Boletim G20 Ed. 219 - Seminário internacional do G20 alerta: “a Amazônia pede socorro”
Em Manaus, no estado do Amazonas, especialistas debatem a descarbonização, destacando inovações tecnológicas, políticas públicas e manejo sustentável para enfrentar o desmatamento e mitigar os impactos das mudanças do clima no mundo. Ouça a reportagem e saiba mais.
Repórter: No coração da Amazônia, um seminário internacional do G20 reúne especialistas de várias partes do mundo para discutir temas que envolvem a preservação da floresta amazônica e das florestas tropicais do planeta. Um dos painéis, que tratou da descarbonização e mudança do clima, trouxe à tona discussões sobre a importância da implementação de políticas e tecnologias voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa, além de estratégias para adaptação e resiliência de ecossistemas e comunidades locais.
Osvaldo Moraes, Diretor do Departamento para o Clima e Sustentabilidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), destacou a importância do seminário e apontou um desafio para a comunicação eficaz do conhecimento científico.
Osvaldo Moraes: A maior dificuldade que eu veja verdade, não é conversar com o cidadão comum, é conversar com políticos, conversar com governos, conversar com tomadores de decisão. Recentemente nós tivemos no Brasil um governo que negava a ciência. Então é importante que a ciência pode, ainda sim, manter viva a sua vontade nesse diálogo
Repórter: Entre os painelistas, Keizo Hirai, diretor do Instituto de Pesquisa para Florestas e Produtos Florestais, apresentou dados alarmantes sobre a devastação e queimadas na Amazônia.
Keizo Hirai: Desde 2020, mais de 10 mil km² foram desmatados, e a degradação tem impacto direto na absorção de carbono, essencial para mitigar o aquecimento global. Hirai mostrou estudos que demonstram o longo tempo de recuperação da biomassa em florestas devastadas, destacando que, em algumas regiões, esse processo pode levar até 60 anos.
Repórter: Outro ponto de destaque veio do pesquisador Carlos Alberto Quesada, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Ele destacou que 60% da Amazônia tem solo pobre em nutrientes, o que dificulta a resiliência da floresta, mas que estudos dessa natureza podem fornecer respostas tanto para a mitigação quanto para o desenvolvimento de novas práticas agrícolas e de gestão sustentável. O pesquisador fez um alerta.
Carlos Alberto Quesada: “A Amazônia pede socorro. A Amazônia é extremamente importante nas vidas das pessoas. Mesmo que você não se dê conta disso, a Amazônia está aqui fazendo serviços que atingem você. Então a Amazônia pede socorro, a mensagem é essa.
Repórter: O debate, dentro da agenda do Grupo de Trabalho de Pesquisa e Inovação do G20, reforça a necessidade de uma ação coordenada entre governos, cientistas e comunidades para enfrentar os desafios globais da descarbonização e preservação ambiental.
