Artigo de revisão analisa exposição ao benzeno em postos de combustíveis ao redor do mundo
Estudo abrange período de 1995 a 2020 e destaca necessidade de países estabelecerem regulamentações e monitoramentos adequados

A exposição ocupacional ao benzeno tem forte associação com o risco de leucemia mieloide aguda em adultos e ocorre em diversas indústrias. Nos postos de combustíveis, a repetitividade das tarefa dos frentistas por longos períodos os coloca em exposição crônica. Para compreender a gravidade do tema e embasar políticas públicas e intervenções regulatórias, o artigo “Benzene exposure in gas stations across the world: a systematic review” traz uma revisão sobre o problema em postos ao redor do mundo..
Após a triagem de 919 artigos publicados entre 2000 e 2021 nas bases de dados Web of Science, Embase, Scopus, PubMed, BIREME e SciELO, a revisão final contou com 73 artigos. Divididos em cinco períodos (1995-1999; 2001-2005; 2006-2010; 2011-2015; 2016-2020), os estudos abrangeram 22 países, com 78% deles compreendendo Ásia Ocidental, Sudeste Asiático e América do Sul. A maioria ocorreu na Tailândia, no Brasil, na Itália e no Irã. Os artigos consolidaram quase 4 mil medições individuais da concentração de benzeno para o grupo exposto e quase 1.400 para o grupo de referência.
A revisão observou que a maioria dos países apresentou níveis de exposição ao benzeno inferiores a 0,5 ppm, sendo a menor concentração da substância no Irã e as maiores na Arábia Saudita e no Egito. Ainda assim, destacou que, em todos os estudos que incorporaram grupo de referência, os grupos expostos tiveram maiores índices em relação aos não expostos. Essa constatação ocorreu mesmo em postos com Sistemas de Recuperação de Vapores (VRS) e independentemente de os valores excederem ou não o limite de exposição ocupacional.
Algumas variáveis influenciaram na exposição, como a estação do ano. Durante o inverno, por exemplo, alguns estudos observaram concentrações menores de benzeno, apesar de não relatarem nenhuma correlação específica. O período de 1995 a 2000 também registrou redução quando comparado aos demais, talvez porque os dados sejam provenientes de estudos realizados em postos equipados com VRS.
Os autores analisaram outros fatores envolvidos, como, por exemplo, existência ou não de informações sobre o teor de benzeno no combustível e de sistemas de controle. Destacaram, no entanto, algumas limitações estatísticas na composição dos dados que devem ser observados com cautela. “Apesar dessas restrições, a qualidade dos dados dos artigos incluídos nas análises permite concluir que a exposição ao benzeno retratada nesta revisão é uma boa aproximação da exposição real enfrentada pelos atendentes de abastecimento durante o período analisado”, ponderaram os especialistas.
“Nossa análise destacou a necessidade crítica de os países regulamentarem e monitorarem a exposição a agentes perigosos no local de trabalho e enfatizou a importância de as empresas aderirem à legislação destinada a proteger os trabalhadores”, concluem.
Redigido pelos especialistas da Fundacentro Elizabeti Yuriko Muto, Elizabeth da Silva Figueiredo e Gilmar da Cunha Trivelato, aposentado, e por Hélio Doyle Pereira da Silva, professor da Universidade de Guarulhos (UNG), o artigo está disponível no periódico ACS Chemical Health & Safety.
Saiba mais
Leia o artigo "Benzene Exposure in Gas Stations across the World: A Systematic Review".
Texto:
Karina Penariol Sanches
Imagem:
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