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Conforto térmico nos locais de descanso é peça-chave na recuperação da temperatura das mãos de trabalhadores de frigoríficos
Card em tons de azul. Imagem desfocada de um frigorífico ao fundo. Em primeiro plano, trabalhador com roupa de proteção, touca, máscara, está retirando a luva de uma das mãos. No canto superior esquerdo, logomarca da RBSO. Centralizada, faixa cinza sobreposta à imagem com texto em letras brancas: “Efeito das pausas psicofisiológicas na temperatura das mãos de trabalhadores de frigoríficos”. Canto esquerdo inferior, texto em letras brancas: Artigo de Pesquisa. Canto inferior direito, logomarca da Fundacentro.
Pausas psicofisiológicas ajudam na recuperação térmica das mãos de trabalhadores de frigoríficos desde que ocorram em ambiente externo ao setor produtivo com temperatura igual ou superior a 15º C. Essa é a conclusão de um estudo inédito publicado no volume 50 da Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO).
Para verificar a relação entre a temperatura das mãos e o tempo de pausa, os pesquisadores Natália Fonseca Dias, Adriana Tirloni e Antônio Renato Moro acompanharam 40 trabalhadores de um frigorífico de suínos. O grupo formado apenas por homens foi dividido em dois, conforme a temperatura externa: acima ou abaixo de 15 °C.
O método incluiu registros de imagens termográficas feitos com câmera infravermelha portátil em quatro pausas durante a jornada de trabalho: uma de 20 minutos, duas de 15 minutos e uma de 10 minutos. As coletas das imagens foram acompanhadas da pergunta “Como está a sua sensação térmica nas mãos?”, à qual os trabalhadores respondiam utilizando uma escala numérica e visual, impressa e colorida.
Os resultados mostraram que, no grupo exposto a temperaturas externas iguais ou superiores a 15 °C, houve aumento significativo da temperatura dos dedos após as pausas, independentemente da duração, indicando recuperação térmica. Já no grupo em que o ambiente externo estava abaixo de 15 °C, as pausas não proporcionaram melhora. Ao contrário, os dedos apresentaram temperaturas ainda menores devido à falta de conforto térmico nos locais de descanso.
Os resultados indicam também necessidade de melhorias quanto à proteção dos trabalhadores. “A mão que manipula o produto deve ser melhor protegida quanto ao agente de risco frio, e estudos utilizando luvas térmicas (com CA) devem ser realizados para verificar a eficiência desse EPI à atividade desenvolvida em ambiente artificialmente frio de frigorífico”, frisam os autores.
Os pesquisadores sugerem ainda que a Norma Regulamentadora nº 36 (NR-36), que trata da segurança e saúde em empresas de abate e processamento de carnes, seja revista para considerar as condições de conforto térmico dos locais de pausa.
Por fim, frisam que garantir ambientes adequados e equipamentos de proteção térmica é essencial. “Os frigoríficos devem disponibilizar vestimentas apropriadas e locais de pausas que ofereçam conforto térmico aos trabalhadores, independentemente do tipo de pausa concedida, térmicas ou psicofisiológicas, pois só assim as pausas poderão auxiliar no aumento da temperatura das mãos, tal como mitigar os efeitos do agente físico frio”, concluem.
O artigo Efeito das pausas psicofisiológicas na temperatura das mãos de trabalhadores de frigoríficos está disponível na página da RBSO no SciELO. O conteúdo está em português e inglês, e o download do PDF é gratuito.
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Texto:
Karina Penariol Sanches
Imagem:
Criada por IA no banco de imagens Freepik