Avanços para combater a fome em nível global devem ser especialmente comemorados por mulheres
"A fome tem o rosto de uma mulher e a voz de uma criança. Mesmo que elas preparem a maioria das refeições e cultivem boa parte dos alimentos, mulheres e meninas são a maioria das pessoas em situação de fome no mundo”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio de Janeiro, durante a reunião ministerial da Força-Tarefa de Combate à Fome e à Pobreza.

A Aliança Global Contra a Fome é o grande trunfo da presidência brasileira frente ao Grupo dos 20 em 2024 e a melhor notícia para mulheres no último mês. "A fome tem o rosto de uma mulher e a voz de uma criança. Mesmo que elas preparem a maioria das refeições e cultivem boa parte dos alimentos, mulheres e meninas são a maioria das pessoas em situação de fome no mundo”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio de Janeiro, durante a reunião ministerial da Força-Tarefa de Combate à Fome e à Pobreza.
Na ocasião, as lideranças dos países-membros e convidados para a Cúpula bateram o martelo pela implementação desta Aliança que vai viabilizar parcerias, sejam técnicas ou financeiras, para que os países possam aderir e implementar programas de combate à fome e à pobreza.
A Força-Tarefa da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza é integrada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e pelo Ministério da Fazenda (MF).
Para explicar a iniciativa, o grupo vem trabalhando com a analogia de uma cesta. Ou seja, uma espécie de cardápio de boas experiências que serão, com a Aliança, disponibilizadas para implementação em todos os países do globo que quiserem aderir à iniciativa. Um exemplo de política pública dessa natureza é o Programa Bolsa Família, que hoje auxilia, aproximadamente, 20,8 milhões de famílias (ComunicaBR/maio de 2024).
Linha do Tempo da Aliança Global Contra a Fome
Setembro de 2023: O presidente Lula propôs a criação da Aliança durante a Cúpula do G20 em Nova Delhi, na Índia, quando lhe passaram o bastão da presidência do fórum.
Fevereiro de 2024: Apresentação da ideia em reunião online.
Maio de 2024: Delegações entram em consenso sobre os Termos de Referência e o Marco de Governança da Aliança Global Contra a Fome com os critérios para a composição da cesta de políticas públicas e o modelo para as Declarações de Compromisso.
Junho de 2024: Conclusão, em nível técnico, de todos os documentos que fundamentam a iniciativa.
Julho de 2024: Reunião ministerial para analisar e adotar os textos. Uma espécie de pré-lançamento para a implementação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
[Expectativa] Novembro de 2024: Lançamento definitivo durante a Cúpula de Líderes do G20, no Rio de Janeiro.
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Para explicar a iniciativa, o grupo vem trabalhando com a analogia de uma cesta. Ou seja, uma espécie de cardápio de boas experiências que serão, com a Aliança, disponibilizadas para implementação em todos os países do globo que quiserem aderir à iniciativa. Um exemplo de política pública dessa natureza é o Programa Bolsa Família, que hoje auxilia, aproximadamente, 20,8 milhões de famílias (ComunicaBR/maio de 2024).
Contra outro tipo de pobreza: a pobreza de tempo
No Brasil, mulheres pretas e pardas são mais afetadas pelas desigualdades de renda, de acesso à educação e ao mercado de trabalho. Também há disparidades explícitas no tempo que as mulheres dedicam ao trabalho doméstico e aos cuidados de outras pessoas. Em 2022, elas dedicaram quase o dobro de tempo que homens com este trabalho invisibilizado.
Segundo a Oxfam, se o trabalho invisível executado por mulheres fosse remunerado com um salário mínimo, isso representaria a injeção de 10,8 trilhões de dólares ao ano para a economia mundial.
- TEMPO QUE MULHERES DEDICAM AO TRABALHO DE CUIDADO (HORAS/SEMANA)21,3
- PERCENTUAL DE MULHERES ABAIXO DA LINHA DE POBREZA32,3%
- TAXA DE PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES NO MERCADO DE TRABALHO REMUNERADO53,3%
Ou seja, no caso das mulheres, o combate à miséria também passa pelo combate à pobreza de tempo que mulheres vivenciam e este tema recebeu grande destaque no Grupo de Trabalho de Empoderamento de Mulheres (EWWG, em inglês) e no Grupo de Trabalho de Emprego, além do grupo de engajamento da sociedade civil Woman20.
“Todos os membros do G20 têm discutido a questão do cuidado como um elemento importante para o desenvolvimento e para o crescimento do PIB, inclusive", alertou a Secretária-Executiva do Ministério das Mulheres e coordenadora do EWWG, Maria Helena Guarezi.
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No início de julho, o governo federal brasileiro se antecipou ao debate do G20 e enviou ao Congresso a proposta da Política Nacional de Cuidados que tem a missão de garantir os direitos tanto de quem cuida quanto de quem é cuidado. O texto foi construído com a coordenação do Ministério das Mulheres e o MDS, além de outros 18 ministérios, representantes de estados, municípios e acadêmicos.
Como explica a coordenadora do Woman20, Ana Fontes, cabe aos membros do Fórum reconhecerem que o cuidado é um trabalho. “Queremos assegurar remuneração e proteção social para as mulheres, e, ainda, eliminar o elevado trabalho informal que existe na maioria dos países do G20”, resumiu.
Com informações do Ministério das Mulheres do Brasil