março e deve referendar o plano, que já tem o apoio da FAO - Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

Convites para o G20

Dias aproveitou as reuniões bilaterais com com autoridades chilenas e representantes de organismos internacionais para angariar apoio para a construção da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza no G20. “O presidente Lula defende que o intercâmbio de experiências ajuda no desenvolvimento dos países. Precisamos discutir as políticas públicas e compartilhar com os países que mais precisam”, defendeu Wellington Dias.

Mario Lubetking, diretor geral adjunto da FAO no Chile, se colocou à disposição para participar da reunião da Força Tarefa, que será realizada em Teresina, capital do estado do Piauí, em maio. “Vamos trabalhar para puxar mais países a participar da Aliança Global Contra a Fome”, pactuou Lubetking.

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