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SAÚDE MENTAL
Estudo aponta alta prevalência de transtornos mentais na Atenção Básica em saúde
Card mostra uniforme de profissional de saúde com estetoscópio e cartelas de comprimidos. O texto informa que estudo aponta alta prevalência de transtornos mentais e uso de psicotrópicos entre trabalhadores da Atenção Básica em saúde. No rodapé, logomarca da Fundacentro e selo de 60 anos.
Um estudo publicado na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional - RBSO analisou a prevalência de Transtornos Mentais Comuns (TMC) e o uso de psicotrópicos entre trabalhadores da Atenção Básica em saúde de um município paulista de médio porte.
A pesquisa destaca que, embora a Atenção Básica seja o principal pilar do Sistema Único de Saúde - SUS e porta de entrada preferencial da população, seus profissionais estão expostos a condições de trabalho que favorecem o adoecimento psíquico, como alta demanda, sobrecarga de responsabilidades, falta de recursos e pressão por metas.
Como o estudo foi realizado
Trata-se de uma pesquisa de caráter transversal, realizada entre agosto e novembro de 2019, que contou com a participação de 178 profissionais de saúde. O grupo foi composto por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde, todos vinculados às Unidades Básicas de Saúde e às equipes da Estratégia Saúde da Família.
O estudo analisou características pessoais, sociais e profissionais dos participantes, bem como aspectos relacionados à organização do trabalho, às práticas em equipe e aos níveis de satisfação com o serviço e com as condições de trabalho.
Uso de psicotrópicos entre os trabalhadores
Os resultados revelaram que, além dos profissionais em uso atual de psicotrópicos, 17,1% relataram uso anterior. Dessa forma, 37,3% dos trabalhadores apresentaram histórico de utilização desse tipo de medicação. Entre os 59 participantes que referiram uso atual ou passado, os antidepressivos foram os mais utilizados (69,5%), seguidos pelos ansiolíticos (34,3%).
O uso ocorreu, em sua maioria, por períodos de até seis meses ou até um ano, e em dois terços dos casos teve início após o ingresso no serviço. As prescrições partiram principalmente de médicos da Atenção Básica e da rede privada, e a obtenção dos medicamentos ocorreu, sobretudo, em farmácias gratuitas do SUS.
A pesquisa identificou que a prevalência de TMC esteve associada a diferentes dimensões de insatisfação com o trabalho, incluindo a avaliação geral do serviço. Já o uso atual de psicotrópicos mostrou relação com a percepção do trabalhador sobre sua participação no serviço.
As evidências reforçam que a forma como os profissionais vivenciam o trabalho e lidam com seus desafios influencia diretamente a saúde mental, com impactos significativos na qualidade de vida e no bem-estar dos trabalhadores da Atenção Básica.
Autoria
Lívia Penteado Pinheiro é vinculada à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Faculdade de Ciências Médicas, Departamento de Saúde Coletiva, em Campinas (SP).
Carlos Alberto dos Santos Treichel é docente/pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Escola de Enfermagem, Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Psiquiátrica, em São Paulo (SP).
Rosângela Santos Oliveira, Maria Fernanda Lirani dos Reis e Rosana Teresa Onocko Campos são vinculadas à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Faculdade de Ciências Médicas, Departamento de Saúde Coletiva, em Campinas (SP).
O artigo de pesquisa está disponível na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional – RBSO, na plataforma SciELO, com acesso gratuito ao PDF, nos idiomas português, espanhol e inglês.
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Texto:
Débora Maria Santos
Imagem: Imagem produzida a partir de elementos do Canva.