Boletim G20 Ed. 88 - Em 50 anos, cerca de 20 línguas indígenas podem desaparecer no Brasil
O alerta é da pesquisadora da Universidade de Brasília, Altaci Corrêa/Tataiya Kokama, em artigo exclusivo para o site do G20 Brasil. Segundo ela, a preservação dos idiomas promove direitos humanos, diversidade linguística global e contribui para o desenvolvimento sustentável e o equilíbrio ambiental. Ouça e saiba mais!
Repórter: Embora os povos indígenas representem 6% da população mundial, são as populações originárias as principais responsáveis pela diversidade linguística global, pois falam mais de 4 mil das 6 mil línguas do mundo. Contudo, estima-se que mais da metade de todas as línguas vão deixar de ser faladas até o final deste século. Diante da iminente perda, foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas a Década Internacional das Línguas Indígenas para o período de 2022 a 2032. A pesquisadora Altaci Corrêa, estudiosa do assunto, explica a importância das línguas indígenas.
Altaci Corrêa: (saudação na língua Kokama, tradução) - Eu sou a professora Altaci, meu nome em Kokama é Tataya. As línguas indígenas são conhecimento, pois codificam a experiência ancestral dos povos indígenas em cada bioma. É crucial preservá-las pois representam o patrimônio cultural e a identidade das comunidades. Além de estarem ligadas ao conhecimento tradicional, ancestral e a sustentabilidade ambiental.
Repórter: No Brasil, as línguas indígenas contém conhecimento sobre a Amazônia, o Pantanal, a Mata Atlântica, o Cerrado, a Caatinga e o Pampa. São línguas ancestrais porque resultam da longa e profunda convivência humana em ambientes específicos, produzindo saberes altamente especializados. A extinção das línguas implica em perda de conhecimento importante ao enfrentamento da crise climática e ambiental. A pesquisadora Altaci defende que a questão linguística deve ser incluída nas ações emergenciais tomadas para a proteção dos povos indígenas e dos territórios dos quais são os guardiões.
Altaci Corrêa: A preservação das línguas indígenas protege os direitos humanos, promove a diversidade linguística global e contribui para o desenvolvimento sustentável com equilíbrio ambiental para o bem viver de todos.
