Boletim G20 Ed. 216 - Unesco oferece recomendações para regulação da IA e transformação em leis nacionais
Em entrevista ao G20, Tawfik Jelassi, diretor-geral adjunto de Comunicação e Informação da Unesco, fala sobre inteligência artificial, transformação digital e regulação de plataformas. Ouça a reportagem e saiba mais.
Repórter: Tawfik Jelassi, diretor-geral adjunto de Comunicação e Informação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), participou da reunião do Grupo de Trabalho de Economia Digital em Maceió. Em entrevista ao G20, Jelassi destacou o compromisso da Unesco em apoiar o Brasil na promoção da integridade da informação, uma questão também abordada nas discussões da COP 30. Segundo ele, a colaboração entre o G20 e a Unesco reflete um compromisso global com a integridade da informação e a promoção de um ambiente digital inclusivo e ético. Ouça trechos da conversa.
Repórter: Como a Unesco está apoiando a presidência brasileira do G20?
Tawfik Jelassi: Um dos temas centrais que a presidência brasileira do G20 colocou para discussão, especialmente neste grupo de trabalho, é o tema da integridade da informação. E essa informação é fundamental para o alcance do desenvolvimento social, inclusivo e sustentável. Uma das questões fundamentais aqui, muito relacionada ao desenvolvimento sustentável, é como combater a desinformação em relação, por exemplo, às mudanças climáticas. E essa é uma das agendas que a Unesco está particularmente apoiando a atual presidência brasileira do G20.
Repórter: Quais são os principais tópicos tratados no setor de comunicação e informação da Unesco?
Tawfik Jelassi: Liberdade da mídia, desenvolvimento da mídia, alfabetização informacional e midiática, transformação digital, acesso à informação pública e segurança de jornalistas.
Repórter: A Unesco também trabalha com questões éticas relacionadas à Inteligência Artificial. Quais são os avanços nesse campo?
Tawfik Jelassi: Os avanços na inteligência artificial, particularmente o lançamento do chat GPT, essa discussão foi acelerada E hoje várias instituições, como é o caso das Nações Unidas, da União Europeia, da OCDE, vários países individualmente, estão todos levando adiante esta discussão, esta bandeira do uso ético e responsável da inteligência artificial.
Repórter: Como o senhor avalia a transformação digital em serviços públicos?
Tawfik Jelassi: Isso é um dos temas que está sendo discutido aqui na reunião do G20, em inglês, Digital Public Infrastructure. Então não se trata de escolher um processo em particular, por exemplo, a emissão de passaportes, mas que todos os serviços oferecidos à cidadania estejam disponíveis através de uma porta de entrada ou de saída do governo, por exemplo, um aplicativo através do qual a cidadania possa exercer qualquer uma das relações que precisa ter com o serviço público.
Repórter: Como o G20 e a Unesco veem a regulação das plataformas digitais para garantir a sustentabilidade do jornalismo?
Tawfik Jelassi: Diferente da União Europeia, o G20 e a Unesco não têm um poder regulador. A gente oferece recomendações, mas isso não quer dizer que as nossas ações não tenham um impacto. A gente propôs um conjunto de elementos que podem ser transformados em legislação e a Unesco está aberta a ajudar os distintos países na implementação desse tipo de perspectiva de governança e de regulação.
