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Debate na Fundaj aborda arte, feminino e resistência poética
A videoperformance, o feminino e a representatividade foram temas de reflexão em atividade na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) nessa quarta-feira (4). A mesa-redonda “Mulheres: corpo e território” foi promovida pela Unidade de Artes Visuais, vinculada à Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca), no campus Ulysses Pernambucano da instituição, no Derby.
O encontro reuniu estudantes de artes, teatro e audiovisual, professores, educadores e público interessado em arte contemporânea para pensar sobre como se dá a trajetória de mulheres na videoarte, diante da desigualdade de gênero e de narrativas hegemônicas, além da forma como elas podem pertencer em um território, minimizando silenciamentos e apagamentos.
A mesa teve mediação da arte-educadora e curadora Myllena Matos, que abordou o contexto da arte e do feminino a partir da mostra “Poéticas da não desaparição”, que pensa no corpo como uma forma de expressão e protesto e propõe o questionamento de narrativas hegemônicas, apresentando a arte como uma zona de indeterminação entre presença e ausência, gesto e tempo, imagem e espaço.
A doutora em educação que desenvolve pesquisas em Arte/Educação e Estudos Culturais em Educação com ênfase no Corpo, Gênero e Sexualidades e enfoque teórico na Teoria Queer e nos Estudos Foucaultianos, Ana Paula Abrahamian, uma das debatedoras, falou sobre a importância de pensar as videoperformances como produtoras de conhecimento.
“A gente tem dialogado muito com um campo metodológico chamado pesquisas educacionais baseadas em arte, tentando nos aproximar de como fazer pesquisas tendo a arte, os artistas e o fazer artístico como um diálogo forte para pensar como a arte dá a pensar a formação de professores e professoras e pesquisas acadêmicas”, explicou.
A pesquisadora afirmou, ainda, que trazer as mulheres artistas para o centro é pensar em um tempo histórico, no silenciamento e em como essas mulheres tensionaram.
Já Indiara Launa Teodoro, mestranda em Educação, Culturas e Identidades e membra do Grupo de Pesquisa em Estudos Culturais e Arte/Educação e do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Raça, Gênero e Sexualidades Audre Lorde, destacou a relação politizada entre arte e mundo, corpo e território, e o potencial dos saberes do corpo.
“A provocação é pensar em saberes do corpo a partir da sua insubordinação. Não sabemos do que um corpo é capaz na criação de resistências criativas, eróticas, sensíveis, políticas e pedagógicas”, disse.
Indiara também refletiu sobre a “potência poética e política de nos reconhecermos na relação com o outro, que se dá em liberdade”.
Com sala cheia, os participantes fizeram intervenções sobre as temáticas abordadas, destacando a importância do debate e do estímulo à reflexão.
Em cartaz na Fundaj do Derby, a mostra de videoarte “Poéticas da não desaparição” pode ser visitada até o dia 17 de abril e reúne obras das artistas Celina Portella, Mona Hatoum, Ana Mendieta e Brígida Baltar do acervo da instituição.